Projeto Horta Escola estimula microempreendedorismo

Realizado em São José dos Campos, interior de São Paulo, programa é direcionado a população em vulnerabilidade social

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“Fiquei sabendo pela minha filha. Achei ótimo o curso, aprendi muita coisa – a fazer composto orgânico, em como cuidar da horta. Vendemos o que colhemos na feirinha a cada 15 dias e isso tem me ajudado bastante. E vai melhorar ainda mais quando a gente começar a fornecer para restaurantes”. O depoimento animador é de Joseli dos Santos Rodrigues, 53 anos, mãe de quatro filhos e catadora de material para reciclagem há dez anos.

Assim como ela, cerca de 20 famílias em São José dos Campos/SP, em situação de vulnerabilidade social, participam do Projeto Horta Escola, realizado pela ONG Instituto Alpha Lumen (IAL), com apoio de empresas da região.IMG_20170614_155816031 “Trabalhamos com projetos de impacto social e ambiental. Atuamos sob dois eixos – divulgar conhecimento e apoiar soluções criativas”, explica Nuricel Villalonga, fundadora do Instituto. “O que queremos com o Horta Escola é que estas pessoas se tornem microempreendedoras urbanas; que tenham mais recursos para melhorar a qualidade de vida”, completa.

Para isso, o projeto atua na capacitação dos interessados. No curso, que tem duração de seis meses, os participantes aprendem como fazer uma horta, técnicas de manejo e de plantio, além de aulas de educação financeira e também de marketing, para a venda dos produtos. Por conta do valor de mercado, hortaliças e condimentos têm sido priorizados. “Contamos com um grupo de profissionais e de voluntários, que vão de agrônomos, biólogos, administradores e de marketing, que fazem o programa ser uma realidade”, conta Nuricel.

Boa parte do que é produzido no Programa é dividido entre escolas e creches municipais próximas. E o restante é comercializado pelos participantes.

“O que queremos é transformar a realidade destas pessoas e usar a horta como um instrumento para estimularmos o microempreendedorismo” diz Silvia Kato, agrônoma e consultora técnica do curso. “Este curso me trouxe muito conhecimento. Está muito bem estruturado porque não nos ensina só a fazer a horta, mas como mantê-la. As aulas de marketing também foram muito interessantes”, conta Alice Ingrid Rodrigues Martins, 18 anos, aluna do 1º ano do ensino médio. “Minha mãe e minha avó também fizeram o curso e isso foi muito legal também”, diz.

IMG_20170614_161841452“Nossa maior dificuldade hoje é encontrar terrenos para arrendar e fazer a horta. O ideal é que este trabalho seja feito em áreas ociosas, inutilizadas”, diz Nuricel. “Nosso anseio é também de que estas pessoas que estão se formando, sejam multiplicadores de conhecimento e que depois de três ou quatro turmas, o projeto caminhe sozinho com a manutenção somente da consultoria técnica”, finaliza.

 

Logística reversa do óleo de cozinha

Conheça os impactos do descarte incorreto deste material e o que fazer depois de usá-lo em casa

Cooperativa óleo de soja_Campo Mourão_Ernesto ReghranVocê certamente já assistiu a reportagens de TV mostrando a imensa mancha de óleo no oceano causada por algum navio cargueiro e deve ter pensado – “Nossa, quanta irresponsabilidade de uma empresa deixar que este tipo de coisa aconteça” – certo? Agora, me responda rápido: quando faz fritura em casa, como descarta o óleo? Se a sua resposta foi “jogo na pia da cozinha”, saiba que a sua atitude em nada se diferencia à da empresa que causou o desastre natural.

De acordo com a Oil World, o Brasil produz cerca de 9 bilhões de litros de óleos vegetais por ano, dos quais 1/3 corresponde aos óleos comestíveis. Segundo a entidade, o consumo per capita gira em torno de 20 litros/ano e mais de 200 milhões de litros de óleos usados por mês vai para rios e lagos. O impacto ambiental disso é grande. Para se ter uma ideia, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) estima que um litro de óleo de cozinha pode contaminar até 25 mil litros de água.

