Oficina discute formas de proteção a áreas naturais

Evento realizado na reserva Parque das Neblinas, da Suzano Papel e Celulose, reuniu proprietários de RPPNs, que debateram sobre como sobreviver a pressões do desmatamento, caça, incêndios, espécies invasoras, poluição e roubos, entre outros

Espécies invasoras, como o lírio do brejo, são causa de extinção de espécies nativas e monitoradas no Parque da Neblina

Espécies invasoras, como o lírio do brejo, são causa de extinção de espécies nativas e, por isso, monitoradas no Parque das Neblinas

Na sexta-feira, 15, cerca de 50 pessoas reuniram-se no auditório do centro de visitantes do Parque das Neblinas, em plena mata atlântica, para discutir estratégias de proteção a área naturais. O encontro, que integra a VI Oficina SIM-RPPN (Sistema Integrado de Monitoramento das Reservas Particulares do Patrimônio Natural paulistas), juntou proprietários rurais que transformaram sua propriedade em uma RPPN, policiais ambientais, representantes de ONGs e da Secretaria de Meio Ambiente do Estado.

A organização ficou ao encargo do Instituto Ecofuturo, que gerencia o parque, em parceria com a Federação das Reservas Ecológicas Particulares do Estado de São Paulo (FREPESP) e a WWF-Brasil. A expertise acumulada pelo instituto ao longo de 17 anos de gestão do Parque das Neblinas – uma reserva da Suzano Papel e Celulose nos municípios paulistas de Mogi das Cruzes e Bertioga – possibilitou a criação do programa, que presta assessoria técnica a proprietários de áreas naturais e unidades de conservação ou com interesse em adquirir terras para a proteção ambiental e o manejo sustentável.

O desmatamento, causado ocupação irregular do entorno; a caça para a comercialização ilegal de animais e plantas; e a invasão de espécies exóticas (como o javaporco, o lírio do brejo e a braquiária) ou domésticas (cães e gatos) estão entre as maiores causas de extinção de espécies nativas nas reservas.

Há ainda outras ameaças, como incêndios, descarte de resíduos tóxicos, depredações, roubos e até sucessão. Sim, pois encantar e motivar os herdeiros dos proprietários das RPPNs, para manter as reservas, é uma das preocupações da Ecofuturo. “Os proprietários das primeiras RPPNs estão envelhecendo e quem garante que filhos, genros, noras e sobrinhos desejarão continuar esse trabalho?”, questiona Paulo Groke, diretor de Sustentabilidade da Ecofuturo, que acredita no valor da troca de experiências como forma de entender os problemas específicos e aprimorar as estratégias de proteção às reservas.

Incêndios e educação

Desenvolver treinamentos para a equipe de funcionários, manter pontos de captação de água, estradas e carreadores roçados e em condições de tráfego, e um bom contato com o Corpo de Bombeiros, promover campanhas de prevenção e de sensibilização com a comunidade do entorno da reserva são algumas das recomendações dadas pelo engenheiro florestal Paulo Groke para prevenir e combater incêndios, que têm se tornado uma ameaça cada vez maior para as matas, especialmente em períodos secos e quentes como está sendo este final de inverno nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país.

Cristina Rappa

“Educação e relacionamento são fundamentais”, diz Groke, do Ecofuturo

“Com as mudanças climáticas, os períodos de seca vão ser maiores, aumentando o risco de incêndios e devemos estar preparados”, diz Groke, alertando ainda para o perigo causado por balões.

Para prevenir e resolver com maior sucesso a maioria dos problemas programas de educação socioambiental são uma boa ferramenta. “É fundamental conhecer e se relacionar com todos os vizinhos e sensibilizar a comunidade, especialmente as crianças, para criar entre eles um vínculo de afeto com a área”, recomenda Groke.

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