Diagnóstico prevê reduzir perdas e elevar qualidade da soja brasileira

Embrapa Soja desenvolve estudo para monitorar e gerar soluções para melhorar a qualidade da soja produzida no país

Redação*

RRRufino

Análise de sementes no laboratório da Embrapa

Na safra 2014/2015, seis por cento da produção brasileira de grãos de soja teve algum tipo defeito, indicando que existe espaço para melhoria na qualidade da soja brasileira. Esse é um dos dados de um estudo inédito da Embrapa Soja, de Londrina/PR, realizado junto ao setor produtivo, que acompanhará quatro safras consecutivas de soja para gerar soluções para incrementar a qualidade do grão no Brasil.

“Esse monitoramento revela como algumas práticas de produção podem melhorar ou piorar a qualidade do grão e da semente comercializados. Conhecendo a fundo esses aspectos, podemos ajudar o Brasil a alcançar novos patamares de qualidade”, explica Irineu Lorini, pesquisador da Embrapa Soja e coordenador do estudo que acompanhará os resultados das safras brasileiras até 2017/2018.

Os primeiros dados, obtidos no monitoramento da safra 2014/2015, mostram que, da média de 6% de grãos de avariados há grãos mofados, ardidos, queimados, fermentados, imaturos, chochos, germinados e danificados por percevejo. Apesar de estar dentro da exigência legal brasileira, cuja determinação é para que o armazenador tolere até 8%, há regiões que apresentaram amostras de até 30% de grãos avariados. “Esses casos representam prejuízo para o produtor, porque o armazenador pode descontar o percentual que estiver avariado, já que esse material tem baixa qualidade para a indústria”, avalia o cientista da Embrapa. “Temos condições de melhorar esse índice, beneficiando tanto produtor como a indústria”, defende Lorini.

Outro aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores foi o índice de dano causado por percevejos nos grãos de soja, com índices variando entre 25 e 35% no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. “Isso indica que é preciso investir mais no Manejo Integrado de Pragas nas lavouras de soja para reduzir esse índice”, avalia Lorini. “É preciso ainda melhorar o manejo da colheita e do processamento para se obter redução nesses danos”, complementa.

Teor de proteína, óleo e clorofila nos grãos

Com relação ao teor de proteínas da soja, cuja média nacional foi 36,18%, houve grande variação entre as microrregiões de cada estado, com amostras entre 30 e 41% de teor de proteína no grão. 

Quanto mais alto o teor de proteínas nos grãos, tanto melhor será para a produção de farelos com teores de proteína mínimos exigidos pela legislação, atingindo-se até o ideal para a produção do farelo com alto teor de proteína (farelo HIPRO que contém 48% de proteínas e máximo de 2,0% de gordura). 

Soja recém-germinada em laboratório da Embrapa

Soja recém-germinada em laboratório 

No indicador referente ao teor de óleo, a média nacional foi em torno de 22%, não se observou grande variação entre as microrregiões dos estados e nem entre os estados. “Esse valor é considerado muito bom pelas indústrias esmagadoras de grãos e produtoras dos diferentes tipos de óleo de soja comercializado”, explica Mandarino.

Já o índice de acidez do óleo médio registrado no Brasil foi de 2,24%. O Estado estado de Goiás apresentou médias superiores a 4% nos grãos, o que é bem superior ao 0,7% que a indústria preconiza para o índice ótimo de acidez no óleo do grão de soja, e Santa Catarina apresentou os menores índices de acidez, com média de 1,06%, bastante próximos do ótimo preconizado pela indústria.

Pesquisadores da Embrapa também avaliaram a presença de clorofila nas amostras. A clorofila é o pigmento responsável por captar a luz e garantir que a planta produza energia, via fotossíntese. O problema é que a presença de clorofila nos grãos colhidos está associada aos grãos verdes, o que é indesejável. “Esses grãos verdes acarretarão prejuízos para a indústria de extração de óleo, devido ao maior gasto para efetuar o clareamento do óleo”, explica Oliveira. 

Raio X da semente de soja

Na safra de 2014/2015, o Brasil produziu 2,3 milhões de toneladas de sementes de soja, o que representa 63% de todas as sementes utilizadas no País, de acordo com a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem). “Por estarmos em uma região de clima tropical, a produção de sementes de qualidade só é possível, mediante a adoção de técnicas especiais”, explica o pesquisador José de Barros França Neto, da Embrapa Soja.

Do ponto de vista sanitário, a qualidade da semente foi muito boa, na safra 2014/2015. “Houve casos bastante pontuais com problema de infecção de fungos ou presença de bactérias”, explica o pesquisador Ademir Assis Henning, da Embrapa Soja. O patógeno de maior ocorrência foi o fungo Cercospora kikuchii, que causa a mancha púrpura da semente e que pode ocasionar as chamadas doenças de final de ciclo (DFCs). “Na semente, este fungo não causa problemas e é facilmente controlado pelos fungicidas usados no tratamento de sementes”, diz Henning.

