Adama prevê crescimento de 3% para este ano e ampliação de produção no Brasil

Expectativa de crescimento é de 28% para 2018. Empresa prevê abertura de duas unidades em Londrina/PR até 2019 e mais duas, em Taquari/RS, até 2020

Rodrigo Gutierrez, CEO da Adama Brasil

Rodrigo Gutierrez, CEO da Adama Brasil

Num contexto de níveis de estoques altos, venda de produtos ilegais, novas tecnologias de controle no mercado, queda de preços, menor incidência de pragas nas lavouras e clima desfavorável, a venda de defensivos agrícolas vem sofrendo queda nos últimos três anos. Apesar desse cenário global, a Adama, empresa israelense de controle acionário chinês (ChemChina), registrou um crescimento de 8% em 2016 no País, com um faturamento de mais de R$ 1,5 bilhão (cerca de US$ 480 milhões).

Neste ano, a empresa contabilizou crescimento global de 1,2%, no primeiro trimestre, seguido de 2,8% e, no último trimestre, 5,4%. “A previsão é de que o crescimento da empresa seja de 2% a 3% neste ano”, revelou Rodrigo Gutierrez, CEO da Adama Brasil.

No Brasil, as vendas da Adama cresceram 19% no primeiro trimestre de 2017, caindo 11% no segundo período. No último trimestre, voltaram a crescer 4%. Apesar do aumento modesto este ano (3%) em relação a 2016, para 2018 a expectativa de crescimento é bastante otimista – 28%. “Dois lançamentos previstos para este ano foram adiados. Um deles, um nematicida, estamos lançando agora em dezembro e o outro, um produto para ferrugem da soja, embora tenhamos conseguido registro, por questões operacionais só conseguiremos colocar no mercado a partir do próximo ano”, explicou o executivo sobre o crescimento menor em 2017.

A redução do suprimento de matéria-primas oriundas da China teve reflexos no Brasil, de acordo com Gutierrez, e deve causar impacto no negócio local nos próximos anos. “Na China, muitas fábricas foram fechadas por problemas ambientais”, disse. E o Brasil aparece como opção. Para uma empresa chinesa com unidades fabris no país, a situação não poderia ser melhor.

“A cultura do café também é bastante importante para a empresa e apresentaremos soluções para controle da broca, um problema que tem voltado às lavouras. Outra atividade que queremos nos fazer mais conhecidos é a hortifruti. É um mercado meio relegado aqui. Entendemos isso como uma falha de atendimento do mercado e temos oportunidade de ajudar o agricultor com isso”, disse Gutierrez.

O CEO ainda falou em investimentos na produção de matéria-prima no Brasil. “O país tem riquezas minerais para isso”. Até 2019, a empresa prevê inaugurar mais duas unidades de produção em Londrina/PR (onde fica sua sede no Brasil) e, em Taquari/RS, mais duas até 2020. Esses investimentos devem demandar entre US$ 30 milhões e US$ 50 milhões.

Lançamento

A Adama Brasil anunciou ainda o lançamento de um produto para nematóides. Batizado de Nimitz, o defensivo pode ser utilizado nas culturas de café, algodão, cenoura, citros, tomate, pimentão,

Cláudia Dias Arieira, pesquisadora da Universidade Estadual de Maringá/PR

Cláudia Dias Arieira, pesquisadora da Universidade Estadual de Maringá/PR

cana-de-açúcar, batata, pimenta do reino, goiaba e soja. “Estamos trabalhando em laboratório para que o produto possa atender a mais oito culturas”, informou João Giraldi, gerente de portfólio e desenvolvimento de mercado da Adama Brasil.

Segundo Cláudia Dias Arieira, pesquisadora de nematóides da Universidade Estadual de Maringá/PR, os nematóides causam um prejuízo anual para o País de cerca de R$ 35 bilhões. “Faltam informações a respeito do problema, o que tem feito muitos produtores mudarem de atividade”, disse Cláudia.

A pesquisadora explicou que apesar de não haver solução para a erradicação da praga, seu controle é possível, se feito de maneira integrada – biológico, químico e cultural.

Boas Práticas Agrícolas: garantia de segurança ambiental, do agricultor e do consumidor

Por Rafael Milleo*

Rafael Milleo_AdamaO Brasil tem um papel importante na produção de alimentos mundial, principalmente por sua localização privilegiada nos trópicos, que proporciona três fatores primordiais para a boa agricultura: terras, água e excelente clima. Aqui, diferentemente de outros grandes países produtores, temos mais de uma safra em diversas culturas. Com uma boa gestão, uso de ciência e tecnologia, os produtores agrícolas conseguem bater recordes de produtividade ano após ano. Mais que um orgulho para o País, o agronegócio é o setor que compõe a parte positiva da balança econômica nacional.

O desafio a ser enfrentado pelo agronegócio é que, cada vez mais, além da produção em escala, o mercado consumidor vai exigir o atendimento a questões como produção sustentável, certificações necessárias e comprometimento com o meio ambiente. É fundamental, portanto, colocar em prática uma série de procedimentos conhecidos como Boas Práticas Agrícolas (BPA), que envolvem processos que garantem a segurança ambiental e do aplicador e a qualidade do produto final.

Neste cenário, o bom uso e manejo dos insumos é fundamental para o negócio do produtor rural, correspondendo a 60% dos gastos em uma propriedade, em média. Por isso os defensivos agrícolas são parte importante do processo de plantio e, quando utilizados corretamente, atuam como legítimos protetores do cultivo de forma efetiva, eliminando pragas, doenças e plantas daninhas de suas lavouras.

