Produtores irrigantes preocupados com a suspensão da coleta de água do São Francisco

Por Nelson Moreira*

Medida deve causar prejuízos à produção agrícola da região

irrigaçãoDesde o dia 19 de junho até final de novembro deste ano, os produtores rurais que dependem das águas da bacia do rio São Francisco, estão proibidos de coletar água para seu uso, em todas as quartas-feiras. A suspensão é válida mesmo para aqueles produtores que tenham reservatórios próprios. A determinação foi dada pela Agência Nacional de Águas, ANA, como medida adicional para preservar os estoques de água nos reservatórios da bacia do rio onde o regime pluviométrico está abaixo da média há sete anos. A resolução atinge os estados de Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

Os produtores rurais destes estados que se utilizam destas águas para irrigação das suas lavouras de grãos ou mesmo na produção de frutas, se mostram preocupados. “Quem já plantou possivelmente terá problemas na produtividade”, afirma o analista ambiental da Federação da Agricultura de Minas Gerais – FAEMG, Guilherme Oliveira. Conforme diz, importantes regiões de produção agrícola de Minas serão afetadas justamente num momento importante para a lavoura e também porque é um período de seca. “Um dia sem captação equivale a 15% menos de água irrigada nas culturas por semana; isto é representativo”, assinala Guilherme. Para ele, esta ação precisava ter sido melhor estudada para que o produtor pudesse se planejar. Ou reduzindo a área ou se organizando para um melhor período de plantio”, assinala.

Irrigação

Mesmo em momentos difíceis como estes, existem tecnologias que melhor respondem ao produtor em termos de manutenção da sua produtividade e da possibilidade de redução do uso de água. A microirrigação tem se mostrado bastante eficiente em situações críticas. Afinal sua fonte de criação foram as regiões desérticas de Israel. Conforme diz o gerente nacional de vendas da Rivulis Plastro Irrigação, Guilherme Souza, a tecnologia permite uma preservação maior do recurso hídrico porque utiliza um volume menor de água em relação aos outros sistemas. “Com isto, se torna mais eficiente, irrigando maior área produtiva”, ressalta.

Souza mostra em números o que isto representa. 1 ha de alagamento = 6,7 ha de microirrigação; 1 ha de canais de escoamento = 5 ha de  microirrigação; 1 ha de canhões  =  2 ha de microirrigação; 1 ha de aspersão =  1,5 ha de microirrigação e 1 ha de Pivô  =1,3 ha de microirrigação. E comprova com isso que, dentro do conjunto de sistemas de irrigação, a microirrigação é, com certeza, a mais eficiente porque ela é capaz de fornecer a água de irrigação de maneira localizada, e dependendo da situação, pode ser até 80% mais econômica. Dessa forma, é possível utilizar menos água para irrigar a mesma área, ou aumentar a área cultivada utilizando o mesmo volume de água, finaliza.

* da Agropress Agência de Notícias.