Logística e infraestrutura no agro

Desafios e como fazer para minimizá-los sem o investimento do governo federal foram o cerne da discussão promovida pela CNA e realizada pelo Estadão, em fórum em São Paulo

debate_EstadãoPara discutir logística e infraestrutura no agronegócio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Estadão reuniu em São Paulo representantes do governo, da indústria e do transporte. O debate, dividido em duas partes, falou sobre os desafios para o escoamento da produção agropecuária e as novas fronteiras agrícolas. “Nos últimos 50 anos, o Brasil teve uma performance espetacular no agronegócio; passamos de importador para a posição de segundo maior exportador. Mas, de 2003 a 2013, nosso custo de produção quadruplicou e a logística está sufocando o desenvolvimento do setor”, disse Luiz Antônio Fayet, consultor para Logística e Infra-Estrutura da CNA. “Não é novidade nossos problemas portuários, a urgência de total reformulação das ferrovias. Nas rodovias avançamos mais, mas ainda é preciso ampliar licitações. A nossa política de navegação está subjugada com sérios problemas de segurança”, disse.

“Os investimentos federais declinaram muito. O Estado deixou de investir”, lamentou Fábio Trigueirinho, secretário executivo da Abiove. “Temos um modelo vertical da malha ferroviária direcionado à mineração; de monopólio. E monopólio não tem compromisso com nada”, disse Luis Baldez, presidente executivo da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (UNUT).

Os debatedores ressaltaram a importância de investimento da iniciativa privada na expansão de rodovias. “Precisamos ter em mente que pedágio é um negócio mas que traz benefícios principalmente num momento como este. O direito de ir e vir é pessoal, mas para ser transportado de avião, por exemplo, é preciso pagar. Assim como os serviços de água e luz, que você paga o que usa”, disse César Borges, presidente executivo da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

“O que é preciso deixar claro é que o setor produtivo não é contra o pedágio, e sim contra a bitributação. Por que temos de pagar CIDE, IPVA e impostos? Além disso, o pedágio precisa refletir os ganhos de produtividade e as condições da rodovia”, ressaltou Edeon Vaz Ferreira, diretor executivo do Movimento Pró-Logística.

De acordo com os convidados, além do potencial de crescimento dos corredores nas regiões Norte e Centro-Oeste, os problemas de logística do País poderiam ser minimizados se houvesse maior agregação de valor dos produtos agropecuários e se o governo federal enxergasse a questão como prioridade de investimentos. “Estamos reavaliando os modelos de concessão no Brasil para uma compensação de tarifas de acordo com o nível de investimento da rodovia e o serviço prestado por ela”, disse Adailton Dias, diretor de Planejamento da Empresa de Planejamento e Logística (EPL).

 

 

 

RenovaBio – regulação, certificação e distribuição

O que muda se a nova política pública para o setor sucroenergético for aplicada

Marília_Datagro“A OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) já solicita nossa participação, mas por outro lado, importamos 590 mil toneladas de derivados de petróleo em setembro. Precisamos entender melhor esse passeio logístico do Brasil”, ponderou Márcio Felix, secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, do Ministério de Minas e Energia, no painel que discutiu o RenovaBio como política de revitalização do etanol no Brasil, durante o primeiro dia da 17ª Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol, promovida pela DATAGRO, em São Paulo. “Neste sentido, o RenovaBio se apresenta como uma matriz energética de papel estratégico”, completou Felix.

“Os impactos desta nova política (RenovaBio) não são só ambientais; resolveria um problema de abastecimento no País. Nos primeiros nove meses deste ano já superamos o que foi importado em 2016, em volume. Os biocombustíveis não só vão intensificar nossa participação no Acordo do Clima como também vão agregar valor à produção agrícola”, disse Plínio Nastari, representante do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Nastari falou também sobre a expectativa dos outros países em relação ao Brasil no que diz respeito à política de energias renováveis. “Temos potencial e uma grande oportunidade. E acredito que a grande causa da falta de investimentos é que ninguém sabe direito o tamanho do mercado de biocombustíveis”, disse.

