Ital lança plataforma sobre alimentos processados

Ferramenta faz parte do projeto “Brasil Processed Food 2020: A importância dos alimentos processados para a sociedade brasileira”

Com o objetivo de fornecer informações confiáveis ao consumidor, em novembro deste ano, o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) lançou uma plataforma sobre ciência e tecnologia de alimentos processados. Conversamos com Luis Madi, diretor geral do ITAL, sobre a ferramenta e o que os interessados podem encontrar por lá. Confira!

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Luis Madi, diretor geral do ITAL

Quando e por que resolveram lançar uma plataforma a respeito de alimentos processados?
Em 2014 iniciamos o projeto “Brasil Processed Food 2020: A importância dos alimentos processados para a sociedade brasileira”, uma extensão natural da série de estudos sobre tendências e inovações que o ITAL realiza desde 2010, quando lançou o Brasil Food Trends 2020. Diante de uma vasta quantidade de informações que são relevantes para esclarecer a população sobre a realidade dos alimentos e bebidas processados, uma das ações foi a criação de uma plataforma interativa e dinâmica, que permite atualizações e ajustes periódicos.

Existe entre a população muitos equívocos em relação aos processados?
Muitos mitos e preconceitos têm sido arraigados devido a tantas informações distorcidas e equivocadas propagadas pelos mais diversos meios. E os mitos são fomentados por aqueles que lucram atacando a indústria de alimentos e bebidas, seja por interesse financeiro ou político/ideológico.

Na sua opinião, o nutricionismo, que a cada hora elege um alimento como vilão, contribui com a forma como a população vem enxergando a alimentação?A Nutrição é uma ciência de enorme importância, mas deveria ser tratada apenas pelos profissionais da área. Tem muita gente ditando o que se deve ou não comer. Isso é uma irresponsabilidade, pois uma alimentação equilibrada pode incluir todo tipo de alimento ou bebida. O resultado das pesquisas revela que os consumidores apreciam o discurso herói/vilão, o que favorece o surgimento dos falsos gurus. Por outro lado, existe uma lacuna na área científica que até hoje não foi capaz de adotar uma linguagem mais acessível à população. Mas é preciso informar que na ciência dos alimentos é muito difícil rotular o que é certo ou errado, que associação entre um alimento e uma doença não significa que este seja causador da doença, que existem diferentes tipos de pesquisa científica, que uma única pesquisa que alegue um benefício ou risco de um alimento pode não ser suficiente para promover ou banir produtos das prateleiras, entre outros aspectos relevantes.

Que tipo de contribuição os alimentos processados podem ter numa dieta balanceada?
Com base em resultados de pesquisa (WEAVER et al., 2014), a American Society for Nutrition (EUA) declarou que “Os alimentos processados são nutricionalmente importantes para a dieta dos norte-americanos”. Para a American Society for Nutrition uma boa dieta depende da seleção de alimentos de valor nutritivo, independentemente do fato de serem processados ou não. Outra pesquisa nos Estados Unidos (IFIC, International Food Information Council) destacou a contribuição dos alimentos processados para o consumo de nutrientes pelos norte-americanos.

De que maneira a plataforma pretende chamar a atenção da população a isso?
Em nosso site informamos que “Não é o tipo e nem o fato de ser processado que determina a maior ou menor quantidade de nutrientes de um alimento, isso depende basicamente da receita que estabelece as matérias-primas e outros ingredientes a serem utilizados na elaboração dos diferentes tipos de produtos alimentícios processados”. Todos os alimentos processados têm rótulo onde estão os ingredientes utilizados e o conteúdo nutricional. Recomenda-se ler os rótulos para fazer escolhas adequadas para cada tipo de dieta. Se persistirem as dúvidas, é possível ainda entrar em contato diretamente com os fabricantes.
Tem sido comum atacar determinados tipos de produtos de forma genérica. Por exemplo, existem vários tipos de barras de cereais, com mais ou nenhum açúcar adicionado, quantidade de frutas, cereais e outros ingredientes. Não dá para generalizar que todas são calóricas ou contém poucos nutrientes. Pelo rótulo, o consumidor pode tirar suas próprias conclusões e não se basear apenas nos mitos que vão sendo criados.

 

O crescente e potencial mercado Halal

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Dib Ahmad Tarrass, gestor de Desenvolvimento do Halal Industrial da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil

Dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira apontam que em 2015, entre importações e exportações entre Brasil e o bloco de 23 países árabes houve uma transação de US$ 19 bilhões. Dentre os principais produtos exportados pelo Brasil estão carnes, açúcar, minérios, cereais, sementes, máquinas, pedras preciosas, café, entre outros. Quando o assunto é importação, os principais produtos são combustíveis minerais, fertilizantes, plásticos, sal, alumínio, aparelhos e materiais elétricos, vestuário, peixes e crustáceos e outros.

