Ações para maior movimentação e exportação de produtos brasileiros são tema de debate

Proposta gerou documento, assinado por entidades, pedindo providências urgentes na melhoria das condições de escoamento no País

Renato Pavan, especialista em logística

Renato Pavan, especialista em logística

Reunidos na manhã desta segunda-feira (4), em São Paulo, para discutir os problemas da infraestrutura de transportes e logística sob a visão dos usuários, a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), a Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT) e o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (SINDICOM) assinaram documento com proposta de ações para tornar a infraestrutura e a logística mais eficientes. Com isto, pedirão às autoridades que sejam tomadas medidas urgentes para a melhoria das condições de escoamento de produtos para o próximo ano. “O problema precisa ser visto de forma sistêmica. Os entraves passam pela logística e infraestrutura de transporte, armazenagem, energia, capacitação e retenção de mão de obra etc”, disse Cláudio Graeff, presidente do Comitê de Logística e Competitividade da ABAG.

De acordo com Graeff, os custos de transportes ao porto de embarque no Brasil tiveram um aumento de 228,6% (de 2003 a 2013), enquanto que em países como o Estados Unidos foi de 53,3% e na Argentina, 42,9%. Além disso, outro ponto ressaltado por ele foi a questão da capacidade de armazenagem do País. “No último ano, tivemos um aumento de 30% da produção agrícola ao passo que a armazenagem subiu somente 17%”, informou. Segundo Graeff, a produção agrícola da Argentina teve um aumento de 10% e de armazenagem, 35%; nos Estados Unidos sua produção aumentou em 5% e a capacidade de armazenar subiu 65%. “Só este problema gera perdas de qualidade que chegam a 10% do volume do valor do produto”, lamentou.

“O maior problema da falta de armazéns está nas fazendas. Só 14% da produção agrícola brasileira é armazenada nelas. Nos Estados Unidos este índice chega a 65%”, disse Renato Pavan, especialista em logística. Para ele, isso gera ainda mais ineficiência.

Outro ponto destacado pelas associações foi o alto custo causado pelas condições inadequadas das rodovias, ferrovias e portos. No Brasil, o modal com maior malha é o rodoviário. Mas grande parte está em condições distantes das ideais. “No caso da malha ferroviária, 73% são operacionais, mas somente 30% está em uso. Temos ainda 50 mil Km. de hidrovias, com 14 mil em uso”, disse Thiago Bastos Rosa, da ANUT. Pedágio caro, atraso em novas concessões, segurança e falta de inspeção técnica foram questões também levantadas.

Lei

Resoluções, decretos e projetos de lei que prejudicam as atividades dos usuários também foram pauta da discussão. A mais discutida delas foi o PL 121/2017, que define uma política de preços mínimos para o setor de transporte de cargas. “Não consigo encontrar mérito algum nele. Apesar disso, tem caminhado a passos largos. Além de ser inconstitucional, gera distorções no mercado de fretes e prejuízos à toda cadeia”, disse Andréa Häggsträm Rodrigues, advogada de Assuntos Legislativos da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

“Ela gera distorções e ineficiências. Favorece uma política de tabelamento, reduz competitividade”, completa Daniel Amaral, gerente de Economia da ABIOVE.

Documento

A proposta assinada pelas entidades, além de apontar problemas e entraves sofridos pela cadeia traz que “o transporte de cargas, nos seus diversos modais, é indutor de maior riqueza, melhoria social, sustentabilidade, inovação e tecnologia. Portanto, merece redobrada atenção para ser uma política de Estado, não de governo, com planejamento e metas verificadas e reavaliadas periodicamente”.

 

 

Qual é o perfil das mulheres que atuam no agronegócio?

Levantamento realizado com 862 mulheres em todo o Brasil apontou alguns dados sobre a participação feminina num setor dominado por homens

Congresso Mulheres do AgroEncomendada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e realizada pela IPESO, a pesquisa “Todas as Mulheres do Agronegócio” foi apresentada hoje (17) no primeiro dia do 2º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio – Liderança Globalizada, Empreendedora e Integrada”, em São Paulo. O estudo, feito em junho e julho deste ano, entrevistou 862 mulheres de todas as regiões do País e, por meio de um questionário com 48 perguntas, abordou temas como perfil da propriedade rural, setores de atuação, jornada de trabalho, família e sucessão, anseios e preocupações e também valores, interesses e opiniões.

“A pesquisa mostra a mulher como uma aceleradora de mudanças. É uma nova imagem do agronegócio para a sociedade urbana”, disse José Luiz Tejon, coordenador do Núcleo de Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM/SP), durante a apresentação dos resultados.

“Além de termos um universo muito maior de mulheres em relação ao ano passado (que foi 300), a pesquisa se mostrou mais completa por conta de sua abrangência nacional. Contamos com o cadastro do CNA/SENAR para chegar até elas, que foram escolhidas mediante sorteio”, explicou Victor Trujillo, presidente da IPESO.

