Projeto de Segurança Alimentar com pescadores artesanais do Tocantins apresenta os primeiros resultados

Realizado pela Embrapa e oito instituições parceiras, primeira etapa beneficiou 22 instituições, como escolas e creches, que receberam 560 kg de carne de peixe

pescadoresHá cerca de três anos, Alexandre Freitas, chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pesca e Aquicultura e outros pesquisadores viram que as estatísticas do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Governo Federal, apresentavam um baixo índice de distribuição de proteína animal. “Verificamos que isso se deve em grande parte à uma questão de inspeção do produto. O que também nos chamou a atenção foi o fato de não haver nenhuma proposta para a carne de peixe”, diz.

Unindo expertises de diversas instituições, como Conab, Sebrae, SESC, CEULP/ULBRA (Centro Universitário Luterano de Palmas), Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins, Secretaria de Educação de Tocantins, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Frigorífico Bonnutt Fish, entre outras, a Embrapa iniciou uma fase de conversa com os pescadores de colônias de Tocantins e de frigoríficos locais afim de suprir essa demanda do PAA e também para estimular e facilitar o consumo de peixe na região.

“No processo de pesca, há algumas espécies capturadas com baixo ou nenhum valor comercial, que eram descartadas pelos pescadores. O que o Programa propõe é que elas sejam separadas e levadas ao frigorífico, que fica responsável pelo processamento, transformando-as em carne mecanicamente separada (CMS)”, explica.

“No início, foi difícil. Há muita desconfiança dos pescadores e, além disso, envolve questões culturais dessas colônias, mudança de hábitos etc. De oito colônias visitadas, somente a de Brejinho de Nazaré topou participar do programa. Dos 15 pescadores, nem todos participaram desta primeira etapa”, conta.

Nesta fase inicial, os pescadores retiraram do rio Tocantins mais de 840 Kg. de peixes que, depois de processados, geraram cerca de 560 Kg. de carne mecanicamente separada que foram peixe_cmsdoados a 22 instituições cadastradas no Programa Mesa Brasil (SESC), entre escolas, creches, ONGs e entidades que trabalham com questões ligadas à segurança alimentar. “A meta é que neste primeiro ciclo com os pescadores de Brejinho consigamos 12 toneladas de peixe para processar e distribuir”, anseia Freitas.

“Depois desses primeiros resultados, já tivemos demanda de outras colônias e observamos um maior interesse dos pescadores em participar do Programa”, diz. “O que queremos daqui para frente é que as colônias tomem pra si o processo e dominem todas as etapas de autogerenciamento para que possamos partir para outras experiências”, completa.

“Em relação à questão nutricional, a ULBRA está realizando uma pesquisa sobre o impacto na saúde das pessoas que estão sendo beneficiadas pelo programa; mostrando também uma mudança do padrão de consumo e comprovando que o peixe é, de fato, uma proteína diferenciada”, finaliza o pesquisador.

PAA e Mesa Brasil

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) é uma iniciativa do Governo Federal e tem por objetivo promover o acesso à alimentação e incentivar a agricultura familiar. Entre os beneficiados estão assentados da reforma agrária, silvicultores, aquicultores, extrativistas, pescadores artesanais, indígenas, integrantes de comunidades remanescentes de quilombos rurais e outros povos e comunidades tradicionais; além de indivíduos em situação de insegurança alimentar e nutricional.

O Mesa Brasil, realizado pelo SESC, trata-se de uma rede nacional de bancos de alimentos contra a fome e o desperdício. É um Programa de Segurança Alimentar e Nutricional que busca onde sobra e entrega onde falta.