Para 2050, a projeção é de que haja 2,7 bilhões de muçulmanos, ou seja, 1/3 da população mundial. De olho nesse potencial mercado, empresas brasileiras vêm solicitando a autoridades responsáveis a certificação halal, que garante ao consumidor que os produtos foram produzidos de acordo com os preceitos e as normas ditadas pelo Alcorão e pela Jurisprudência Islâmica.

Para entender um pouco mais sobre este mercado e como o Brasil vem se inserindo nele, conversamos com Dib Ahmad Tarrass, gestor de Desenvolvimento do Halal Industrial da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil. Confira!

Além da proteína animal, que outros produtos são mais comercializados pelo Brasil sob esse sistema?

Atualmente o segmento Halal no Brasil é muito forte na área de alimentos industrializados, que não são necessariamente cárneos, como queijo, goiabada, molho de tomate, leite em pó, café, açúcar, cacau, aromas, glutamato monossódico, proteína de soja, chocolate, creme de leite, leite condensado, heparina sódica, pancreatina, entre outros.

Vale ressaltar que nos últimos três anos a FAMBRAS notou um aumento da procura pela certificação Halal também por indústrias farmacêuticas, de produtos químicos e cosméticos, que hoje já possuem nosso selo.

Destino de alguns produtos industrializados Halal:frigorifico_inspecao-halal_fambras

  1. Café Soluvel, açúcar VHP, aromas, proteínas de soja, glutamato monossódico, – Exportado para a Ásia islâmica, Malásia, Indonésia, Singapura entre outros;
  2. Açúcar cristalaçúcar orgânico, exportado para os EUA, África, Oriente Médio;
  3. Pão de queijo – exportado para os Emirados Árabes e Canadá;
  4. Óleos vegetais, lecitinas, suco concentrado de laranja, açaí, cacau em pó – exportado para a Ásia islâmica, Malásia, Indonésia, Singapura, Europa e EUA;
  5. Heparina sódica, pancreatina, Bicarbonato de sódio – exportado para a Ásia islâmica, Malásia, Indonésia.

O Halal representa que fatia do mercado de exportação brasileiro hoje?

Em relação à proteína animal, em torno de 40%. Sozinho, o Oriente Médio consome 38% desse mercado, lembrando que os árabes representam somente 20% dos consumidores de alimentos Halal.

Este mercado movimenta no mundo 2.5 trilhões de dólares anuais; somente no setor de alimentos, no ano de 2013, movimentou 1.1 trilhão de dólares e cresce a 15% ao ano, de acordo com a mais recente nota de pesquisa pela Câmara de Comércio e Indústria de Dubai, com base em um estudo recente da Thomson Reuters em colaboração com a Dinar Norma.

Que tipos de cuidados e exigências são necessários para que uma mercadoria seja considerada Halal?

Para que o produto seja considerado Halal, ele deve atender à jurisprudência islâmica e ao conceito Halal: não deve utilizar ingredientes ilícitos como carne de porco e seus derivados, álcool etílico, derivados de seres humanos, sangue, animais não abatidos de maneira Halal e seus subprodutos.

A indústria deve implantar o Sistema de Garantia Halal (HAS), semelhante aos requisitos de Boas Práticas de Fabricações (BPF), APPCC. O HAS garante a rastreabilidade do processo, higienização de equipamentos, produção, armazenamento e transporte.

Em quanto tempo, em média, uma empresa consegue certificação? Isso varia muito de acordo com o setor a que pertence?

O processo de certificação leva, em média, de 30 a 60 dias. O prazo pode variar de acordo com a realidade da empresa, complexidade e quantidade dos produtos, tamanho da planta e outros fatores.

O Brasil atende bem a este mercado? Nossos produtos são bem aceitos pelo povo muçulmano?

Sim, o mundo islâmico busca o mercado brasileiro devido à ótima qualidade de nossos produtos, e também por conta da eficiência de nossas indústrias para realizar as adequações necessárias. Além disso, uma vez que o produto é certificado por uma organização islâmica mundialmente reconhecida como a FAMBRAS, a empresa não encontra barreiras e pode exportar para qualquer lugar do mundo.

Que setores têm maior potencial produtivo para esse mercado?

O primeiro setor que vem à mente quando se fala de Halal é o de cárneos. Mas, na realidade, todos os setores possuem grande potencial, de grãos a industrializados, passando por fármacos e até cosméticos. Basta que as indústrias busquem esse grande mercado através de estratégias focadas no Halal.

Que investimentos o País precisa fazer para ampliar sua participação neste mercado?

Com o intuito de ampliar sua participação no mercado Halal, o governo brasileiro deve fazer esforços para desenvolver estratégias conjuntas com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com organismos de mercado como certificadoras de reconhecimento global, associações exportadoras como a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Unindo estes segmentos, o Brasil pode se tornar o maior exportador de produtos Halal do mundo.