Redução de danos mecânicos

Os danos mecânicos, provocados especialmente durante a colheita, foram considerados expressivos pelos pesquisadores. Os mais altos índices de danos desse tipo foram constatados no Rio Grande do Sul (10,1%), Minas Gerais (8,3%), Paraná (7,9%) e Goiás (7,5%). Os demais estados apresentaram valores um pouco abaixo da média brasileira (6,8%). “A principal fonte de ocorrência de danos mecânicos é a operação de trilha, durante a colheita”, afirma o pesquisador Francisco Carlos Krzyzanowski. “Dessa forma, é de extrema importância e prioridade que os produtores de sementes de soja invistam em treinamentos intensivos, visando à redução da ocorrência desse tipo de problema durante a colheita”, ressalta.

O dano causado pela deterioração por umidade foi o segundo mais importante parâmetro que afetou a qualidade da semente de soja brasileira. Na média, os estados que apresentaram os maiores índices desse problema foram Goiás (4,3%), Santa Catarina (4,0%) e Mato Grosso do Sul (3,7%). “Elevados índices de deterioração por umidade estão relacionados ao atraso do início de colheita ou ao retardamento do início de secagem”, explica o pesquisador José de Barros França Neto.

Vigor e pureza varietal

O vigor é o atributo de qualidade da semente que melhor expressa o desempenho da planta. Quanto ao vigor de sementes, o índice médio brasileiro da semente brasileira foi de 77,6%, o que é considerado um alto vigor, explica França. Os maiores índices foram observados para as sementes amostradas em São Paulo, Mato Grosso e Bahia, com valores de 82,9%, 82,4% e 85,6%, respectivamente. Os menores para os estados de Goiás (70,6%), Minas Gerais (74,1%) e Rio Grande do Sul (74,9%). Os demais, Santa Catarina (78,8%), Paraná (78,2%) e Mato Grosso do Sul (77,7%), apresentaram níveis de vigor próximos da média nacional.

No Brasil, o controle da identidade genética das cultivares comercializadas é garantido por meio de vistorias realizadas a campo. Dessa maneira, quanto maior a pureza genética, maior a garantia do desempenho adequado da cultura.  Os dados revelaram os seguintes índices de misturas por estado:  RS (1%), PR (1,2%), SP (14,3%), MG (11%) e BA (12%) de misturas. “Esses dados servem de alerta para a necessidade de atenção nas vistorias a campo”, avalia Fernando Henning.

O resultado completo do estudo da safra 2014/2015 está na publicação Documentos 378: Qualidade de Sementes e Grãos Comerciais de Soja no Brasil – safra 2014/2015. A equipe de pesquisa espera publicar os dados sobre a safra 2015/2016 no segundo semestre deste ano.

* com informações da Embrapa Soja.

Fotos: RRRufino/Embrapa.

CTNBio aprova a primeira cana geneticamente modificada do mundo

A nova variedade, desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), é resistente à broca, a principal praga que afeta as lavouras no Brasil, gerando perdas que chegam a R$ 5 bilhões por ano

Assunto: Colheita mecanizada de cana Local: Serrana - SP Data: 07/2006 Autor: Delfim Martins

Foto: Delfim Martins/Pulsar Imagens

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou em 09 de junho a variedade de cana-de-açúcar CTC 20 Bt, que tem como característica a resistência à broca da cana (Diatraea saccharalis), principal praga que ameaça a cultura e que, de acordo com estimativas, causa R$ 5 bilhões em perdas anuais, considerando as perdas de produtividade agrícola e industrial, qualidade do açúcar e custos com inseticidas. O gene Bt (sigla para Bacillus thuringiensis) é amplamente utilizado na agricultura há mais de 20 anos, nos principais países produtores do mundo, incluindo o Brasil, em culturas como soja, milho e algodão.

Segundo os técnicos do CTC, a nova variedade poderá ser cultivada em toda a região Centro-Sul do Brasil, em solos de alta (ambientes A e B) a média fertilidade (ambiente C), sob a seguinte recomendação: em regiões onde o regime hídrico é mais restrito, a cana GM deve ser cultivada somente em áreas de vinhaça ou irrigação por água, mesmo em ambientes A e B, lembrando que, nas áreas de vinhaça, o ataque da broca costuma ser maior. “Esta recomendação também vale para ambiente C, sob qualquer regime hídrico”, complementa o CTC. 

“A aprovação da Cana Bt por parte da CTNBio é uma grande conquista do CTC e do setor sucroenergético nacional. Nos próximos anos, planejamos expandir o portfólio de variedades resistentes à broca, adaptadas a cada uma das regiões produtoras do Brasil. Além disso, o CTC também planeja desenvolver variedades resistentes a outros insetos, bem como tolerantes a herbicidas”, afirma, em nota, Gustavo Leite, presidente do CTC. O executivo explica ainda que, com a Cana Bt, “além dos ganhos econômicos, o produtor poderá simplificar a logística e melhorar a gestão ambiental de suas operações”.

