Sucessão preocupa o agronegócio

Desafio é maior em empresas familiares e entidades

lide_2017O processo de sucessão, especialmente em empresas familiares e nas entidades, preocupa o agronegócio. Esta foi a principal mensagem transmitida por acadêmicos, dirigentes, executivos, autoridades, entre outros especialistas ligados ao setor, durante o Fórum Nacional de Agronegócios, realizado no último sábado (30) em Campinas (SP).

Segundo o professor da FGV, Fábio Mizumoto, não existe receita de bolo para um bom plano sucessório, mas identificar o perfil dos possíveis sucessores, bem como preparar o escolhido a respeito do negócio são medidas fundamentais. “Existem casos, por exemplo, em que um dos herdeiros não quer tocar o negócio. Neste caso, o mais recomendável é deixá-lo como sócio, sem envolvimento no dia a dia da atividade”, disse Mizumoto. “É preciso deixar claro os critérios relacionados a competências e cargos de cada um dos integrantes da família dentro da organização e também intensificar os esclarecimentos sobre o que é o negócio onde a família está atuando.”

Para o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, discutir a sucessão no agronegócio é tema da maior importância. “As profundas mudanças tecnológicas e também de gestão do agronegócio exigem uma renovação total tanto das empresas, quanto dos empresários que atuam na área e até das entidades representativas”, ressaltou.

De acordo com os presidentes da Aprosoja Brasil e da Abrapa, Marcos de Rosa e Arlindo Moura, respectivamente, o desafio nas entidades é limitar o tempo de mandato para que não se criem ditaduras setoriais e as associações possam sempre ter no seu comando dirigentes atualizados com o que acontece no mercado.

Fazendas digitais custam menos e valem mais

Internet das Coisas (Iot) revoluciona a tomada de decisão no agronegócio, diz especialista 

stock_exchangeA digitalização das propriedades rurais torna os processos de tomada de decisão muito mais rápidos e eficientes, do plantio à comercialização, gerando ao menos 10% de ganhos de produtividade, segundo dados da Bain & Company, ao mesmo tempo em que reduz custos no uso de insumos na comparação com os registros anteriores à implantação dos sistemas digitais.

É com base neste diagnóstico que a AgrusData, agtech  especializada na implantação de sistemas inteligentes de Internet das Coisas (Iot) para o agronegócio, vem trabalhando com o conceito de que fazendas digitais custam menos e valem mais.

Herlon Oliveira, CEO da AgrusData, explica que o processo de digitalização de uma fazenda envolve a instalação de sensores para coleta de dados no solo, maquinários e silos, por exemplo. Estas informações são transferidas instantaneamente para um banco de dados em nuvem, onde serão processadas e transformadas por um software em recomendações específicas e precisas, que serão encaminhadas em tempo real para o agricultor ou gestor da fazenda.

“Uma única tela apresentará de modo claro e objetivo as informações mais relevantes e exatas sobre clima, solo, plantas, capacidade de armazenagem para a melhor tomada de decisão”, destaca Herlon, que acrescenta: “o agricultor saberá assim o quanto de insumo tem que aplicar, em qual talhão e horário; ou ainda se é o momento de acelerar ou parar a colheita; ligar ou interromper um sistema de irrigação; bem como se o silo está cheio e é preciso reorganizar o fluxo de caminhões para retirada da safra”.

Retorno sobre investimento

Segundo Herlon, a transformação de uma fazenda offline em uma operação moderna e digital é um avanço viável para propriedades dos mais variados portes e segmentos.

Para uma fazenda considerada de grande porte – superior a 10 mil hectares – o retorno de investimento ocorre em até 12 meses. Por sua vez, para propriedades de médio e pequeno porte, o ROI acontece entre 18 a 24, e 36 meses, respectivamente. “No caso dos pequenos produtores, eles podem contratar em grupo a infraestrutura de digitalização. Isso é perfeitamente factível”, ressalta Herlon que também é vice-presidente da Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc).

Conectividade 

No tocante ao gargalo de telecomunicações no campo, Herlon revela que tecnologias de Wi-Fi de longo alcance, chamadas de LPWAN, já estão disponíveis aos agricultores brasileiros, resolvendo, e bem, o problema de conectividade.

Além dos benefícios de redução de custos e ganhos de produtividade, devido ao aumento de eficiência operacional, Herlon acentua, ainda, que a fazenda digital passa a valer mais justamente por proporcionar controle e organização total das etapas de produção e do ambiente de uma maneira geral. “A digitalização da propriedade contribui para adequação fundiária e ambiental do imóvel, bem como facilita a gestão da atividade, o que na prática se configura na valorização do negócio. É uma espécie de certificação.” Cálculos da AgrusData indicam que, com a digitalização, o ganho de patrimônio pode chegar a 3% após 36 meses.

Ex-ministro Paolinelli critica falta de recursos para pesquisa agrícola

Segundo chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, parceria com o setor produtivo é fundamental para dar alívio ao caixa do governo  

Abisolo_ronaldoO ex-ministro da Agricultura e atual presidente da Abramilho, Alysson Paolinelli, criticou nesta quinta-feira (06), em evento em Campinas (SP), a diminuição de recursos para pesquisa agrícola no País. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), do qual a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é vinculada foi um dos mais atingidos pelo corte do orçamento feito pelo governo federal.

Segundo Paolinelli, o investimento em pesquisa agrícola é fundamental para manutenção da vanguarda tecnológica da agricultura brasileira. “A pesquisa em agricultura tropical é a arma mais potente que temos de competitividade. Temos que definir prioridades e a pesquisa é uma delas”, disse, durante o Fórum da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo). “Vamos pagar caro por isso. Cortar dinheiro para pesquisa é a economia mais porca que um país pode fazer”, acentuou Paolinelli.

Também presente ao evento, o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Augusto Boechat Morandi, afirmou que ao longo dos anos a empresa foi “engolida pela burocracia estatal”. Morandi fez questão de ressaltar que o atual presidente da Embrapa, Maurício Lopes, vem garimpando novas oportunidades de financiamento, como, por exemplo, o estabelecimento de parcerias com o setor produtivo.

“Em Jaguariúna, sede da Embrapa Meio Ambiente, 30% do nosso orçamento é fruto de convênios com a iniciativa privada”, revelou Morandi, acrescentando que “é preciso flexibilizar as regras para que este tipo de aliança avance cada vez mais, e assim dê alívio para o caixa do governo”.