Mas, apesar do prejuízo, o problema tem solução. Em âmbito estadual, por exemplo, São Paulo, por meio da Secretaria de Meio Ambiente junto à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) e a empresas de produção e processamento de óleo (Bunge, Cargill, ADM, LDC e Imcopa) firmaram um termo de compromisso relativo à logística reversa do óleo de cozinha, sob a coordenação da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). “As ações da plataforma “Óleo Sustentável” tiveram início em 2012 e são direcionadas a pessoas que consomem e que têm a função de gestoras do lar. O trabalho envolve a orientação de como coletar, armazenar e entregar nos postos corretamente”, explica Cindy Moreira, gerente de sustentabilidade da Abiove.

“A nossa maior dificuldade, certamente, é a conscientização sobre este descarte porque não adianta nada uma cadeia estar inteiramente preparada para receber e fazer a destinação certa deste material, se em casa, o consumidor joga esse óleo no ralo”, completa Cindy.

Paralelo ao programa oficial de São Paulo, empresas do setor têm seus projetos relacionados à questão. É o caso, por exemplo, da Cargill. “O Ação Renove Meio Ambiente iniciou suas primeiras coletas em janeiro de 2011. Sob o patrocínio da Liza, o trabalho engloba ações de sustentabilidade da marca, com o objetivo de reduzir impacto de produção, agir no pós-consumo e na reciclagem do óleo e de sua embalagem”, conta Márcio Barela, coordenador de sustentabilidade da Cargill.

Até o momento, o programa contabiliza 787 pontos de coleta em oito estados brasileiros (RS, SC, PR, MG, SP, RJ, GO, MS). Em 2017, foram coletados 530 mil litros de óleo de cozinha. De acordo com a empresa, ele deve se estender também para as regiões Norte e Nordeste. “Mas mais do que ampliar o número de postos de coletas, o que queremos é qualificar melhor cada um deles, melhorando suas performances. E isso só se dá por meio da conscientização e da educação das pessoas”, acredita Barela.

“Por isso, nosso trabalho é constante. Além da divulgação do Óleo Sustentável e do Ação Renove, o projeto direcionado a ONGs e escolas tem se mostrado bastante importante porque desenvolve a educação ambiental das próximas gerações”, diz.

Formação

É o caso da Escola Municipal Professor Márcio de Camargo, no bairro de Recanto dos Eucaliptos, em Mairinque/SP. “Já participávamos do “Fura-Bolo” e do de “grão em grão” (ligados ao logística reversa óleo_divulgação cargillestímulo à leitura e à transmissão de conceitos da agricultura familiar e alimento seguro, respectivamente) há mais ou menos cinco anos e no ano passado, resolvemos entrar para o de coleta de óleo de cozinha”, conta Márcia Eugênia da Silva César, diretora da escola.

“A receptividade dos alunos foi muito boa. Todos, na verdade, abraçaram a causa – pais, funcionários etc. O envolvimento foi tamanho que alunos se mobilizaram para recolher óleo usado também nos arredores da escola, em casas, supermercados e restaurantes”, disse Márcia.

“Se a gente reciclar, o Brasil será mais limpo e organizado. Estamos fazendo nossa parte para um mundo melhor. Em um mês, conseguimos encher um tambor com 200 litros de óleo coletado na vizinhança”, anima-se Poliana da Cruz Madeira, aluna do 6º ano do Fundamental, da Márcio de Camargo, em Mairinque.

“É interativo porque envolve a todos. Além de ajudarmos o município, estamos ajudando também o meio ambiente”, diz Gabriel Vinícius dos Anjos, também do 6º ano do Fundamental, da mesma escola.

Nem no ralo, nem no lixo

O descarte incorreto do óleo de cozinha não só de residências, como também de lanchonetes e restaurantes, por exemplo, gera algumas consequências. Por ter densidade inferior à água, uma vez em contato com oceanos ou rios, posiciona-se sobre a água, formando uma película que prejudica a entrada de luz e oxigênio, o que provoca por sua vez, a mortandade de peixes e de outros seres vivos.

Além disso, este tipo de descarte pode provocar também alagamento nas casas e nas ruas. Isto porque durante o seu trajeto na tubulação, o óleo acaba aderindo às paredes e retendo partículas sólidas, o que causa obstrução da passagem de água.