Açúcar e etanol idênticos aos da cana convencional

Segundo Leite, um extenso dossiê cientifico contendo estudos e informações técnicas da cana geneticamente modificada (GM), usando padrões aceitos internacionalmente, foi submetido à CTNBio no final de 2015, para análise de riscos à saúde e ao meio ambiente. Estudos de processo provaram que o açúcar e o etanol obtidos a partir da nova variedade são idênticos aos produtos derivados da cana convencional.

Estudos adicionais mostraram que tanto o gene Bt como a proteína inserida são completamente eliminados nos derivados de cana-de-açúcar durante o processo de fabricação. Além disso, estudos ambientais não constataram quaisquer efeitos negativos relacionados à composição do solo, à biodegradabilidade da cana GM ou às populações de insetos, exceto às pragas alvo (principalmente a broca).

Após a aprovação final e o registro da CTC 20 Bt, o CTC irá trabalhar junto aos produtores, iniciando o processo de distribuição de mudas da nova variedade, e o monitoramento de seu plantio, explica o presidente do Centro. Segundo Leite, “o processo de propagação é similar ao de introdução de uma variedade convencional, com a cana dos primeiros anos sendo usada para expansão da área plantada e não para a produção de açúcar e etanol. Este processo está alinhado com o cronograma de obtenção das aprovações internacionais do açúcar produzido a partir da cana GM”, afirma.

Olhos da Mata Atlântica é o novo livro apoiado pela FMC

Obra sobre a mata atlântica é lançada no Dia do Meio Ambiente, pela empresa de defensivos, que já homenageou outros biomas

Lagamar

Uma da fotos do livro traz o guará (Eudocimus ruber), uma das aves da nossa mata atlântica que pode ser avistado no litoral sul de SP. 

Pensando em promover as belezas naturais que representam a diversidade da flora brasileira, a FMC Agricultural Solutions e o Ministério da Cultura lançam, em 5 de junho, nas comemorações do Dia do Meio Ambiente, o livro Olhos da Mata Atlântica. A obra reproduz a região Sudeste desse bioma, que em sua totalidade ocupa uma área de 1.110.182 Km² e corresponde a 13% do território nacional. 

“A data tem como objetivo chamar a atenção da população das belezas naturais e situação ambientais deste bioma para ampliarmos o conhecimento e a importância da preservação dos recursos naturais”, afirma, em nota, a FMC.

Para fazer as fotos que ilustram o livro, o fotógrafo Tiago Lima Marcelino, com ajuda do biólogo José Ataliba, percorreu os principais parques estaduais de São Paulo e Rio de Janeiro entre novembro de 2016 e janeiro deste ano. Segundo a empresa, o trajeto foi escolhido para ressaltar os principais ecossistemas que o bioma apresenta: Mangues e Restingas (Vale do Ribeira-SP e Itatiaia-RJ), Floresta Ombrófila Densa (Serra do Mar-SP), Floresta Ombrófila Mista (Campos do Jordão-SP) e Floresta Estacional Semidecidual (Porto Ferreira-SP).

“Durante nossa expedição, capturamos o máximo de imagens que pudessem expressar a grandeza e diversidade da nossa querida e ameaçada mata atlântica. Concentramos nossos olhares na região sudeste do País para conhecermos os diversos ecossistemas presentes nesse bioma. Variações de latitude e altitude em sua extensão determinavam diferentes fisionomias. Dunas, manguezais, restingas, florestas estacionais e ombrófilas em uma experiência única de observação, contato e reflexão”, explica Marcelino. Segundo ele, no total, foram tiradas 8571 fotos e, para o livro selecionamos 285 imagens. 

Muriqui do sul

O muriqui do sul

De acordo com o Presidente da FMC América Latina, Ronaldo Pereira, cerca de 70% da população brasileira vive no território compreendido pela mata atlântica. “Estamos divulgando e ressaltando uma parte do país que está tão próxima a nós, mas que muitas vezes não paramos para apreciar. Parabenizo o Tiago e o José pela sensibilidade em realizar esse projeto. A FMC se orgulha de apoiar um trabalho que enaltece uma das florestas mais ricas em biodiversidade do planeta”, diz Pereira.

O título é parte integrante do projeto “Publicação de Livros Fotográficos – Pantanal, Mata Atlântica e Pampas”, do Pronac, nº 1410573 –- aprovado na Lei Nacional de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura. Sua distribuição é gratuita e está sendo direcionada a bibliotecas públicas e centros de cultura.

A versão eletrônica do livro está disponível para apreciação e download no link: https://www.fmcagricola.com.br/coletaneafmc.aspx