Projeto de preservação ambiental alia reflorestamento, soltura de aves e produção de azeites

Localizada em Aiuruoca/MG, fazenda possui 33 ha de floresta, reinseriu mais de 3 mil aves na natureza e colheu em fevereiro deste ano sua primeira safra de azeitonas

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Um dos pilares do budismo, o chamado “caminho do meio”, fundamentado por Siddhartha Gautama, o Buda, diz que a felicidade e a ausência de problemas estão em saber encontrar o ponto equidistante entre o fácil e o difícil, o superficial e o profundo, o prazer e a dor. O conceito, que deu nome à fazenda localizada em Aiuruoca/MG, ganha vida com o projeto ambiental realizado na propriedade, que une agricultura sustentável, reflorestamento, reabilitação de aves e produção de azeite e azeitonas artesanais.

“Originalmente, essa não era a minha ideia. Era só uma casa para passar os fins de semana”, conta Nélio Weiss, proprietário da Fazenda Caminho do Meio e criador da marca Olibi, de azeites artesanais. “Eram três hectares bastante degradados pela ação de queimadas e da pastagem. Então, comecei a plantar árvores em 1999 e percebi que isso atraía pássaros para a região. Aos poucos, fui comprando mais terras e ampliando o trabalho de restauração da biodiversidade da fazenda”, diz Weiss.

Os anos se passaram e hoje, Weiss tem na propriedade 33 hectares de floresta, dos quais 18 são de mata nativa. “Isso equivale a mais de um terço da área total, que é de 92 hectares”, orgulha-se. “Como vi que estava atraindo aves, comecei a pesquisar formas de aproveitar o projeto para reintroduzir aves na natureza e apresentei o trabalho ao IBAMA”, conta. Aprovado em 2007 pelo Instituto, o projeto já libertou mais de 3 mil aves na natureza.

“Bom, aí pra fechar o ciclo, precisava de uma atividade econômica que pagasse isso tudo. Plantei muita coisa – arroz, feijão, milho, mas queria uma cultura permanente. Vi que havia um Fazenda Aiuruocatrabalho interessante com olivicultura na região da Mantiqueira e fui atrás”, diz. “As oliveiras são árvores que não demandam muito do solo e havia um fator fundamental – os pássaros não comem azeitona”. Em 2011, então, Weiss deu início à plantação de oliveiras. “Fiz a primeira colheita em fevereiro deste ano. O maior desafio agora é fazer com que esta atividade entre num ciclo propício e passe a pagar as contas da fazenda. Quero expandir”, anseia. Além de azeite, a Olibi comercializa também azeitonas em conserva e azeitona passa.

Azeites brasileiros

Embora recente, a produção de azeites brasileiros vem chamando a atenção de países com cultivo tradicional, como Portugal, Espanha e Grécia. “A grande vantagem dos azeites brasileiros é o seu frescor. O caminho do produtor ao consumidor dura menos de dois meses, o que garante maior intensidade no aroma e maior quantidade de micronutrientes benéficos para a saúde”, diz Sandro Marques, especialista em azeites e membro da Organizzazione Assaggiatori Olio D’Oliva, na Itália.

“O mais bacana é lembrar que trata-se de um cultivo ainda jovem e que os produtores estão em fase de aprendizagem, o que só indica o enorme potencial de qualidade que temos”, enfatiza Marques.

O especialista destaca alguns produtos nacionais. “Bons azeites – Borriello e Serra Que Chora, de Minas Gerais; e Costa Doce e Verde Louro, do Rio Grande do Sul”.