“Vivemos um momento delicado”

De acordo com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, a concentração da JBS no Brasil pode trazer complicações ao setor produtivo

_MG_2498Em participação ao evento “Força do Campo”, promovido pelo banco Santander Brasil, em Cuiabá/MT, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse a jornalistas que sempre se preocupou com o tamanho que a JBS adquiriu no Brasil. “Sempre fui um crítico da posição do governo, do BNDES, de ter proporcionado esta grande concentração que houve no País. Isso é muito perigoso. E agora nós vivemos um momento delicado. Não sabemos o que vai acontecer à Companhia. Vamos imaginar que aconteça o pior; isso complica o setor produtivo”, disse.

“Nós do Ministério estamos fazendo um levantamento de todas as plantas que estão fechadas, tentar estimular o desenvolvimento de algum outros grupos para entrar no mercado. Eu vim do Oriente Médio esta semana, e percebi também lá nos nossos distribuidores, essa preocupação; de um setor ficar concentrado na mão de uma ou duas empresas muito grandes e agora corrermos o risco de problema com segurança alimentar. O momento é complicado”, enfatizou Maggi.

O ministro informou também que a questão da entrada da carne brasileira em mercados internacionais está resolvida. “Não temos nenhum problema com embargo; a questão agora é de mercado. A imagem do Brasil está comprometida; ficou um ponto de interrogação na qualidade de nossos produtos que antes não tínhamos. A Operação Carne Fraca continua; a primeira e a segunda etapas já se encerraram e, provavelmente haverá outras. O Ministério apoia a ação da Polícia Federal, mas temos de tomar cuidado em relação à qualidade”, disse.

*a repórter viajou a Cuiabá/MT a convite do Santander

 

 

 

 

 

 

 

Santander lança estratégia de aproximação à cadeia do agronegócio

Iniciativa inclui contratação de engenheiros agrônomos e abertura de lojas em fronteiras agrícolas no País

Sérgio Rial, presidente do Banco Santander Brasil

Sérgio Rial, presidente do Banco Santander Brasil

Em seminário realizado ontem (25), em Cuiabá/MT, pelo Santander Brasil em parceria com o Governo do Estado de Mato Grosso, o presidente do banco no Brasil, Sérgio Rial, falou sobre a importância do papel de bancos privados em apoio ao agronegócio e que o cenário atual da economia pode contribuir para uma taxa de juros menor. “O agronegócio está conectado a uma cadeia global e, por isso é mais resiliente. Com taxas de juros de 14%, 15%, fica difícil olhar para um setor altamente dolarizado”, disse na abertura do evento “A Força do Campo”.

Além da inauguração de sete lojas dedicadas ao setor, Rial também anunciou a contratação de mais de 40 engenheiros agrônomos para atuar diretamente nestas agências. “Quem consegue vender semente, sabe trabalhar em banco”, disse. A iniciativa faz parte da estratégia da instituição de ficar mais próximo do agronegócio.

Com isso, o banco promete reduzir em 40% o tempo para liberar créditos ao produtor rural, que além de contar com um atendimento personalizado, terá opções de crédito adequadas ao seu fluxo de caixa.

Os espaços agro, abertos desde janeiro deste ano, estão localizados nos municípios de Cristalina/GO, Naviraí/MS, Posse/GO, Campo Novo do Parecis/MT, Canarana/MT, Paragominas/PA, Balsas/MA e Primavera do Leste/MT. Para o segundo semestre, a empresa prevê a abertura de mais oito agências nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará, Rondônia e Minas Gerais.

Ainda durante a abertura do seminário, o executivo se mostrou favorável às reformas previdenciária e trabalhistas, propostas pelo governo federal. “Esta não é uma discussão política. As reformas são uma questão demográfica; de solvência do país e, portanto, claramente econômica”, finalizou.

*a repórter viajou a Cuiabá/MT a convite do Santander

 

 

 

Uso de biodiesel de soja reduz entre 65% e 72% as emissões de gases de efeito estufa

Resultado foi apontado em estudo liderado por pesquisadores da USP, que mediu as emissões de GEE do ciclo de vida do biodiesel de soja brasileiro em substituição ao diesel mineral

Redação*

óleo café_detalhe

O uso de biodiesel de soja em substituição ao diesel mineral é uma contribuição importante para evitar o aquecimento global, constata o estudo “Assessing the greenhouse gas emissions of Brazilian soybean biodiesel production” , coordenado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e recém-publicado na revista científica PLOS ONE.

De acordo com os autores, os resultados obtidos contribuem para a identificação das principais fontes de gases de efeito estufa (GEE) no sistema de produção de biodiesel de soja brasileiro e podem ser utilizados para orientar políticas públicas, além de auxiliar nas tomadas de decisão em relação às estratégias de mitigação do aquecimento global. 

A pesquisa avaliou as emissões de GEE da produção de biodiesel de soja no Brasil, desde a produção agrícola da matéria-prima até o transporte do biocombustível para rotas nacionais e para a Europa. Foram utilizados dados de mais de 200 propriedades de soja associadas à Aprosoja-MT, a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso, e de indústrias afiliadas à Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais – Abiove e à União Brasileira de Biodiesel e Bioquerosene – Ubrabio . 

A pesquisa

Na pesquisa, houve destaque para as emissões de GEE na produção da soja (insumos e defensivos agrícolas, queima de combustíveis fósseis, restos culturais sobre o solo e uso de energia elétrica), no processamento do grão e na produção do biodiesel (insumos industriais, queima de combustíveis fósseis e uso de energia elétrica) e no transporte envolvido em cada etapa (queima de combustíveis fósseis).

A avaliação indicou que as emissões da etapa agrícola são as mais representativas (42-51%) de todo o ciclo, quando o processamento da soja e a produção do biodiesel ocorrem na mesma unidade industrial, em sistema integrado. Quando a produção industrial ocorre em unidades separadas de produção de óleo e de biodiesel, a maior emissão de GEE está na etapa de produção do biodiesel (46-52%).

As emissões de GEE do ciclo de vida do biodiesel distribuído em rotas domésticas variaram de 23,1 a 28,8 gCO2eq. MJ-1 B100. Já para o biocombustível exportado para a União Europeia, as emissões variaram 26,5 a 29,2 gCO2eq. MJ-1 B100. Os resultados representam reduções de 65% a 72% nas emissões de GEE em relação às emissões do diesel europeu, dependendo da rota de entrega do biodiesel.

Para o pesquisador Carlos Eduardo Cerri, principal autor da publicação, “em cumprimento não apenas ao Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), que estabelece o uso do B8 (março de 2017), do B9 (março de 2018) e do B10 (março de 2019), mas também em relação à INDC (Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada) do Brasil, apresentada em 2015 durante a Convenção do Clima da ONU/ COP 21, em Paris, o estudo sugere um alto potencial do biodiesel de soja para a melhoria da sustentabilidade ambiental do sistema de economia de base biológica no Brasil, bem como em outros países importadores do biodiesel de soja nacional”.

*com informações da Abiove.