Biodefensivos – um mundo ainda desconhecido pelos produtores

Em palestra para o Fórum Brasileiro de Biodefensivos, Alexandre de Sene Pinto, da BUG Agentes Biológicos, diz que mais da metade dos produtores não conhece a tecnologia

controle biologico credito bug“Precisamos divulgar o controle biológico como uma tecnologia e sair dessa conversa primária de quem come quem. O produtor tem dificuldade em usar os biodefensivos por falta de informação. Cinquenta e um por cento dos agricultores não sabe nem do que se trata”. O apelo é de Alexandre de Sene Pinto, consultor em manejo racional de pragas, da BUG Agentes Biológicos, durante o segundo dia do Fórum Brasileiro de Biodefensivos, promovido pela ABCBio (Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico), em São Paulo.

“Temos de chegar nos produtores tendo em mente o seguinte perfil – 80% dos produtores não tem o 1º grau completo, dizem não ter assistência técnica e a maioria tem idade superior a 45 anos, ou seja, são mais resistentes à mudança”, completou o consultor. O especialista ainda falou a respeito de uma quarta Revolução Agrícola ou Agricultura 4.0, em que todos os setores de produção estariam integrados (uso de aplicativos, drones, automatização etc). “O uso de biodefensivos se insere aqui”, disse.

Alexandre afirma também que hoje, a consciência ambiental do produtor em relação aos produtos de controle biológico é de apenas 2%. “Eles optam pelos biodefensivos quando há ineficácia dos agrotóxicos e dos transgênicos, como no caso da helicoverpa, por exemplo”, disse. Para quebrar paradigmas e conscientizar produtores e profissionais da cadeia, o consultor acredita em três ações: inclusão de tecnologia de aplicação de biodefensivos nos cursos Ciências Agrárias; treinamento intensivo de profissionais e investimento em pesquisas na área.

 

 

 

 

ABCBio inaugura site sobre produtos biológicos de controle

controle biologico credito bugA partir dessa semana, a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio) passou a disponibilizar em seu novo site informações técnicas, comerciais e de legislação da área de produtos biológicos para controle de pragas na agricultura.

Os interessados nesse setor encontrarão também no site o Programa de Conformidade criado pela ABCBio, que tem como objetivo garantir a legalidade e a eficácia agronômica dos produtos biológicos de controle.

Para ter acesso ao conteúdo, acesse www.abcbio.org.br

 

Setor de defensivos biológicos deve crescer em torno de 20% ao ano no Brasil

A estimativa é da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio) para os próximos anos. Crescimento é maior que o de defensivos químicos. Pressão por sustentabilidade, maior resistência das pragas a alguns agrotóxicos, e processo de lançamento menos caro e ágil são razões para expansão

praga_lavoura_MorguefileEm 2012, as lavouras brasileiras de algodão, soja, sorgo, milho, tomate e de algumas frutíferas sofreram perdas bilionárias por conta da ação de uma nova praga – a lagarta Helicoverpa armigera. Somente no oeste baiano, na safra 2012/2013 de grãos e fibras, as perdas econômicas foram estimadas em 2 bilhões de reais. No início deste ano, medidas adotadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), como a autorização de importação de novos agrotóxicos, o vazio sanitário, o uso de tecnologias que inibissem ou eliminassem as populações da praga e ainda a liberação de agentes de controle biológico, foram algumas das ações do plano de supressão da lagarta, em estados que estavam sob condição de emergência fitossanitária.

Diante de tamanho estrago ambiental e também econômico, viu-se a necessidade de buscar soluções mais eficazes e com foco em uma agricultura sustentável, visto que a oferta de novas moléculas de defensivos químicos, além de limitada, é altamente custosa (em torno de US$ 250 milhões) e demorada (mais de dois anos), em função das exigências do nosso processo regulatório. Não à toa, as projeções de vendas da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio) para esse setor no Brasil indicam um crescimento anual de 15% a 20% nos próximos anos. “Além do alto custo de desenvolvimento de novos defensivos químicos, há também maior demanda da sociedade e dos órgãos reguladores pela produção de alimentos com menos ou nenhum resíduo”, disse em coletiva de imprensa, Pedro Faria Jr., presidente da ABCBio.

O crescimento no setor de defensivos biológicos não ocorre somente no Brasil. Ainda de acordo com a ABCBio, o crescimento global foi de 16% no último ano, contra 3% dos defensivos químicos. Europa, América do Norte e Austrália lideram o uso de controle biológico. “A tendência aqui é de que os defensivos biológicos sejam usados juntamente aos defensivos químicos”, disse Ari Gitz, integrante do Conselho da ABCBio.

Uma outra vantagem do uso de defensivos biológicos em relação ao químico é que desde 2014 podem ser registrados por alvo, ou seja, para o combate a determinada praga ou doença, e, portanto, seu uso é permitido para todas as culturas.

Mesmo registrando crescimento do setor e com projeção de maior adoção de agentes biológicos de controle por parte dos agricultores, a ABCBio reconhece que há muito a se fazer. “Não vamos avançar sem pesquisa e desenvolvimento. Evoluímos, mas o investimento econômico nos defensivos químicos ainda é muito maior”, afirmou Pedro Faria Jr.

“O produtor que entender a importância e a vantagem da adoção do manejo integrado de pragas (MIP) terá um custo menor de produção e uma previsibilidade de produtividade muito maior”, completou Gustavo Herrmann, vice-presidente da ABCBio.