Logística reversa do óleo de cozinha

Conheça os impactos do descarte incorreto deste material e o que fazer depois de usá-lo em casa

Cooperativa óleo de soja_Campo Mourão_Ernesto ReghranVocê certamente já assistiu a reportagens de TV mostrando a imensa mancha de óleo no oceano causada por algum navio cargueiro e deve ter pensado – “Nossa, quanta irresponsabilidade de uma empresa deixar que este tipo de coisa aconteça” – certo? Agora, me responda rápido: quando faz fritura em casa, como descarta o óleo? Se a sua resposta foi “jogo na pia da cozinha”, saiba que a sua atitude em nada se diferencia à da empresa que causou o desastre natural.

De acordo com a Oil World, o Brasil produz cerca de 9 bilhões de litros de óleos vegetais por ano, dos quais 1/3 corresponde aos óleos comestíveis. Segundo a entidade, o consumo per capita gira em torno de 20 litros/ano e mais de 200 milhões de litros de óleos usados por mês vai para rios e lagos. O impacto ambiental disso é grande. Para se ter uma ideia, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) estima que um litro de óleo de cozinha pode contaminar até 25 mil litros de água.

Mas, apesar do prejuízo, o problema tem solução. Em âmbito estadual, por exemplo, São Paulo, por meio da Secretaria de Meio Ambiente junto à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) e a empresas de produção e processamento de óleo (Bunge, Cargill, ADM, LDC e Imcopa) firmaram um termo de compromisso relativo à logística reversa do óleo de cozinha, sob a coordenação da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). “As ações da plataforma “Óleo Sustentável” tiveram início em 2012 e são direcionadas a pessoas que consomem e que têm a função de gestoras do lar. O trabalho envolve a orientação de como coletar, armazenar e entregar nos postos corretamente”, explica Cindy Moreira, gerente de sustentabilidade da Abiove.

“A nossa maior dificuldade, certamente, é a conscientização sobre este descarte porque não adianta nada uma cadeia estar inteiramente preparada para receber e fazer a destinação certa deste material, se em casa, o consumidor joga esse óleo no ralo”, completa Cindy.

Paralelo ao programa oficial de São Paulo, empresas do setor têm seus projetos relacionados à questão. É o caso, por exemplo, da Cargill. “O Ação Renove Meio Ambiente iniciou suas primeiras coletas em janeiro de 2011. Sob o patrocínio da Liza, o trabalho engloba ações de sustentabilidade da marca, com o objetivo de reduzir impacto de produção, agir no pós-consumo e na reciclagem do óleo e de sua embalagem”, conta Márcio Barela, coordenador de sustentabilidade da Cargill.

Até o momento, o programa contabiliza 787 pontos de coleta em oito estados brasileiros (RS, SC, PR, MG, SP, RJ, GO, MS). Em 2017, foram coletados 530 mil litros de óleo de cozinha. De acordo com a empresa, ele deve se estender também para as regiões Norte e Nordeste. “Mas mais do que ampliar o número de postos de coletas, o que queremos é qualificar melhor cada um deles, melhorando suas performances. E isso só se dá por meio da conscientização e da educação das pessoas”, acredita Barela.

“Por isso, nosso trabalho é constante. Além da divulgação do Óleo Sustentável e do Ação Renove, o projeto direcionado a ONGs e escolas tem se mostrado bastante importante porque desenvolve a educação ambiental das próximas gerações”, diz.

Formação

É o caso da Escola Municipal Professor Márcio de Camargo, no bairro de Recanto dos Eucaliptos, em Mairinque/SP. “Já participávamos do “Fura-Bolo” e do de “grão em grão” (ligados ao logística reversa óleo_divulgação cargillestímulo à leitura e à transmissão de conceitos da agricultura familiar e alimento seguro, respectivamente) há mais ou menos cinco anos e no ano passado, resolvemos entrar para o de coleta de óleo de cozinha”, conta Márcia Eugênia da Silva César, diretora da escola.

“A receptividade dos alunos foi muito boa. Todos, na verdade, abraçaram a causa – pais, funcionários etc. O envolvimento foi tamanho que alunos se mobilizaram para recolher óleo usado também nos arredores da escola, em casas, supermercados e restaurantes”, disse Márcia.

