DATAGRO discute importância de RenovaBio para o setor sucroenergético

Proposta de regulação para produção e uso de biocombustíveis é o grande tema do primeiro dia da 17ª Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol

DatagroCom o objetivo de discutir desafios e apresentar soluções para o setor sucroenergético, a consultoria agrícola DATAGRO promoveu hoje (6) o primeiro dia de debates da 17ª Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol. Reunindo governadores de estado, secretários, deputados e representantes de ministérios da República, o evento, que se estende até amanhã (7), em São Paulo, apresentou em sua abertura a necessidade para o País de um novo modelo de desenvolvimento do setor, representado pelo Programa RenovaBio, que aguarda aprovação do Presidente da República, Michel Temer.

“Estamos hoje aqui reunidos para ressaltar a urgência de uma política pública consistente para o setor. Na próxima Conferência, teremos um novo Congresso e um novo presidente no País. Então, este é um momento de intensa articulação política, em que precisamos ter uma visão a longo prazo no que diz respeito à energia renovável, à economia verde, ao futuro da mobilidade. E isso, só virá com o desenvolvimento acelerado do etanol”, disse Arnaldo Jardim, secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de São Paulo.

“O governo federal deverá dar um desfecho à tramitação do RenovaBio, que necessita de alguns ajustes na área técnica. O que posso adiantar é que o Ministro Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) deve apresentar hoje ao presidente que antecipemos o aumento da mistura de biodiesel para 10% para março de 2018″, disse Márcio Felix, secretário da pasta. Atualmente, a mistura é de 8% e este aumento estava previsto para março de 2019.

O RenovaBio é uma proposta de regulação cujo objetivo é induzir ganhos de eficiência energética na produção e no uso de biocombustíveis e contribuir para a redução de emissões de carbono. O programa não propõe a criação de impostos sobre carbono ou de subsídios aos biocombustíveis.

 

 

 

 

 

 

 

CTNBio aprova a primeira cana geneticamente modificada do mundo

A nova variedade, desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), é resistente à broca, a principal praga que afeta as lavouras no Brasil, gerando perdas que chegam a R$ 5 bilhões por ano

Assunto: Colheita mecanizada de cana Local: Serrana - SP Data: 07/2006 Autor: Delfim Martins

Foto: Delfim Martins/Pulsar Imagens

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou em 09 de junho a variedade de cana-de-açúcar CTC 20 Bt, que tem como característica a resistência à broca da cana (Diatraea saccharalis), principal praga que ameaça a cultura e que, de acordo com estimativas, causa R$ 5 bilhões em perdas anuais, considerando as perdas de produtividade agrícola e industrial, qualidade do açúcar e custos com inseticidas. O gene Bt (sigla para Bacillus thuringiensis) é amplamente utilizado na agricultura há mais de 20 anos, nos principais países produtores do mundo, incluindo o Brasil, em culturas como soja, milho e algodão.

Segundo os técnicos do CTC, a nova variedade poderá ser cultivada em toda a região Centro-Sul do Brasil, em solos de alta (ambientes A e B) a média fertilidade (ambiente C), sob a seguinte recomendação: em regiões onde o regime hídrico é mais restrito, a cana GM deve ser cultivada somente em áreas de vinhaça ou irrigação por água, mesmo em ambientes A e B, lembrando que, nas áreas de vinhaça, o ataque da broca costuma ser maior. “Esta recomendação também vale para ambiente C, sob qualquer regime hídrico”, complementa o CTC. 

“A aprovação da Cana Bt por parte da CTNBio é uma grande conquista do CTC e do setor sucroenergético nacional. Nos próximos anos, planejamos expandir o portfólio de variedades resistentes à broca, adaptadas a cada uma das regiões produtoras do Brasil. Além disso, o CTC também planeja desenvolver variedades resistentes a outros insetos, bem como tolerantes a herbicidas”, afirma, em nota, Gustavo Leite, presidente do CTC. O executivo explica ainda que, com a Cana Bt, “além dos ganhos econômicos, o produtor poderá simplificar a logística e melhorar a gestão ambiental de suas operações”.

Açúcar e etanol idênticos aos da cana convencional

Segundo Leite, um extenso dossiê cientifico contendo estudos e informações técnicas da cana geneticamente modificada (GM), usando padrões aceitos internacionalmente, foi submetido à CTNBio no final de 2015, para análise de riscos à saúde e ao meio ambiente. Estudos de processo provaram que o açúcar e o etanol obtidos a partir da nova variedade são idênticos aos produtos derivados da cana convencional.

Estudos adicionais mostraram que tanto o gene Bt como a proteína inserida são completamente eliminados nos derivados de cana-de-açúcar durante o processo de fabricação. Além disso, estudos ambientais não constataram quaisquer efeitos negativos relacionados à composição do solo, à biodegradabilidade da cana GM ou às populações de insetos, exceto às pragas alvo (principalmente a broca).

Após a aprovação final e o registro da CTC 20 Bt, o CTC irá trabalhar junto aos produtores, iniciando o processo de distribuição de mudas da nova variedade, e o monitoramento de seu plantio, explica o presidente do Centro. Segundo Leite, “o processo de propagação é similar ao de introdução de uma variedade convencional, com a cana dos primeiros anos sendo usada para expansão da área plantada e não para a produção de açúcar e etanol. Este processo está alinhado com o cronograma de obtenção das aprovações internacionais do açúcar produzido a partir da cana GM”, afirma.

Conab estima safra 2017/2018 de cana em 647,6 milhões de toneladas

Volume é 1,5% menor em relação ao período anterior

Redação*

Canavial-Ed-300x246De acordo com levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2017/2018 de cana-de-açúcar deve ser de 647,63 milhões de toneladas. O volume é 1,5% menor em relação à colheita 2016/2017. A retração é resultado da diminuição da área, que passou de 9,05 milhões de hectares na temporada passada para 8,84 milhões de hectares no ciclo atual.

Ainda segundo a Conab, a redução da área não terá impacto expressivo na produção em decorrência da alta de 0,9% na produtividade, que passou de 72,62 para 73,27 toneladas por hectare.

A produção de cana para o açúcar deve atingir 38,70 milhões de toneladas, volume semelhante ao da safra anterior, que fechou em 38,69 milhões de toneladas. Já a produção de etanol deve ter redução de 4,9%, passando de 27,81 para 26,45 milhões de toneladas na safra 2017/2018.

O levantamento também mostrou que o mercado esteve muito favorável à produção de açúcar no ciclo 2016/2017, atingindo um patamar que não alcançava há pelo menos três safras, por conta da redução de safra na Índia e à abertura de novos mercados na União Europeia. Isso fez com que os produtores brasileiros aumentassem a área colhida na temporada passada, com maior destinação à produção de açúcar em detrimento ao etanol.

*Com informações do Mapa