RenovaBio – regulação, certificação e distribuição

O que muda se a nova política pública para o setor sucroenergético for aplicada

Marília_Datagro“A OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) já solicita nossa participação, mas por outro lado, importamos 590 mil toneladas de derivados de petróleo em setembro. Precisamos entender melhor esse passeio logístico do Brasil”, ponderou Márcio Felix, secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, do Ministério de Minas e Energia, no painel que discutiu o RenovaBio como política de revitalização do etanol no Brasil, durante o primeiro dia da 17ª Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol, promovida pela DATAGRO, em São Paulo. “Neste sentido, o RenovaBio se apresenta como uma matriz energética de papel estratégico”, completou Felix.

“Os impactos desta nova política (RenovaBio) não são só ambientais; resolveria um problema de abastecimento no País. Nos primeiros nove meses deste ano já superamos o que foi importado em 2016, em volume. Os biocombustíveis não só vão intensificar nossa participação no Acordo do Clima como também vão agregar valor à produção agrícola”, disse Plínio Nastari, representante do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Nastari falou também sobre a expectativa dos outros países em relação ao Brasil no que diz respeito à política de energias renováveis. “Temos potencial e uma grande oportunidade. E acredito que a grande causa da falta de investimentos é que ninguém sabe direito o tamanho do mercado de biocombustíveis”, disse.

Certificação

“Os impactos esperados com o RenovaBio são maior eficiência energética, maior reconhecimento de externalidades positivas, redução dos custos de produção e sustentabilidade econômica. Esta é uma política pública que pode nos trazer tranquilidade para realizar isso”, disse Marlon Arraes, coordenador geral de Inserção de Novos Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia. “Terá maior nota, maior valor aquele que, obviamente, emitir menos CO², que tiver uma política de descarbonização efetiva”, disse.

Para contabilizar todo material que entra e sai e os impactos provocados pelo sistema, a Embrapa criou uma ferramenta, o Renovacalc. “É um instrumento simples de valoração e avaliação do ciclo de vida. Com ele, podemos ter uma visão holística”, explicou Marília Matsuura, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.

“Para obtenção da média ponderada, é preciso que sejam fornecidos dados da usina, de seus fornecedores e também da fase industrial. Por meio da ferramenta, será possível verificar quais os parâmetros que mais afetam a nota obtida, por exemplo”, disse Joaquim Seabra, professor da Unicamp.

“Com a Renovacalc conseguiremos medir a intensidade de CO² do biocombustível e premiar as ações mais eficientes”, disse Marília.

Com a implementação do RenovaBio, a certificação voluntária dos produtores de biocombustíveis poderá ser viabilizada por meio de uma nota de eficiência energético-ambiental, definida pela ferramenta.

Distribuição de combustíveis com o RenovaBio

“Temos o menor custo de produção de energia do planeta, com a maior capacidade de expansão e uma infraestrutura invejável de distribuição e venda. Ao todo, são 160 distribuidores e mais de 44 mil postos. E aí, vem a pergunta – por que as coisas demoram tanto para se realizar aqui?”, questionou Luis Henrique Guimarães, presidente da Raízen. “Falta a definição de um modelo. Se não fizermos isso já, vamos perder o bonde. O RenovaBio hoje se mostra como a melhor alternativa”, disse.

Guimarães falou também sobre as vantagens de produção de energia renovável e competitividade do Brasil em relação a qualquer país do mundo. “Tenho uma visão muito otimista do RenovaBio. Vai diferenciar política tributária entre fósseis e renováveis; definir de forma clara o papel do biocombustível na matriz energética e, com isso, teremos uma política de incentivo e de expansão de novas tecnologias para produção e distribuição”, anseia.

 

DATAGRO discute importância de RenovaBio para o setor sucroenergético

Proposta de regulação para produção e uso de biocombustíveis é o grande tema do primeiro dia da 17ª Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol

DatagroCom o objetivo de discutir desafios e apresentar soluções para o setor sucroenergético, a consultoria agrícola DATAGRO promoveu hoje (6) o primeiro dia de debates da 17ª Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol. Reunindo governadores de estado, secretários, deputados e representantes de ministérios da República, o evento, que se estende até amanhã (7), em São Paulo, apresentou em sua abertura a necessidade para o País de um novo modelo de desenvolvimento do setor, representado pelo Programa RenovaBio, que aguarda aprovação do Presidente da República, Michel Temer.

“Estamos hoje aqui reunidos para ressaltar a urgência de uma política pública consistente para o setor. Na próxima Conferência, teremos um novo Congresso e um novo presidente no País. Então, este é um momento de intensa articulação política, em que precisamos ter uma visão a longo prazo no que diz respeito à energia renovável, à economia verde, ao futuro da mobilidade. E isso, só virá com o desenvolvimento acelerado do etanol”, disse Arnaldo Jardim, secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de São Paulo.

“O governo federal deverá dar um desfecho à tramitação do RenovaBio, que necessita de alguns ajustes na área técnica. O que posso adiantar é que o Ministro Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) deve apresentar hoje ao presidente que antecipemos o aumento da mistura de biodiesel para 10% para março de 2018″, disse Márcio Felix, secretário da pasta. Atualmente, a mistura é de 8% e este aumento estava previsto para março de 2019.

O RenovaBio é uma proposta de regulação cujo objetivo é induzir ganhos de eficiência energética na produção e no uso de biocombustíveis e contribuir para a redução de emissões de carbono. O programa não propõe a criação de impostos sobre carbono ou de subsídios aos biocombustíveis.

 

 

 

 

 

 

 

Embrapa estuda o uso de biocarvão em solos agrícolas

Material pode ser obtido a partir da queima de diferentes compostos, de origem animal e vegetal

biocarvãoUm estudo iniciado pela Embrapa há cerca de 12 anos quer atestar os benefícios da matéria orgânica para a fertilidade de solos tropicais por meio da aplicação de biocarvão em solos agrícolas. “O biocarvão é obtido da queima controlada de diferentes compostos, que podem ser de origem animal ou vegetal e permanece no solo por um longo período”, explica Fabiana Rezende, pesquisadora da Embrapa. “Pode ser produzido com resíduos da agroindústria, de restaurantes, por exemplo. No caso da pesquisa, utilizamos pó de serra, proveniente da indústria madeireira”, completa.

De acordo com a pesquisadora, os estudos se concentraram na aplicação e monitoramento do material em espécies florestais e na fruticultura. “Obtivemos resultados importantes com melhora de efeitos químicos, físicos e biológicos dos solos”, diz Fabiana. “Iniciamos há pouco também uma pesquisa com biocarvão melhorado, que é a mistura deste material com fertilizante químico”, conta.

Apesar dos resultados positivos até o momento, a pesquisadora diz que não há orientações direcionadas ao produtor rural. “Há muitas respostas ainda não definidas. Precisamos estudar melhor questões relacionadas a malefícios de contaminação para o solo e para o produtor, além da definição de doses a serem utilizadas. É fundamental termos cautela para que aqui não ocorra problemas de contaminação, como ocorreu na China”, diz.

A pesquisadora acredita que a divulgação de resultados mais sólidos deve acontecer em dois anos.