Uma vez descartado no lixo comum, é importante saber que o óleo de cozinha também tem a capacidade de formar uma camada impermeável no solo, impedindo, dessa maneira, que a água da chuva consiga se infiltrar, aumentando o risco de enchentes. E, em processo de decomposição, forma gás metano, que junto ao gás carbônico contribui para o aquecimento global.

O óleo reaproveitado pode ser utilizado na produção de resina para tintas, sabão, detergente, glicerina, ração para animais e até biodiesel.

Para saber como descartar e ter acesso aos pontos de coleta de óleo de cozinha em todo o País, acesse o site do Óleo Sustentável.

Mesmo com queda de exportações em 2017, ABPA enxerga boas perspectivas para o setor produtivo para o próximo ano

Aumento de produção, retomada e conquista de mercados estão no horizonte da entidade em 2018

Ao microfone, Francisco Turra, presidente da ABPA

Ao microfone, Francisco Turra, presidente da ABPA

Depois de viver a pior crise de imagem, causada pela Operação Carne Fraca, deflagrada em março deste ano, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) contabiliza os prejuízos e traça boas perspectivas para o setor produtivo no próximo ano. “Dos 77 países que impuseram algum veto à carne brasileira, apenas três mantém o bloqueio (Santa Lúcia, Trinidad e Tobago e o Zimbábue). Internamente, o problema foi resolvido com mais facilidade e retomamos o consumo, mas lá fora foi mais difícil e até hoje sofremos consequências”, disse Francisco Turra, presidente da ABPA, em coletiva de imprensa, realizada nesta quarta-feira (13), em São Paulo. “Só nos três primeiros meses após a Carne Fraca, deixamos de exportar 150 mil toneladas de carne. Isto ainda não foi recuperado”, completou.

Apesar disso, Turra enfatizou a retomada de mercados pelo Brasil e questões como a estabilidade do câmbio, a disponibilidade de milho e soja com bons preços e o aumento do consumo interno, que vinha caindo nos últimos dois anos. “Esta boa oferta de insumos e também os preços devem se manter em 2018. Não acreditamos em maior importação de milho, além dos núcleos onde isso se faz necessário, por questões logísticas”, disse Ariel Antônio Mendes, diretor de relações institucionais da ABPA.

Frango

De acordo com a ABPA, a produção brasileira de frango deverá fechar o ano em 13,056 milhões de toneladas, volume que supera em 1,2% 2016. A entidade prevê um crescimento de 2% a 4% para o próximo ano. As exportações totalizaram 4,320 milhões de toneladas (-1,2%), com uma receita de US$ 7,2 bilhões, valor 6% superior ao ano anterior. Para 2018, a expectativa é de que haja elevação de 1% a 3% em volume.

“Levando em consideração o aumento do consumo interno e as consequências da Operação Carne Fraca, não consideramos o resultado ruim. Não podemos nos esquecer de questões pontuais como a queda na importação pela China devido à maior oferta de carne suína, proteína mais consumida neste país. Não perdemos muito, mas deixamos de ganhar. Se não fosse a crise por que passamos, certamente estaríamos comemorando resultados bem mais expressivos”, disse Ricardo Santin, vice-presidente e diretor de mercados, da ABPA.

Suíno

A produção de suíno no País deve totalizar 3,758 milhões de toneladas, volume 0,5% superior ao produzido no ano passado. A ABPA acredita que em 2018, este volume seja superado de 2% a 3%. Foram exportadas 693 mil toneladas, queda de 5,4% em relação a 2016, mas com uma receita 9,5% superior, de US$ 1,624 bilhão. A perspectiva para o próximo ano é de o volume cresça de 4% a 5% em volume.

Ovos

O Brasil deve fechar 2018 com uma produção de ovos de 39,9 bilhões de unidades. O número é 1,8% superior ao obtido no ano passado. Para ABPA, a produção em 2018 deverá ser de 5% a 6% maior. Foram exportadas 5,834 mil toneladas (queda de 44%), com uma receita de US$ 8,1 milhões, retração de 42,5% na receita em relação a 2016.

Consumo interno

Segundo a ABPA, houve aumento do consumo interno. “Isso é devido à reação da economia a partir do segundo semestre deste ano”, disse Turra. O consumo per capita de frango ficou em 42 Kg/ano (+1,8%); o de carne suína foi de 14,7 Kg/ano (+1,7%) e o de ovos foi de 192 unidades/ano (+0,8%).