Agreste pernambucano surge como potencial região na produção de vinhos no país

Conclusão é de estudo realizado pela Embrapa em parceria com universidades federais de Pernambuco

Vinhos de Garanhuns_Edmea Ubirajara

Com o objetivo de avaliar a aptidão vitivinícola em outras regiões do País, especialmente no Nordeste, a Embrapa Semiárido, em parceria com o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), analisa os primeiros resultados de um projeto de produção de vinhos no Agreste pernambucano. “Implementamos inicialmente este trabalho em Martins, no Rio Grande do Norte, em Morro do Chapéu, na Bahia e em Garanhuns, em Pernambuco. Mas tivemos dificuldades operacionais com as parcerias no Rio Grande do Norte e na Bahia”, conta Patrícia Leão, pesquisadora da Embrapa e líder do projeto. “Já em Garanhuns, fomos muito bem-sucedidos”, completa.

Os critérios para escolha e implementação do projeto estavam ligados ao microclima de altitude, favorável à cultura da uva, e também ao potencial turístico do local. “O enoturismo nessas regiões serranas tem um apelo muito forte”, diz a pesquisadora.

O projeto testou dez variedades de uvas europeias ao longo de três anos. Destas, três brancas e três tintas se adaptaram às condições de solo e clima. “É importante ressaltar que enólogos nem consideram as duas primeiras safras para avaliação porque videiras mais envelhecidas produzem compostos mais ricos. Então, estes resultados podem mudar muito ainda. Além da qualidade do fruto, desempenho agronômico, viabilidade produtiva e rentabilidade econômica são fatores que serão estudados”, diz Patrícia.

“Precisamos agora ajustar o manejo. Tudo o que fizemos foi com base em informações do que se produz no Vale do São Francisco e na região Sul. A qualidade do vinho precisa ser avaliada por, no mínimo, mais duas safras, para termos mais consistência. Mas estamos muito otimistas com o que obtivemos até então”, avalia.

Empreendedorismo

Vinhos de Garanhuns_Edmea Ubirajara_1Além do olhar atento dos pesquisadores, o projeto tem sido acompanhado também pelo médico oftalmologista e empresário Michel Moreira Leite. Cearense e há 14 anos residindo em Garanhuns, ele enxergou a produção de vinhos na região como uma ótima oportunidade. “Garanhuns recebe o Festival de Inverno, o Viva Dominguinhos, então, atrai muito turista. Pensei – por que não fazer vinhos aqui?”, diz.

“Procurei a unidade de Petrolina da Embrapa para saber sobre a viabilidade disso. Recebi toda orientação e apoio dos pesquisadores, que me mostraram que não só era possível como também já estavam sendo dados os primeiros passos deste projeto em Brejão (município próximo a Garanhuns)”, conta Leite.

A partir das primeiras análises, o empresário definiu que dedicará 3,5 hectares da Chácara Vale das Colinas para a produção de uvas, sendo que 40% será com a variedade Muscat Petit Grain e o restante dividido entre Cabernet Sauvignon e Malbec.

“Nossa maior dificuldade agora são as mudas, que não podem vir de Petrolina, por questões fitossanitárias. Temos de aguardar as que vêm de Minas ou do Sul e essa espera pode durar até um ano”, lamenta.

“Mas estou muito animado. Queremos produzir aqui um produto artesanal de altíssima qualidade”, finaliza.