CTNBio aprova a primeira cana geneticamente modificada do mundo

A nova variedade, desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), é resistente à broca, a principal praga que afeta as lavouras no Brasil, gerando perdas que chegam a R$ 5 bilhões por ano

Assunto: Colheita mecanizada de cana Local: Serrana - SP Data: 07/2006 Autor: Delfim Martins

Foto: Delfim Martins/Pulsar Imagens

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou em 09 de junho a variedade de cana-de-açúcar CTC 20 Bt, que tem como característica a resistência à broca da cana (Diatraea saccharalis), principal praga que ameaça a cultura e que, de acordo com estimativas, causa R$ 5 bilhões em perdas anuais, considerando as perdas de produtividade agrícola e industrial, qualidade do açúcar e custos com inseticidas. O gene Bt (sigla para Bacillus thuringiensis) é amplamente utilizado na agricultura há mais de 20 anos, nos principais países produtores do mundo, incluindo o Brasil, em culturas como soja, milho e algodão.

Segundo os técnicos do CTC, a nova variedade poderá ser cultivada em toda a região Centro-Sul do Brasil, em solos de alta (ambientes A e B) a média fertilidade (ambiente C), sob a seguinte recomendação: em regiões onde o regime hídrico é mais restrito, a cana GM deve ser cultivada somente em áreas de vinhaça ou irrigação por água, mesmo em ambientes A e B, lembrando que, nas áreas de vinhaça, o ataque da broca costuma ser maior. “Esta recomendação também vale para ambiente C, sob qualquer regime hídrico”, complementa o CTC. 

“A aprovação da Cana Bt por parte da CTNBio é uma grande conquista do CTC e do setor sucroenergético nacional. Nos próximos anos, planejamos expandir o portfólio de variedades resistentes à broca, adaptadas a cada uma das regiões produtoras do Brasil. Além disso, o CTC também planeja desenvolver variedades resistentes a outros insetos, bem como tolerantes a herbicidas”, afirma, em nota, Gustavo Leite, presidente do CTC. O executivo explica ainda que, com a Cana Bt, “além dos ganhos econômicos, o produtor poderá simplificar a logística e melhorar a gestão ambiental de suas operações”.

Açúcar e etanol idênticos aos da cana convencional

Segundo Leite, um extenso dossiê cientifico contendo estudos e informações técnicas da cana geneticamente modificada (GM), usando padrões aceitos internacionalmente, foi submetido à CTNBio no final de 2015, para análise de riscos à saúde e ao meio ambiente. Estudos de processo provaram que o açúcar e o etanol obtidos a partir da nova variedade são idênticos aos produtos derivados da cana convencional.

Estudos adicionais mostraram que tanto o gene Bt como a proteína inserida são completamente eliminados nos derivados de cana-de-açúcar durante o processo de fabricação. Além disso, estudos ambientais não constataram quaisquer efeitos negativos relacionados à composição do solo, à biodegradabilidade da cana GM ou às populações de insetos, exceto às pragas alvo (principalmente a broca).

Após a aprovação final e o registro da CTC 20 Bt, o CTC irá trabalhar junto aos produtores, iniciando o processo de distribuição de mudas da nova variedade, e o monitoramento de seu plantio, explica o presidente do Centro. Segundo Leite, “o processo de propagação é similar ao de introdução de uma variedade convencional, com a cana dos primeiros anos sendo usada para expansão da área plantada e não para a produção de açúcar e etanol. Este processo está alinhado com o cronograma de obtenção das aprovações internacionais do açúcar produzido a partir da cana GM”, afirma.

Conab estima safra 2017/2018 de cana em 647,6 milhões de toneladas

Volume é 1,5% menor em relação ao período anterior

Redação*

Canavial-Ed-300x246De acordo com levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2017/2018 de cana-de-açúcar deve ser de 647,63 milhões de toneladas. O volume é 1,5% menor em relação à colheita 2016/2017. A retração é resultado da diminuição da área, que passou de 9,05 milhões de hectares na temporada passada para 8,84 milhões de hectares no ciclo atual.

Ainda segundo a Conab, a redução da área não terá impacto expressivo na produção em decorrência da alta de 0,9% na produtividade, que passou de 72,62 para 73,27 toneladas por hectare.

A produção de cana para o açúcar deve atingir 38,70 milhões de toneladas, volume semelhante ao da safra anterior, que fechou em 38,69 milhões de toneladas. Já a produção de etanol deve ter redução de 4,9%, passando de 27,81 para 26,45 milhões de toneladas na safra 2017/2018.

O levantamento também mostrou que o mercado esteve muito favorável à produção de açúcar no ciclo 2016/2017, atingindo um patamar que não alcançava há pelo menos três safras, por conta da redução de safra na Índia e à abertura de novos mercados na União Europeia. Isso fez com que os produtores brasileiros aumentassem a área colhida na temporada passada, com maior destinação à produção de açúcar em detrimento ao etanol.

*Com informações do Mapa

 

FAO aponta aumento de preços de alimentos em janeiro

Alta é liderada pelo açúcar e pelos cereais, de acordo com a Organização

Redação*

açúcar_MorguefileUm novo comunicado da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) aponta que o preço global dos alimentos aumentou consideravelmente em janeiro, liderado pelo açúcar e pelos cereais, mesmo com grandes estoques destes produtos.

O Índice de Preços de Alimentos marcou 173 pontos em janeiro, o maior em quase dois anos, um aumento de 2,1% em comparação ao valor de dezembro e 16,4% em comparação a janeiro de 2016.

Enquanto 2016 foi o quinto ano consecutivo de queda do Índice global, janeiro marca o sexto mês consecutivo de alta de preços. O preço do açúcar aumentou 9,9%, motivado pela expectativa de prolongada redução do produto no Brasil, Índia e Tailândia. Os preços dos cereais aumentaram 3,4%, com aumento do valor de trigo, milho e arroz.

De acordo com o documento, os preços internacionais do arroz também subiram, em parte por conta do programa governamental de aquisição da Índia, reduzindo as quantidades disponíveis para exportação.

Os preços dos óleos vegetais aumentaram 1,8%, em parte por conta dos baixos estoques de óleo de palma, aliada à baixa produção no Sudeste Asiático. Preços do óleo de soja, por outro lado, melhoraram as expectativas de maior oferta deste produto.

Segundo a FAO, os preços de laticínios não mudaram de dezembro, bem como os da carne, com aumento apenas na carne bovina, em função de manejo de rebanho na Austrália, compensado pelos baixos preços de ovinos e outras carnes.

*Com informações da FAO.