“Se a gente reciclar, o Brasil será mais limpo e organizado. Estamos fazendo nossa parte para um mundo melhor. Em um mês, conseguimos encher um tambor com 200 litros de óleo coletado na vizinhança”, anima-se Poliana da Cruz Madeira, aluna do 6º ano do Fundamental, da Márcio de Camargo, em Mairinque.

“É interativo porque envolve a todos. Além de ajudarmos o município, estamos ajudando também o meio ambiente”, diz Gabriel Vinícius dos Anjos, também do 6º ano do Fundamental, da mesma escola.

Nem no ralo, nem no lixo

O descarte incorreto do óleo de cozinha não só de residências, como também de lanchonetes e restaurantes, por exemplo, gera algumas consequências. Por ter densidade inferior à água, uma vez em contato com oceanos ou rios, posiciona-se sobre a água, formando uma película que prejudica a entrada de luz e oxigênio, o que provoca por sua vez, a mortandade de peixes e de outros seres vivos.

Além disso, este tipo de descarte pode provocar também alagamento nas casas e nas ruas. Isto porque durante o seu trajeto na tubulação, o óleo acaba aderindo às paredes e retendo partículas sólidas, o que causa obstrução da passagem de água.

Uma vez descartado no lixo comum, é importante saber que o óleo de cozinha também tem a capacidade de formar uma camada impermeável no solo, impedindo, dessa maneira, que a água da chuva consiga se infiltrar, aumentando o risco de enchentes. E, em processo de decomposição, forma gás metano, que junto ao gás carbônico contribui para o aquecimento global.

O óleo reaproveitado pode ser utilizado na produção de resina para tintas, sabão, detergente, glicerina, ração para animais e até biodiesel.

Para saber como descartar e ter acesso aos pontos de coleta de óleo de cozinha em todo o País, acesse o site do Óleo Sustentável.

Mesmo com queda de exportações em 2017, ABPA enxerga boas perspectivas para o setor produtivo para o próximo ano

Aumento de produção, retomada e conquista de mercados estão no horizonte da entidade em 2018

Ao microfone, Francisco Turra, presidente da ABPA

Ao microfone, Francisco Turra, presidente da ABPA

Depois de viver a pior crise de imagem, causada pela Operação Carne Fraca, deflagrada em março deste ano, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) contabiliza os prejuízos e traça boas perspectivas para o setor produtivo no próximo ano. “Dos 77 países que impuseram algum veto à carne brasileira, apenas três mantém o bloqueio (Santa Lúcia, Trinidad e Tobago e o Zimbábue). Internamente, o problema foi resolvido com mais facilidade e retomamos o consumo, mas lá fora foi mais difícil e até hoje sofremos consequências”, disse Francisco Turra, presidente da ABPA, em coletiva de imprensa, realizada nesta quarta-feira (13), em São Paulo. “Só nos três primeiros meses após a Carne Fraca, deixamos de exportar 150 mil toneladas de carne. Isto ainda não foi recuperado”, completou.

Apesar disso, Turra enfatizou a retomada de mercados pelo Brasil e questões como a estabilidade do câmbio, a disponibilidade de milho e soja com bons preços e o aumento do consumo interno, que vinha caindo nos últimos dois anos. “Esta boa oferta de insumos e também os preços devem se manter em 2018. Não acreditamos em maior importação de milho, além dos núcleos onde isso se faz necessário, por questões logísticas”, disse Ariel Antônio Mendes, diretor de relações institucionais da ABPA.

Frango

De acordo com a ABPA, a produção brasileira de frango deverá fechar o ano em 13,056 milhões de toneladas, volume que supera em 1,2% 2016. A entidade prevê um crescimento de 2% a 4% para o próximo ano. As exportações totalizaram 4,320 milhões de toneladas (-1,2%), com uma receita de US$ 7,2 bilhões, valor 6% superior ao ano anterior. Para 2018, a expectativa é de que haja elevação de 1% a 3% em volume.