“Importante lembrar que a pesquisa falou com gente empreendedora, independente do tamanho da propriedade. Não nos debruçamos, por exemplo, sobre o papel das mulheres em assentamentos rurais. Este seria um trabalho muito mais hercúleo”, completou Tejon.

Resultados

De acordo com o levantamento, 49,5% das entrevistadas atuam em minifúndio, 26,1% em pequenas propriedades, 13,5% em médias e 10,9% em grandes fazendas. Em relação ao tipo de atividade, 73,1% trabalham dentro das fazendas, 13,9% nos elos da cadeia produtiva após a fazenda e 13%, antes da porteira. Quando o assunto é o tipo de atuação, 73% das mulheres trabalham em atividades dentro da propriedade rural, 3,7% em cooperativas, 3,4% operam na área de insumos, 3% são fornecedoras de produtos ou serviços para a cadeia do agro; 2,8% estão no comércio, 2,3% atuam em segmentos ligados a governo e 2,1% trabalham em atividades da agroindústria.
O estudo apontou ainda que quanto à posição ocupada no negócio, a maioria (59,2%) é proprietária ou sócia; 30,5% é funcionária ou colaboradora e 10,4% é composto por gestoras, diretoras, gerentes, coordenadoras ou atuam em funções administrativas.

Gênero

Mais de 61% das entrevistadas afirmou não ter sofrido problemas de liderança nos últimos dois anos pelo fato de ser mulher. Porém, quando o assunto é preconceito, 44,2% responderam ter sofrido preconceito evidente, 30% apontaram preconceito sutil e 25,8% diz não ter sofrido preconceito. “O preconceito existe, mas as mulheres mostraram também que têm disposição de enfrentá-lo com trabalho”, disse Tejon.

“Pesquisas nos trazem momentos de reflexão. Olhando pra estes dados, eu me pergunto – o que trouxe as mulheres até aqui? Foi a Educação. Ultrapassamos o paradigma de que as mulheres têm o papel de curadoria da sociedade para a consciência de que elas têm o poder de tomar decisões, de gerir carreira e pessoas”, disse Vera Ondei, editora chefe da revista Dinheiro Rural.

A pesquisa completa estará disponível nos sites da Abag e do evento a partir de 20/10.

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Desafio é aprovar reforma tributária neste governo, acreditam especialistas no Congresso da Abag

A simplificação dos tributos é desejada e traria competitividade ao Brasil, mas, como afeta interesses de diversas categorias, tributaristas são céticos quanto a sua aprovação até 2018. Para presidente do BNDES, é preciso  “aproveitar o momento atual” para emplacar a nova lei

Cristina Rap

“É preciso sonhar”, diz Rabello de Castro, do BNDES, sobre a aprovação da reforma tributária

Que o sistema tributário brasileiro, com suas inúmeras leis, muitas vezes conflitantes, é um entrave para a competitividade das empresas, com consequências para o emprego e a renda da população e o desenvolvimento do país, ninguém contesta. A dificuldade é aprovar a tão desejada reforma tributária ainda neste governo, que não conta com apoio popular e está há pouco mais de um ano de seu término, acreditam os advogados tributaristas Luiz Gustavo Bichara, da Bichara Advogados e da OAB, e Paulo Ayres Barreto, da Aires Barreto Advogados e professor da Universidade de S. Paulo/USP, em debate sobre o assunto durante o 16o Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado nesta 2a feira, 07, em São Paulo, pela Associação Brasileira do Agronegócio – ABAG.

O economista Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, por sua vez, também participante do debate, mostrou-se mais esperançoso e declarou que é preciso “sonhar” que o projeto de lei de reforma do deputado relator Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) seja aprimorado e votado até 2018. “Temos de aproveitar o momento atual, marcado por grande movimentação política, para colocar em andamento uma reformulação geral no complexo sistema tributário do país”, afirmou Rabello de Castro, para quem é difícil a reforma acontecer neste ano, “mas não impossível.

Menos otimista em relação a possibilidade de a reformar ser iniciada, Bichara considerou “utópica” e fraca a proposta que está em análise no Legislativo. “O que temos é uma colcha de retalhos e nenhum indicativo sobre como será feita a reforma”, afirmou. Para ele, além da falta de uma minuta que pudesse ser debatida e analisada, um dos pontos obscuro da proposta é não prever uma regra de transição entre o modelo atual e o que entrará em vigor.

“Mudar as máquinas arrecadadoras é mexer com interesses diversos, o que torna a reforma difícil de acontecer”, declarou, por sua vez, Ayres Barreto, alegando a falta informação para um debate mais transparente da proposta de reforma tributária. “Entendo que a principal dificuldade atualmente para a concretização da reforma tributária é que cada segmento da sociedade quer fazer a sua reforma. Todos querem pagar menos impostos”, comentou o advogado.

Para Rabello de Castro, do BNDES, além da reforma tributária, o Brasil precisa de uma reforma do gasto público e reequilibrar sua área fiscal.