Agro ganha novo site de comércio eletrônico

Plataforma é focada em conectar fornecedores e compradores de produtos agropecuários, especificamente alimentos

agroplace.netFoi lançado nesta semana, em São Paulo (SP), o AgroPlace.net, um novo site dedicado ao comércio eletrônico no agronegócio. A plataforma é focada em conectar fornecedores e compradores de produtos agropecuários, especificamente alimentos.

“O projeto foi concebido pensando na necessidade de aproximação e redução de custos de marketing e logística de produtores e pontos de venda de todo o mundo”, afirma Luis Anderson, CEO do AgroPlace e idealizador da iniciativa.

Executivo brasileiro, com experiência internacional nas áreas de tecnologia da informação, publicidade, cinema e televisão, Anderson conta que a ideia do AgroPlace nasceu de uma conversa que teve com um amigo pecuarista.

“Ele me disse que aplicativos para cotações existem aos montes, mas que uma plataforma – não apenas de commodities – em que ele pudesse ofertar o produto dele e um interessado de qualquer parte do mundo pudesse comprar não existia, e me indagou: Luis, você que mora na Europa, se souber de algo assim me fala. Então, eu fui pesquisar, não encontrei nada, e daí em diante a coisa ganhou vida.”

Segundo Anderson, a expectativa é que a plataforma alcance um faturamento em torno de US$ 400 milhões nos próximos dois anos. Até o momento, o AgroPlace já tem cerca de 700 usuários registrados em 14 países. O site cobra do vendedor 1% de taxa de corretagem sobre o valor da transação realizada.

Intensidade do El Niño é a maior desde 1997, diz brasileiro pesquisador da Nasa

Fenômeno climático tem forte impacto no regime de chuvas, o que coloca em alerta os produtores rurais de todo o País

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A intensidade do fenômeno climático El Niño é a maior desde 1997, revelou o brasileiro Ivair Gontijo, engenheiro de sistemas do laboratório de propulsão a jato da Nasa (JPL/Nasa), durante palestra no Summit Agronegócio Brasil 2015, realizado na semana passada [quinta-feira, 26], em São Paulo (SP). “A continuar desta forma, poderemos ter ainda mais chuvas nas regiões Sul e Sudeste, como temos observado”, disse.

Basicamente, o El Niño se caracteriza pelo aquecimento – ainda inexplicável, argumenta a comunidade científica internacional – das águas da costa oeste da América do Sul.

O fenômeno provoca aumento da precipitação no Sul do Brasil, bem como no sul da região Sudeste. Além disso, também acarreta em déficit de chuvas no semiárido do Nordeste e um leve aumento de temperatura no Sudeste. Pelo seu impacto significativo no regime de chuvas, observar as oscilações geradas pelo El Niño se tornou questão-chave para a agropecuária brasileira.

Ao alicerçar sua apresentação na temática das mudanças climáticas, Gontijo ressaltou, também, que antevê o surgimento de oportunidades de negócios para quem investir em tecnologias e processos que sequestrem carbono da atmosfera sem reemiti-los. “O mundo poderá sim pagar por isso”, acentuou, acrescentando que “a atividade agropecuária pode não só reduzir a emissão de CO2, bem como reverter este processo”.

O pesquisador mostrou, ainda, tecnologias espaciais que podem servir de base para serem utilizadas em processos e técnicas de agricultura de precisão. Entre as aplicações, Gontijo citou soluções que podem dar maior precisão no acompanhamento da evolução dos plantios, melhor exatidão nas previsões de seca e/ou chuvas, identificação de umidade e nutrientes no solo, entre outras.

É o que já fez, por exemplo, em nível experimental, a Embrapa em São Carlos. A partir da tecnologia empregada no Curiosity, veículo da Nasa que explora a superfície de Marte, a unidade desenvolveu um jipe-robô, que por meio da emissão de raio laser faz a análise química completa de qualquer amostra de solo ou cultura.

GVAgro prepara proposta de modernização da política agrícola

Documento está sendo elaborado pelo ex-ministro Luís Carlos Guedes Pinto e deverá ser entregue ao ministério da Agricultura até março de 2016

Marcos Santos/Agência USP

Seguro de renda é uma das áreas que o agro precisa desenvolver

O Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (GVAgro) está preparando um documento, que será entregue ao Ministério da Agricultura, com um amplo plano de modernização da política agrícola do País, com foco na proteção da renda do produtor rural.

Foi o que revelou o coordenador do GVAgro, o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, durante o seminário “Ajustes no Agro Brasileiro para maior Inserção Global”, promovido pelo PENSA/USP (Centro de Conhecimento em Agronegócios da Universidade de São Paulo), na sexta-feira (13), em São Paulo (SP).

“O trabalho está sendo coordenado pelo ex-ministro Luís Carlos Guedes Pinto e deverá ser entregue até março de 2016”, disse Rodrigues. Guedes Pinto foi o sucessor de Rodrigues no ministério, bem como também registra passagem na vice-presidência de Agronegócios do Banco do Brasil.

Segundo Rodrigues, o agronegócio brasileiro precisa desenvolver um efetivo programa de seguro de renda. “Mas ainda estamos longe disso, até porque a área coberta por seguro contra questões climáticas é baixíssima.”

De acordo com o ex-ministro, o maior problema do agronegócio é institucional, porque os principais desafios do setor estão fora da alçada de resolução do Ministério da Agricultura. Entre eles, Rodrigues citou gargalos relativos à infraestrutura logística e de armazenagem, segurança jurídica, defesa sanitária, pesquisa & desenvolvimento, política comercial externa, capacitação profissional, formação de líderes, etc.. Para o ex-ministro, falta uma estratégia de Estado para o agronegócio, que envolva os poderes executivo, legislativo e judiciário. “Não é uma coisa de governo, tem que ser de Estado.”

Em sua fala, Rodrigues reiterou o chamado da OCDE para que o Brasil aumente sua produção agropecuária em 40% nos próximos dez anos, a fim de se posicionar como protagonista na oferta mundial de alimentos. “A segurança alimentar é a única chance de paz no mundo, e ser campeão da segurança alimentar é ser o campeão mundial da paz.”