“Levando em consideração o aumento do consumo interno e as consequências da Operação Carne Fraca, não consideramos o resultado ruim. Não podemos nos esquecer de questões pontuais como a queda na importação pela China devido à maior oferta de carne suína, proteína mais consumida neste país. Não perdemos muito, mas deixamos de ganhar. Se não fosse a crise por que passamos, certamente estaríamos comemorando resultados bem mais expressivos”, disse Ricardo Santin, vice-presidente e diretor de mercados, da ABPA.

Suíno

A produção de suíno no País deve totalizar 3,758 milhões de toneladas, volume 0,5% superior ao produzido no ano passado. A ABPA acredita que em 2018, este volume seja superado de 2% a 3%. Foram exportadas 693 mil toneladas, queda de 5,4% em relação a 2016, mas com uma receita 9,5% superior, de US$ 1,624 bilhão. A perspectiva para o próximo ano é de o volume cresça de 4% a 5% em volume.

Ovos

O Brasil deve fechar 2018 com uma produção de ovos de 39,9 bilhões de unidades. O número é 1,8% superior ao obtido no ano passado. Para ABPA, a produção em 2018 deverá ser de 5% a 6% maior. Foram exportadas 5,834 mil toneladas (queda de 44%), com uma receita de US$ 8,1 milhões, retração de 42,5% na receita em relação a 2016.

Consumo interno

Segundo a ABPA, houve aumento do consumo interno. “Isso é devido à reação da economia a partir do segundo semestre deste ano”, disse Turra. O consumo per capita de frango ficou em 42 Kg/ano (+1,8%); o de carne suína foi de 14,7 Kg/ano (+1,7%) e o de ovos foi de 192 unidades/ano (+0,8%).

 

Brasil deve processar 43 milhões de toneladas de soja em 2018

Estimativa de recorde é da Abiove, que enxerga no B10 um estímulo à produção de biodiesel

Da esquerda para direita - Daniel Furlan Amaral, gerente de Economia da Abiove e Fábio Trigueirinho, presidente da Abiove

Daniel Furlan Amaral (à esq.), gerente de Economia, e Fábio Trigueirinho, presidente da Abiove

“Este foi um ano de recordes de produção. Foram quase 105 milhões de toneladas de soja, com ganhos expressivos de produtividade (cerca de 3,38 toneladas/hectare). Isso se deveu muito ao clima favorável do início do ano. Em relação às exportações, fechamos também com recorde (US$ 31,5 bilhões)”. Foi em tom positivo e também de boas perspectivas para o próximo ano que Fábio Trigueirinho, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), fez um balanço sobre o setor em 2017.

A entidade estima que para 2018, a produção da oleaginosa atinja cerca de 109,5 milhões de toneladas. Além disso, o processamento deve atingir 43 milhões de toneladas, por conta da demanda de óleo de soja para produção de biodiesel, cujo percentual adicionado ao diesel fóssil aumentará de 8 para 10% a partir de março (B10). As exportações e os preços devem se manter estáveis.

Lei Kandir

Uma questão levantada por Trigueirinho, durante evento de balanço do ano nesta 3a feira (12) em São Paulo, foi a proposta de emenda constitucional pelo Senado Federal (PEC 37/2007) de revogar a Lei Kandir, de 1996, que isenta de ICMS produtos primários e semielaborados, além de serviços, destinados à exportação.

“Tributar as transações interestaduais vai fazer com que o Brasil perca competitividade”, afirmou o presidente da Abiove, para quem a Lei Kandir precisa ser aperfeiçoada. “Sugerimos que a taxação [da transferência de matérias-primas entre os Estados], que é de 12%, passe a ser 4%. De qualquer forma, não acreditamos que esta emenda seja aprovada, já que para isso seria necessário o voto favorável de 308 deputados”, completou.

China

Para atender às demandas chinesas nos próximos anos, a Abiove acredita que o Brasil deveria focar na criação de um mecanismo de interlocução do agronegócio, que envolvesse o Governo Federal, as instituições e o setor privado. “A China é um país com questões políticas muito fortes. Precisa haver essa organização integrada da nossa parte”, disse Trigueirinho.

Outro ponto abordado pelo presidente da entidade foi a criação de uma cota mínima de importação de farelo de soja pela China. “A gente não consegue vender farelo para eles. Precisamos agregar valor às exportações chinesas”, disse.