Brasil decide entrar com ação na OMC por embargo de carne de frango pela União Europeia

De acordo com Mapa, o bloqueio não se deu por questões sanitárias e sim, comerciais

Redação*

foto - Ernesto Reghran/Pulsar Imagens

foto – Ernesto Reghran/Pulsar Imagens

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou na última terça-feira (17) que o Brasil vai entrar com uma ação na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a União Europeia (UE), por conta do embargo às importações de carne de frango da BRF e de outros frigoríficos brasileiros. Maggi disse que a medida por parte da UE poderá afetar as negociações para um acordo de livre comércio entre Mercosul e o bloco europeu.

De acordo com o ministro, não se trata de um embargo sanitário e sim, comercial, já que o País não deixou de cumprir nenhuma exigência sanitária dos europeus.

O setor passa por problemas desde março do ano passado, quando foi deflagrada a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. Há cerca de um mês, quando foi realizada a terceira fase da Operação, que apontou um esquema fraudulento entre laboratórios privados e frigoríficos, que envolvia a concessão de laudos que atestavam a ausência de salmonela em carnes de aves, a situação piorou.

 

Cão reforça trabalho de auditores fiscais federais agropecuários no PR

Thor, um labrador de dois anos, é o segundo cão em atividade de fiscalização agropecuária no País

Redação*

Thor confere

Thor confere bagagens para impedir entrada de pragas

Desde o final de março, a equipe de profissionais que atua na triagem dos Correios, em Pinhais/PR, na região de Curitiba, ganhou um reforço: Thor, um cão labrador de dois anos, que já tem se mostrado muito eficiente na função de impedir a entrada de pragas que podem por em risco a agropecuária brasileira.

Thor trabalha no posto da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) desde março de 2017, mas só começou a participar de operações de fiscalização no mês passado. “Nesse período, já foram realizadas dez operações, das quais três resultaram em apreensões”, conta o auditor fiscal federal Romero Teixeira, responsável pelo treinamento dos cães que atuam em fiscalização agropecuária em todo o Brasil. Em Curitiba, Thor é conduzido por um agente de atividade agropecuária e por um técnico de laboratório, sob a supervisão de Teixeira.

A iniciativa faz parte de um projeto nacional e Thor é o segundo cão em ação no Brasil. O outro, Leo, atua em Brasília, e já é um veterano. “Leo é nosso garoto-propaganda. Hoje, ele atua mais em treinamento e divulgação do projeto, mas também na fiscalização dos voos internacionais que chegam a Brasília”, explica Teixeira.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) já realizou licitação para aquisição de dez novos cães para integrar o projeto, e até o fim do ano o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro, deve contar com um cão na fiscalização de voos internacionais. “O treinamento desses cães é muito difícil. Não havia metodologia para detecção de produtos de origem agropecuária, o que precisamos desenvolver para, então, treinar os cães”, explica Teixeira, reforçando que o resultado tem sido “muito positivo”.

Além do complexo treinamento, há toda uma preparação na cidade em que o cão vai trabalhar. “Precisamos que haja uma licitação para veterinário, alimento e toda a manutenção, além de um canil, para abrigar o animal.” Há ainda o treinamento dos dois condutores dos cachorros.

Os animais fazem o trabalho depois que encomendas postais já passaram pelo raio x, ou seja, de fato, seriam colocados na rua, podendo pôr em risco a produção agropecuária e a saúde dos brasileiros. Na última semana, em Curitiba, Thor ajudou na apreensão de sementes e mudas vindas da China. A fiscalização pelos cães os aeroportos é feita antes de os donos das bagagens terem acesso a elas, ou na fila da imigração.

* com informações do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical)

Mercado brasileiro ganha duas novas variedades de mandioquinha

Desenvolvidos pela Embrapa, novos materiais produzem até 80% a mais do que a cultivar tradicional. 

Divulgação Embrapa

Novas variedades são 80% mais produtivas que a atual

Consumidores encontrarão no mercado a partir deste mês, duas novas variedades de mandioquinha-salsa. Desenvolvidas pela Embrapa Hortaliças/DF, as cultivares BRS Rúbia 41 e BRS Catarina 64 produzem até 80% a mais do que a que hoje domina as prateleiras, a Amarela de Senador Amaral.

“Além da questão da produtividade, essas duas novas variedades podem trazer estabilidade de produção deste cultivo e torná-lo mais acessível aos produtores, além de apresentarem resistência a doenças por conta da qualidade de suas mudas”, explica Nuno Madeira, pesquisador da Embrapa Hortaliças e também coordenador das pesquisas com a mandioquinha. “São 16 anos de estudos. Estes materiais vão diminuir ainda mais o custo de produção do agricultor e quebrar uma concentração comercial que há hoje do produto”, completa.

As pesquisas da Embrapa mostraram que nas lavouras onde o produtor colhia 100 caixas, com as novas variedades ele passou a colher até 180 caixas. “Estas variedades selecionadas de um universo de mais de 10 mil, inicialmente, além de apresentarem alta produtividade, são também superiores em relação ao sabor porque possuem 20% a mais de sólidos do que a Senador Amaral (e, portanto, menor teor de água) e também de betacaroteno; sua qualidade nutricional é a mesma”, explica Madeira.

Comercialização

De acordo com o pesquisador, BRS Rúbia 41 e BRS Catarina 64 representam hoje de 1% a 2% do mercado nacional. A perspectiva é de em dois anos, este índice chegue a 50%. “Desde 2013, na verdade, que comercializamos o que é colhido nas unidades demonstrativas e comprovamos que há aceitação comercial dos produtos. Hoje, o cultivo destas variedades concentra-se no Sul de Minas Gerais”, conta o pesquisador.

Segundo Ramos, os novos materiais adaptam-se melhor nas regiões do Planalto Central (até 1000 m de altitude); Sudeste (até 800 m de altitude) e no Sul (até 1000 m de altitude). “Esta é uma cultura que necessita de clima ameno o ano inteiro”, diz.

Durante todo o processo de pesquisa e desenvolvimento, a Embrapa contou com a parceria da Emater/MG e da Epagri, de Santa Catarina. “Este foi um trabalho colaborativo, tanto da extensão rural quanto dos próprios produtores, que fizeram conosco toda avaliação destas cultivares”, enfatizou.

“Com novidades no mercado, o que precisamos reforçar agora é a adoção de boas práticas com estas mudas no campo para que todo seu potencial produtivo não se perca em um período de cinco anos. Demoramos 16 anos para desenvolver isto; não podemos colocar esses resultados em risco”, avalia.

Foto: Divulgação Embrapa.