 

Informação leva à expansão e à redução de custos, mas precisa ser confiável e bem gerenciada

Os distribuidores de insumos agropecuários brasileiros estão despertando para a importância da tecnologia da informação e da inteligência de mercado, para terem sucesso e preservar seus negócios. Nesta entrevista, José Alexandre Loyola, diretor comercial para América Latina da AGDATA – empresa de solução de dados para o agronegócio presente no VI Congresso da Andav – Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários, que vai desta 2a (15) até 4a feira, em São Paulo – fala da evolução desse mercado dentro do setor e da importância não só da confiabilidade na coleta dos dados mas de como utilizá-los de forma inteligente – para crescer, reter clientes e motivar a força de vendas. Antes de ingressar na AGDATA, Loyola, que é engenheiro agrônomo, atuou em empresas como Monsanto, BASF e Guarani.

Jose Loyola AgdataGostaria que o senhor contasse um pouco da história da AGDATA, sua origem e a que público atende?

A empresa foi fundada em 1985 em Charlotte, na Carolina do Norte, Estados Unidos. Começou fazendo coleta de informações de distribuidores da BASF, para cálculo automático do “rebate”, ou seja, o incentivo, com maior precisão e segurança. A expansão para o Brasil aconteceu em 2014, após sua aquisição pelo fundo de investimentos Vista Equity Partners. Nosso foco é na indústria e na distribuição de insumos agropecuários, com o objetivo de ajudar as empresas a tomarem as melhores decisões em marketing e vendas.

Quais os segmentos dentro da cadeia do agronegócio que mais utilizam a tecnologia da informação e de que forma?

Nos EUA, os primeiros a utilizarem as ferramentas para coleta e gerenciamento de banco de dados foram as indústrias de agroquímicos e de saúde animal. No Brasil, o distribuidor mais moderno de agroquímicos, máquinas e implementos, e de saúde animal tem-se profissionalizado e adotado.

Há aqui um potencial muito grande de crescimento para este mercado. Mas vejo um avanço maior dentro da porteira, pelas empresas multinacionais de insumos e startups. Faltam soluções para o distribuidor. No Brasil, muitos distribuidores de insumos não possuem estrutura da TI (Tecnologia da Informação), nem de BI (Business Inteligence ou Inteligência de Mercado), sendo comum encontrarmos empresas em que o dono faz tudo, o famoso “Magaiver”.

Estamos na era da informação e ela tem sido cada vez mais valiosa. Obter informações atualizadas e precisas é muito importante, mas uma questão fundamental é saber usá-la da melhor forma possível, geri-la. O que vocês oferecem nesse sentido e quais as recomendações?

A maior parte dos distribuidores teve origem em multinacionais de insumos ou é filho de produtor, estudou agronomia e acreditou no potencial do negócio. Não teve, no entanto, aulas de gestão de pessoas, marketing e tem dificuldade de analisar planilhas etc., pois o que ele gosta é de estar no campo.

Acontece que hoje a cobrança que ele sofre por parte da multinacional que fornece os insumos é grande em termos de faturamento, o que representa um risco, já que, apesar dele estar atendendo a essas exigências, o negócio dele pode não ser sustentável e ele não está se dando conta disso. Assim, nossa ideia é despertá-lo para melhor avaliar seu negócio, seus clientes, checar se ganhou ou se perdeu, qual o nível de satisfação desses clientes, a gestão de sua carteira, seu estoque real, a força de sua marca, a integração entre os departamentos de sua empresa, etc. Oferecemos esse diagnóstico usando coleta de dados e ferramentas de CRM e BI, para que ele aprimore o atendimento aos clientes e também o incentivo à equipe.

Ou seja, a ferramenta é o meio, mas é preciso saber usá-la de forma correta para ter sucesso. É aí que entra a nossa consultoria em inteligência de mercado.

Esses recursos ou tecnologias são viáveis ao distribuidor de insumos brasileiro do ponto de vista financeiro e também quanto à facilidade de uso, de sua familiaridade com a informática? Nesse sentido, qual a recomendação?

Isto é um paradigma que buscamos quebrar com a consultoria. Por isso, estamos presentes neste congresso da Andav, onde recebemos os distribuidores em nosso estande, e conversamos com eles para entender o que querem, até onde pretendem investir e como. Pois não adianta ter ferramentas para coleta de informações e não investir, por exemplo, em uma campanha de marketing. A informação leva à expansão e à redução de custos. Quem tem informação confiável tem menos problemas de inadimplência, por exemplo. Isso tem que ser levado em conta.

Como fica a questão da confidencialidade dos dados dos clientes? Como ela é garantida?

Este ponto é bastante importante. Estão entre nossos clientes empresas como Syngenta, Monsanto, BASF, Bayer, Dow, Merck, Zoetis e Arysta, que são concorrentes entre si. Além de assinarmos um contrato com cláusula de confidencialidade, elas sabem da seriedade como tratamos as informações colhidas. Garantimos o gerenciamento das informações dos clientes de forma segura.

Sílvia Sibalde

Estande da AGDATA no Congresso da Andav, nesta semana em São Paulo