Ex-ministro Paolinelli critica falta de recursos para pesquisa agrícola

Segundo chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, parceria com o setor produtivo é fundamental para dar alívio ao caixa do governo  

Abisolo_ronaldoO ex-ministro da Agricultura e atual presidente da Abramilho, Alysson Paolinelli, criticou nesta quinta-feira (06), em evento em Campinas (SP), a diminuição de recursos para pesquisa agrícola no País. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), do qual a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é vinculada foi um dos mais atingidos pelo corte do orçamento feito pelo governo federal.

Segundo Paolinelli, o investimento em pesquisa agrícola é fundamental para manutenção da vanguarda tecnológica da agricultura brasileira. “A pesquisa em agricultura tropical é a arma mais potente que temos de competitividade. Temos que definir prioridades e a pesquisa é uma delas”, disse, durante o Fórum da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo). “Vamos pagar caro por isso. Cortar dinheiro para pesquisa é a economia mais porca que um país pode fazer”, acentuou Paolinelli.

Também presente ao evento, o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Augusto Boechat Morandi, afirmou que ao longo dos anos a empresa foi “engolida pela burocracia estatal”. Morandi fez questão de ressaltar que o atual presidente da Embrapa, Maurício Lopes, vem garimpando novas oportunidades de financiamento, como, por exemplo, o estabelecimento de parcerias com o setor produtivo.

“Em Jaguariúna, sede da Embrapa Meio Ambiente, 30% do nosso orçamento é fruto de convênios com a iniciativa privada”, revelou Morandi, acrescentando que “é preciso flexibilizar as regras para que este tipo de aliança avance cada vez mais, e assim dê alívio para o caixa do governo”.

Indústria de fertilizantes especiais projeta crescimento de 23% para 2017

De acordo com Abisolo, faturamento bruto será de cerca de R$ 7,1 bilhões

Redação*

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Anderson Ribeiro, diretor de Comunicação Social da Abisolo, durante o VII Fórum Abisolo, em Campinas/SP

A indústria brasileira de fertilizantes especiais projeta, para este ano, um faturamento bruto de aproximadamente R$ 7,1 bilhões, o que representará, caso se confirme, uma expansão de 23% sobre os R$ 5,8 bilhões faturados no ano passado. A projeção foi feita por Anderson Ribeiro, diretor de Comunicação Social da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), durante o VII Fórum Abisolo, em Campinas/SP.

“É importante ressaltar que, do final do ano passado, quando foi feito o levantamento sobre as expectativas dos empresários, para o atual momento, houve uma piora na percepção do mercado em razão de alguns fatores: queda nos preços de soja e milho (quase 20% de redução); certa dúvida com relação ao crédito e incertezas no cenário político”, disse Ribeiro.

Outras questões também foram destacadas pelo diretor – o total de empregos das indústrias de nutrição vegetal foi estimado ano passado em 17.000 postos de trabalho, representando um crescimento de 18%. O levantamento também constatou que o segmento é um dos que mais investe em pesquisa e desenvolvimento. “A pesquisa mostrou que nossa indústria investe 5% do seu faturamento em P&D, o que equivale a R$ 290 milhões de investimento anual. Há segmentos, como o de fertilizantes orgânicos e organominerais, nos quais a taxa de investimento chega a 6%”, informa Ribeiro.

A pesquisa foi feita com base em informações fornecidas por cerca de 150 empresas, de um total de 459 registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

*Com informações da assessoria de imprensa

 

Abisolo estima crescimento de 13% do setor de nutrição vegetal em 2016

Soja, hortaliças, milho, café, cana-de-açúcar e frutíferas são as culturas que mais fizeram uso desses insumos

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Da esq. para dir., Anderson Ribeiro, Clorialdo Roberto Levrero e Gustavo Branco, da Abisolo, em entrevista coletiva

Em processo de consolidação de dados para o balanço de 2016, a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) apresenta uma estimativa de crescimento de 13% para o ano passado. De acordo com a entidade, os segmentos de maior investimento são os fertilizantes foliares, com 70,5% da fatia do mercado, seguidos pelos organominerais, com 14%, o restante distribuído entre condicionadores de solo, fertilizantes orgânicos e substratos para plantas. “Observamos nos últimos anos um interesse maior pelo segmento de orgânicos e organominerais. De 20% a 30% das empresas associadas incluíram esse tipo de produto em seus portfólios”, disse Clorialdo Roberto Levrero, presidente da Abisolo, em coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira (21).

Segundo Levrero, a estimativa para o crescimento do setor de nutrição vegetal explica-se pela alta competitividade e pela busca de produtos de valor agregado. “O aumento de produtividade com maior eficiência só se obtém com investimento em tecnologia e a nutrição do solo vem para potencializar as demais, para criar sinergia”, disse.

Com uma expectativa positiva também para este ano, a Abisolo falou sobre as principais culturas onde são utilizados os insumos. Em primeiro lugar aparece a soja, depois hortaliças, milho, café, cana-de-açúcar e frutíferas. “Hortaliças e frutas sempre estiveram mais abertas ao uso de fertilizantes. Commodities estão fazendo mais uso agora. Milho de segunda safra, por exemplo, já utiliza a tecnologia em 10% de sua área total”, conta Gustavo Branco, conselheiro fiscal da Abisolo. “Essa entrada de commodities só mostra para nós que a nutrição é viável para grandes culturas e em larga escala”, completou Levrero.

Legislação

Em referência ao lançamento do Programa Agro+, lançado ontem em São Paulo, a Associação falou o que espera da iniciativa. “Toda e qualquer ação que visa a desburocratização é vista com bons olhos por nós. Ainda mais quando há matéria-prima parada no porto por 60/90 dias, como costumamos acompanhar. Mas acreditamos que essas medidas precisam ser muito bem dosadas para evitar que haja a entrada de empresas ilegais ou que venham causar problemas para o setor”, disse Anderson Ribeiro, diretor de Relações Institucionais e Comunicação Social da Abisolo.

Ribeiro falou também sobre a questão da rotulagem dos produtos. “Do ponto de vista prático, isso vem piorando ano a ano”, lamenta. “Estamos com dificuldades para colocar todas as informações exigidas pelos órgãos reguladores. Algumas empresas estão até lançando mão de rótulo-bula, com até 10 páginas de informações a respeito do produto. “Uma legislação que obriga a empresa a apresentar informações que o produtor não faz ideia do que sejam, não faz sentido”, completa Gustavo Branco. “Não estamos muito otimistas com isso, mas em trabalho permanente para tentar avançar”, finaliza.