Projeto que une pesca artesanal e alimentação na rede pública tem reconhecimento das Nações Unidas

Realizado em 2016 em Brejinho de Nazaré/TO, ação beneficiou agricultura familiar e alimentação escolar da rede pública

pescadores“Mais do que o reconhecimento internacional, o que para nós extravasou os próprios resultados alcançados, foi a questão da parceria interinstitucional. Sem o apoio de todos os envolvidos, não teríamos feito do projeto uma experiência exitosa no desenvolvimento da agricultura familiar e na inserção de proteína de alto valor nutricional em escolas, creches e hospitais”, diz a veterinária Hellen Christina de Almeida Kato, pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura.

O projeto, da Embrapa, que uniu expertises de instituições como Conab, Sebrae, SESC, CEULP/ULBRA (Centro Universitário Luterano de Palmas), Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins, Secretaria de Educação de Tocantins, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Frigorífico Bonnutt Fish, do qual é atual responsável, foi condecorado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), uma agência das Nações Unidas. Realizado em Brejinho de Nazaré/TO, o programa tem como objetivo “fazer a ligação entre a pesca artesanal e a alimentação na rede pública de ensino”, diz.

Durante todo o ano de 2016, os pescadores foram capacitados em questões sobre boas práticas, documentações e estrutura organizacional do negócio, além de orientados por profissionais da Lúcia Brito _peixe_cmsUniversidade Federal do Tocantins em assuntos ligados ao bem-estar, saúde e ergonomia de suas atividades. “Dos 36 trabalhadores que se engajaram no projeto, 15 conseguiram cumprir os pré-requisitos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e foram remunerados. No total, foram comercializados mais de 8.000 Kg de pescado, que resultou em um incremento de R$ 5.500 na renda anual desses pescadores”, conta Hellen.

A instituição de ensino beneficiada foi a Escola Municipal Monteiro Lobato, que atende a 700 crianças em Palmas/TO. “Fizemos um trabalho com as crianças e merendeiras para que pudéssemos aumentar a ingestão de proteína rica em o que chamamos de aminoácidos essenciais; preparamos um cardápio especial com tortas, bolos, escondidinhos e outros pratos usando carne mecanicamente separada de peixe”, explica a pesquisadora.

“Esperamos que a partir deste projeto, governos municipais e estaduais possam enxergá-lo como um caminho, uma possibilidade de melhorar a vida desses agricultores familiares e também de promover uma alimentação escolar de alta qualidade. Com a nossa história sendo divulgada pelo FIDA, nossa esperança é de que a experiência seja replicada em outros lugares. O que nós queremos é que todo mundo coma peixe”, finaliza.Hellen Kato_projeto pescado_onu