Setor de máquinas agrícolas devem crescer 5% em 2018

Estimativa é da Abimaq e deve ficar abaixo do ano passado, quando o segmento agrícola foi o único a apresentar resultado positivo na indústria. Entidade pede taxas de juros para investimentos “menos proibitivas”

Cristina Rappa

Marchesan (com microfone): taxas de juros muito altas prejudicam o país

Um crescimento de, no máximo, 5% é o que prevê a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) para 2018, em relação ao ano passado, para o segmento de máquinas agrícolas e implementos. A taxa é inferior aos 7,2% apresentados em 2017, quando o faturamento líquido do segmento foi de R$ 13,52 bilhões, em função de incertezas quanto ao clima neste ano. Dentro do segmento, devem haver variações de desempenhos, acredita João Marchesan, presidente da associação, com equipamentos para armazenagem e irrigação crescendo mais, “se houver crédito e com taxas menores”.

O segmento agrícola foi o único a apresentar crescimento em 2017, o quinto ano consecutivo de queda no faturamento da indústria de máquinas, de – 2,9% em relação a 2016. No total, as fábricas de máquinas faturaram R$ 67,14 bilhões com exportações e vendas internas. Para este ano, a Abimaq está mais otimista e prevê crescimento do faturamento líquido entre 5 e 10% do setor como um todo. ”Estamos vendo uma retomada”, afirmou Marchesan nesta 4a feira, 31, em encontro com jornalistas na sede da associação, em São Paulo.

Câmbio irreal, diminuindo a competitividade dos nossos produtos no exterior e penalizando as exportações agrícolas, e, especialmente, taxas de juros altas são os dois maiores gargalos, que impedem todo o setor de máquinas e implementos de crescer mais, e farão parte do pleito da Abimaq junto aos candidatos a presidente da República. “As taxas para investimento são proibitivas no Brasil. Isso destrói o país”, reclamou Marchesan.

“Vamos conversar com os futuros previdenciáveis sobre como melhorar o ambiente de negócios, para o Brasil retomar seu crescimento, não só pelo consumo, mas pelo investimento, o que é mais sustentável”, anunciou o presidente da Abimaq, para quem o Brasil deve se “reindustrializar” e a indústria ter participação de 15 a 20% no PIB do país. A entidade defende ainda as reformas da Previdência e tributária.

Mais pressão por queda dos juros

Na terça-feira, 30, o governo federal anunciou, em Rio Verde/GO,  a liberação de R$ 12,5 bilhões para o pré-custeio da próxima safra de grãos (2018/19), montante 16% superior ao de 2017, com taxas de 7,5% ao ano para médios produtores e 8,5% ao ano para os demais. Na ocasião, o presidente Temer recebeu um documento do presidente da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo) cobrando a redução das taxas para o crédito rural em geral.

“… os patamares de juros hoje cobrados para investimentos – até 11% – hoje são incompatíveis e incoerentes com a importância do setor para a economia do País e uma grande injustiça para quem produz alimentos”, afirmou em nota Antonio Chavaglia, presidente da Comigo, sobre os juros cobrados no âmbito do Plano Safra 2017/18.