Certificação

“Os impactos esperados com o RenovaBio são maior eficiência energética, maior reconhecimento de externalidades positivas, redução dos custos de produção e sustentabilidade econômica. Esta é uma política pública que pode nos trazer tranquilidade para realizar isso”, disse Marlon Arraes, coordenador geral de Inserção de Novos Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia. “Terá maior nota, maior valor aquele que, obviamente, emitir menos CO², que tiver uma política de descarbonização efetiva”, disse.

Para contabilizar todo material que entra e sai e os impactos provocados pelo sistema, a Embrapa criou uma ferramenta, o Renovacalc. “É um instrumento simples de valoração e avaliação do ciclo de vida. Com ele, podemos ter uma visão holística”, explicou Marília Matsuura, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.

“Para obtenção da média ponderada, é preciso que sejam fornecidos dados da usina, de seus fornecedores e também da fase industrial. Por meio da ferramenta, será possível verificar quais os parâmetros que mais afetam a nota obtida, por exemplo”, disse Joaquim Seabra, professor da Unicamp.

“Com a Renovacalc conseguiremos medir a intensidade de CO² do biocombustível e premiar as ações mais eficientes”, disse Marília.

Com a implementação do RenovaBio, a certificação voluntária dos produtores de biocombustíveis poderá ser viabilizada por meio de uma nota de eficiência energético-ambiental, definida pela ferramenta.

Distribuição de combustíveis com o RenovaBio

“Temos o menor custo de produção de energia do planeta, com a maior capacidade de expansão e uma infraestrutura invejável de distribuição e venda. Ao todo, são 160 distribuidores e mais de 44 mil postos. E aí, vem a pergunta – por que as coisas demoram tanto para se realizar aqui?”, questionou Luis Henrique Guimarães, presidente da Raízen. “Falta a definição de um modelo. Se não fizermos isso já, vamos perder o bonde. O RenovaBio hoje se mostra como a melhor alternativa”, disse.

Guimarães falou também sobre as vantagens de produção de energia renovável e competitividade do Brasil em relação a qualquer país do mundo. “Tenho uma visão muito otimista do RenovaBio. Vai diferenciar política tributária entre fósseis e renováveis; definir de forma clara o papel do biocombustível na matriz energética e, com isso, teremos uma política de incentivo e de expansão de novas tecnologias para produção e distribuição”, anseia.

 

DATAGRO discute importância de RenovaBio para o setor sucroenergético

Proposta de regulação para produção e uso de biocombustíveis é o grande tema do primeiro dia da 17ª Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol

DatagroCom o objetivo de discutir desafios e apresentar soluções para o setor sucroenergético, a consultoria agrícola DATAGRO promoveu hoje (6) o primeiro dia de debates da 17ª Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol. Reunindo governadores de estado, secretários, deputados e representantes de ministérios da República, o evento, que se estende até amanhã (7), em São Paulo, apresentou em sua abertura a necessidade para o País de um novo modelo de desenvolvimento do setor, representado pelo Programa RenovaBio, que aguarda aprovação do Presidente da República, Michel Temer.

“Estamos hoje aqui reunidos para ressaltar a urgência de uma política pública consistente para o setor. Na próxima Conferência, teremos um novo Congresso e um novo presidente no País. Então, este é um momento de intensa articulação política, em que precisamos ter uma visão a longo prazo no que diz respeito à energia renovável, à economia verde, ao futuro da mobilidade. E isso, só virá com o desenvolvimento acelerado do etanol”, disse Arnaldo Jardim, secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de São Paulo.

“O governo federal deverá dar um desfecho à tramitação do RenovaBio, que necessita de alguns ajustes na área técnica. O que posso adiantar é que o Ministro Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) deve apresentar hoje ao presidente que antecipemos o aumento da mistura de biodiesel para 10% para março de 2018″, disse Márcio Felix, secretário da pasta. Atualmente, a mistura é de 8% e este aumento estava previsto para março de 2019.

O RenovaBio é uma proposta de regulação cujo objetivo é induzir ganhos de eficiência energética na produção e no uso de biocombustíveis e contribuir para a redução de emissões de carbono. O programa não propõe a criação de impostos sobre carbono ou de subsídios aos biocombustíveis.