Juros do Plano Safra 2017/18 ficaram altos, diz presidente da Abramilho

De acordo com Alysson Paolinelli, o País pagará muito caro para produzir alimento

Redação*

Agricultura de baixo carbono Fazenda do ex ministro Dr. Allyson PAulinelli Baldinho MG proximo a Serra do Cipó

Allyson PAulinelli, presidente da Abramilho 

“O Governo Federal trabalha com a perspectiva de que até o final de 2017 a inflação vai cair e, portanto, os juros da Selic estejam na faixa dos 6%, se este cenário se confirmar, nós estaremos pagando muito caro para produzir os alimentos que a população brasileira precisa, uma vez que os financiamentos para o setor agropecuário foram estabelecidos pelo novo Plano Safra, lançado hoje, em Brasília, pelo Presidente Temer e pelo Ministro Blairo Maggi, em 7,5 e 8,5%”, disse hoje o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho, Abramilho, Alysson Paolinelli. “Por isto vamos precisar voltar à mesa de negociação para melhorar estas condições para não colocar a renda do produtor nem o crescimento do setor em risco”, salienta.

Paolinelli explica que o início do plantio de várias culturas será a partir de agosto, com finalização em novembro. E que, com o possível declínio da Selic, a cada mês o plantio terá um valor por hectare, deixando as contas do produtor bastante confusas. “Mesmo tendo recordes de produção, no milho por exemplo, podemos chegar a 100 milhões de toneladas, o produtor não está tão bem quanto parece”, assinala, lembrando que, por exemplo, em 2016, houve quebra de produção em várias regiões, afetando o caixa de milhares de produtores. “Ainda que a segunda safra recupere um pouco a renda do agricultor, por ter custos mais baixos, a situação não está folgada no campo e, com estes juros propostos vai continuar o aperto”, afirma.

Seguro Rural

Defensor de outro modelo de seguro rural, em que os recursos sejam entre o Governo Federal e a iniciativa privada, Paolinelli achou que o valor liberado para esta safra, R$ 550 milhões, foi bom, para o modelo atual de seguro. “Agora, para o modelo que estamos propondo, não é suficiente”, finaliza.

Plano Safra

Foi anunciado hoje (7), no Palácio do Planalto em Brasília/DF, pelo presidente Michel Temer e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, o maior volume de recursos para financiar a agricultura brasileira. Foram destinados R$ 190,25 bilhões ao Plano Agrícola e Pecuário 2017/2018. O governo também divulgou a redução entre um e dois pontos percentuais, os juros das operações de créditos rurais.

Entre as novidades do Plano está a retomada da linha de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para renovação de canaviais (Prorenova Rural), com recursos de R$ 1,5 bilhão.

*Com informações da assessoria da Abramilho

Blairo defende etanol de milho, para aumentar renda do produtor

Ministro participou de Fórum Mais Milho, em Castro/PR, na quinta-feira, 01, onde sugeriu agregar valor ao grão 

Redação*

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No Fórum, Blairo defendeu agregar valor ao cereal

O ministro se diz um defensor da produção de etanol a partir do milho, como se faz nos Estados Unidos. Segundo ele, essa é uma forma de agregar valor ao cereal e que tem trazido uma boa solução para a sua utilização no Mato Grosso, estado responsável por 35% da produção nacional e principal produtor do grão no Brasil.

“É uma nova forma de consumo do grão, que garante melhor renda ao produtor, que é o que importa”, finaliza Blairo, exemplificando a “transformação” do milho em suínos e aves. 

Para o ex-ministro da Agricultura e presidente da Associação Brasileira de Produtores de Milho – Abramilho, Alysson Paolinelli, também presente ao fórum, a produção de etanol é um dos caminhos para agregação de valor à produção. Segundo ele, existem várias outras possibilidades, como a que foi vista na biorrefinaria da Cargill – onde são produzidos pelo menos 10 novos subprodutos do milho a partir da destinação industrial – e em uma empresa de aminoácidos para suplementação da alimentação animal, também na paranaense Castro.

“O milho tem tanto potencial de uso quanto a soja e precisamos estimular novas descobertas. Quanto mais demanda houver, melhor vai ser para o produtor”, concluiu Paolinelli. 

* com informações de Nelson Moreira, da Agropress Marketing e Comunicação.