Congresso debate perspectivas e desafios do setor de fertilizantes para os próximos anos

Em sua sétima edição, o Congresso Brasileiro de Fertilizantes, promovido pela Associação Nacional para a Difusãoimagem_release_1050358 de Adubos (ANDA), reuniu em São Paulo, empresas, especialistas e representantes do setor para discutir os seus maiores desafios. Com 128 empresas associadas, a ANDA comemorou durante o evento 50 anos de atividade. “Ao longo deste tempo, pudemos acompanhar todas as transformações por que passou o agronegócio no país. Nós, do setor de fertilizantes, temos a missão de difundir e assegurar os insumos necessários para um produtividade agrícola cada vez maior”, disse Carlos Henrique Dantas Heredia, presidente do Conselho de Administração da ANDA, durante a abertura do Congresso.

Na ocasião, Alan Bojanic, representante da FAO no Brasil, além de ressaltar a relevância do País na produção de alimentos, chamou a atenção para o fato de que 80% dos fertilizantes consumidos aqui é importado. “Há a necessidade de produzir mais”, disse.  “De qualquer maneira, temos a agricultura como um símbolo de otimismo para o futuro do Brasil”, completou.

“Posso trazer um depoimento como médico, fazendo uma analogia à importância dos nutrientes. Nosso corpo renova suas células periodicamente e isso se faz por meio do DNA, pelo ar e, principalmente pelos nutrientes. Não há saúde se não tivermos alimentos de qualidade. Isso só é fruto de um solo e de um manejo adequados, ou seja, sem agricultura não há saúde”, disse o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Panorama, demanda e perspectivas

imagem_release_1050360O desenvolvimento global do setor de fertilizantes nos últimos 50 anos foi apresentado pela diretora geral da International Fertilizer Association (IFA), Charlote Hebebrand, que também fez uma projeção em relação à demanda do insumo em 2021. De acordo com a IFA, a demanda por fertilizantes deve chegar a quase 200 milhões de toneladas. O volume representa um crescimento de cerca de 1,5% ao ano, a partir deste ano. Hoje, esta demanda é de aproximadamente 182 milhões de toneladas.

Ainda segundo Charlote, essa média percentual de crescimento representa uma queda em relação a períodos semelhantes. “Isso acontece por conta de alguns fatores – evolução tecnológica da indústria para produção de fertilizantes; aplicação mais eficiente por parte dos agricultores e reciclagem mais intensa, principalmente, em países europeus”, enumerou.

As regiões que terão maior influência no aumento dessa demanda, de acordo com a IFA, são América Latina e Caribe, seguidas pelo Sul e Leste da Ásia e pela África.

Percepção pública

“Parte da culpa da desinformação das pessoas em relação aos fertilizantes é nossa. Precisamos nos comunicar melhor. Há muito trabalho pela frente”, disse o professor Heitor Cantarella, diretor do Centro de Solos e Recursos Ambientais do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), durante o segundo painel do Congresso, que falou a respeito de sustentabilidade no setor e também sobre a Campanha “Nutrientes para a Vida”.

“O que o setor precisa fazer é passar a mensagem de que os fertilizantes são a solução e não o problema, como muitas vezes é divulgado”. O estudioso ressaltou ainda em sua apresentação, a discussão internacional sobre os impactos do excesso do uso de nutrientes, principalmente de nitrogênio e fósforo. “Implicações de estudos podem gerar desinformação”. Cantarella falou também sobre os processos naturais da produção e do transporte de fertilizantes que geram gases de efeito estufa. “Há, no entanto, como minimizar isso”, disse.

“A eficiência do uso pode gerar uma economia da ordem de 20 milhões de toneladas de nitrogênio. E, logicamente, a indústria está atenta a isso”, falou Cantarella. “Os fertilizantes têm importante influência no aumento de produtividade, sem o aumento de área plantada, ou seja, eles são um poupador de terra. O uso adequado favorece sim a preservação do meio ambiente”, finalizou.