ABIEC e ABPA criticam postura da PF na Operação Carne Fraca

De acordo com entidades, houve generalização de um problema que é pontual

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Da esquerda para direita – Antônio Jorge Camardelli, presidente da ABIEC; Francisco Turra, presidente da ABPA e Rui Vargas, diretor técnico da ABPA

“Houve um grande equívoco técnico na divulgação da operação deflagrada pela Polícia Federal (“Carne Fraca”); uma massificação da informação que trouxe uma imagem negativa para a carne brasileira”, disse Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) em entrevista coletiva realizada na manhã desta segunda-feira (20), na sede da instituição em São Paulo.

“Esta é uma crise desnecessária, que macula nosso trabalho em busca de novos mercados”, completou Antônio Jorge Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC).

“As empresas que cometeram irregularidades devem ser punidas com rigor; uma auditoria instalada pelo Ministério da Agricultura já está sendo iniciada em todas as plantas envolvidas nesta operação da PF. A qualidade da carne brasileira, no entanto, não deveria estar sendo questionada”, disse Rui Vargas, diretor técnico da ABPA.

De acordo com as associações, até o momento, foram suspensas as atividades de seis plantas – uma de mel, quatro de suínos e aves e uma de bovinos. Em relação ao mercado externo, “o que temos é que a China suspendeu a operação de recebimento de carne brasileira até que o governo explique oficialmente o que ocorreu”.
União Europeia suspendeu a importação de carne de quatro plantas brasileiras e a Coreia do Norte ampliou de 1% para 15% o volume de carne testada na entrada ao país.

Outras questões relativas à divulgação da Operação da Polícia Federal também foram criticadas, como a de que ácido ascórbico é produto cancerígeno. “Ácido ascórbico é vitamina C. Quem toma suco de laranja consome bastante essa substância. Não existe qualquer tipo de produto químico que seja capaz de mascarar o estado de deterioração de uma carne; isso pode ser visto pelo odor, textura, pela presença de líquido que sai do músculo”, explicou Rui Vargas.

A alusão de que a JBS teria incluído papelão na carne também foi comentada. “Isso é um absurdo. Quem disse isso não tem noção nem do custo do papelão, que é mais alto que o da farinha”, disse Vargas.

Apesar da preocupação das entidades, admitem que mesmo com o escândalo, é difícil que o Brasil tenha mercados externos roubados, “pela alta capacidade produtiva do país e pela pouca competitividade de outros países”.

Não foram divulgados os nomes dos frigoríficos nem das empresas suspensas.

Carne Fraca

A Operação da Polícia Federal deflagrada na última sexta-feira (17) investiga o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos.

No total, foram afastados 33 fiscais.

Pecuária movimentou R$ 483,5 bilhões em 2015

Dado é do último relatório divulgado pela ABIEC e corresponde a um crescimento de mais de 27% em relação ao ano anterior

Redação*

gado-nelores-ag133-300x178Relatório divulgado hoje (1/9) pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) traz que a movimentação da cadeia produtiva da pecuária foi de R$ 483,5 bilhões em 2015. O valor corresponde a um crescimento de mais de 27% sobre o ano anterior.

O documento informa que, dos R$ 483,5 bilhões movimentados pela cadeia no ano passado, R$ 147,03 bilhões se devem a atividades como nutrição, sanidade, compra de insumos agrícolas, energia elétrica, manutenção etc. e nas próprias fazendas; R$ 145,88 bilhões nas indústrias; e R$ 176,36 bilhões no varejo. “Desde a primeira quantificação realizada em 2010, houve um crescimento de 44,7% no montante movimentado pela cadeia”, disse em nota, Antônio Jorge Camardelli, presidente da ABIEC.

De acordo com o relatório, as exportações de carne bovina geraram receita de US$ 5,9 bilhões em 2015, representando um recuo de 17% em relação ao ano anterior. A queda, segundo o documento, deve-se a problemas de ordem conjuntural em alguns dos principais mercados compradores da carne brasileira.

*Com informações da assessoria de imprensa da ABIEC

Indústria festeja fim de embargos à carne brasileira em 2015

Volta dos embarques à China, Japão e Arábia Saudita, entre outros, e a liberação de compra do produto in natura pelos Estados Unidos são conquistas celebradas pela ABIEC, a associação dos exportadores de carne, no balanço de um ano em que o mercado interno recuou. Aumento das exportações deve fazer de 2016 um ano melhor para o setor

Cristina Rappa

Camardelli, da ABIEC: “Crescimento das exportações compensará queda das vendas no mercado interno”

Se 2015 foi um ano marcado pela queda de faturamento pelo setor de carne bovina brasileiro – estimada em US$ 1,2 bilhão em relação a 2014, em função da crise econômica no País e de problemas conjunturais nos nossos maiores mercados (Rússia, Hong Kong e Venezuela) –  por outro lado, a indústria tem conquistas a comemorar e que terão impacto nos resultados de 2016. São elas o retorno a importantes mercados, como China, Arábia Saudita, Iraque, África do Sul e, mais recentemente, Japão; e o anúncio da liberação das exportação de carne in natura de 14 estados brasileiros aos EUA.

“O destaque de 2015 foi o fim dos embargos à carne brasileira, encerrando lutas que o setor travava há anos”, afirmou Antônio Jorge Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) em evento com jornalistas nesta 5a feira (10), em São Paulo. A maioria dos bloqueios à carne brasileira ocorreu em 2012, após o caso não clássico de “vaca louca”.

A última boa notícia do ano veio no início deste mês, com a suspensão do embargo japonês para a carne processada. “O negócio com o Japão é importante pelo bom volume e preço, podendo representar um faturamento de US$ 19 milhões ao ano”, revelou o executivo, para quem a atuação da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, foi fundamental para alguns dos bons resultados, especialmente as negociações com China e Japão.

As exportações para a China devem chegar a US$ 1,3 bilhão em 2016, estima a ABIEC. Além de ser um mercado importante em termos de potencial de volume, o gigante asiático representa uma boa alternativa para os nossos cortes nobres à União Europeia, que cada vez impõe mais barreiras.

EUA e o que esperar para 2016

Quantos aos EUA, o país publicou em junho suas Final Rules, liberando a compra de carne in natura de 14 estados brasileiros, sendo que os primeiros embarques devem acontecer antes da metade de 2016, prevê a ABIEC.

A América do Norte, com seu mercado forte, e o Sudeste Asiático, região onde o consumo de carne bovina vai apresentar maior crescimento nos próximos anos, são, por sinal, as áreas prioritárias para aberturas de mercado no próximo ano. Assim, países como México, Taiwan, Indonésia e Tailândia estão na mira da associação.

Com um câmbio mais competitivo e a conquista desses novos mercados, a ABIEC estima que o faturamento do setor chegue a US$ 7,5 bilhões em 2016, superando o recorde de 2014 (US$ 7,2 bi). O crescimento das vendas externas, que devem chegar a US$ 1,75 bilhão, vai compensar a queda no mercado interno, comprometido pela queda de renda da população e a inflação, situação que não deve ser revertida no próximo ano, prevêem os executivos da ABIEC.