Tecnologia: aliada do agricultor nas Boas Práticas Agrícolas

As soluções tecnológicas desenvolvidas para a agricultura também têm se mostrado grandes aliadas do produtor na execução das BPA. Segundo dados da Confederação Brasileira de Agricultura de Precisão, a tecnologia já é utilizada em 67% das propriedades rurais do Brasil, seja para auxiliar na gestão da fazenda, seja para ajudar na hora da plantação e colheita.

Por meio das informações fornecidas por estações meteorológicas, aplicativos que identificam pragas/plantas daninhas/doenças e drones que identificam matocompetição, o agricultor deixa de aplicar um produto desnecessário na lavoura. Por meio dessas ferramentas e da acuracidade das informações oferecidas por elas, o agricultor consegue optar pelo produto certo, com aplicação da dose correta e na época certa. No caso dos defensivos agrícolas, as tecnologias ajudam até mesmo a evitar a criação de resistência de pragas e doenças.

Além de contar com a tecnologia, alguns fatores também são essenciais para garantir uma execução eficiente das Boas Práticas Agrícolas, como o manejo e conservação do solo para evitar erosões, a preservação dos recursos hídricos, o uso de produtos fitossanitários registrados para a culturas, o uso das doses recomendadas no rótulo do produto e a utilização de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).

8 dicas para boas práticas com defensivos

– Não compre produtos com embalagens rompidas;
– Lembre-se de verificar se o lacre e o rótulo do produto estão em bom estado;
– Verifique o prazo de validade do produto;
– Não compre produtos contrabandeados ou falsificados;
– Respeite o intervalo entre aplicações recomendado pelo fabricante, bem como a dose recomendada pelo técnico;
– Utilize o EPI para a aplicação do defensivo;
– Lave bem as embalagens de defensivos vazias (realizando a tríplice lavagem) e as destine à unidade de recebimento licenciada mais próxima ao seu endereço;
– Consulte sempre um Engenheiro Agrônomo;

*Coordenador de Desenvolvimento de Mercado na Adama Brasil

Dia do Campo: o papel da tecnologia na produção de alimentos

Por Roberson Marczak*

Roberson MarczakMuitas vezes esquecido pela população da cidade, o campo é fundamental para a sobrevivência dos seres vivos e para o desenvolvimento humano. Na última sexta-feira (05) foi comemorado o Dia Mundial do Campo, o bioma mais vasto da Terra que, além de produzir alimentos, gera empregos e renda.

A relação do homem com a agricultura teve início com a Revolução Agrícola, há 12 mil atrás, quando nossos ancestrais descobriram ser possível plantar um grão e não somente colhê-lo já pronto da natureza. A partir dali, nossos ancestrais puderam se fixar em locais – que posteriormente se tornariam cidades – em que haviam conseguido cultivar seus alimentos.

É claro que a ampliação da produção de alimentos como conhecemos hoje em dia não aconteceu da noite para o dia e o conhecimento científico – responsável pelo desenvolvimento de culturas resistentes à pragas e doenças -, assim como a criação de tecnologias, foram imprescindíveis para a produção de alimentos em larga escala da forma como conhecemos.

Aliás, muito diferente do que cidadãos urbanos podem imaginar, os produtores agrícolas são alguns dos maiores consumidores/beneficiários da tecnologia. Assim como apps de redes sociais, de exercícios físicos ou book readers, as tecnologias digitais voltadas à agricultura auxiliam os agricultores na produção de mais alimentos para o mundo, a otimizarem suas plantações e aumentarem sua rentabilidade. Mas como a tecnologia consegue auxiliá-los na missão de alimentar a população?

Tecnologia aumenta produtividade da lavoura e é fundamental para a segurança alimentar

De acordo com a ONU, em pouco mais de 30 anos a estimativa é de que o mundo tenha 9,7 bilhões de pessoas, cerca de 2,2 bilhões a mais do que a população atual. Isso significa que precisaremos produzir cada vez mais alimentos e, ao mesmo tempo, diminuir o impacto da agricultura na utilização dos recursos naturais de nosso planeta.

Para isso, as tecnologias digitais aplicadas à agricultura são grandes aliadas dos produtores rurais no aumento da produtividade das lavouras. Segundo dados da CBAP (Confederação Brasileira de Agricultura de Precisão), a tecnologia já é utilizada em 67% das propriedades rurais do Brasil, seja para auxiliar na gestão da fazenda, seja para ajudar na hora da plantação e colheita da produção.

Exemplo de sucesso no agronegócio, os aplicativos são populares, de fácil manuseio e, geralmente, gratuitos. Basta realizar a busca na PlayStore ou na AppleStore para localizar dezenas deles. Apps voltados para o hortifruti e para as principais commodities agrícolas são alguns das opções encontradas.

Outra ferramenta muito utilizada pelos agricultores são as estações meteorológicas. Afinal, tão importante quanto aplicar fertilizantes e defensivos em uma plantação é a previsão do tempo. Sites que fornecem estes dados são os mais acessados por produtores. Agora imagine ter uma estação meteorológica em sua fazenda, que fornece dados muito mais precisos e que te ajudam a economizar milhares de reais em insumos agrícolas. Pois saiba que isso já é uma realidade há algum tempo.

E quem disse que os Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs), também conhecidos como drones, não podem ser aproveitados no campo? A agricultura, aliás, é responsável por 25% do mercado desses pequenos veículos que auxiliam o agricultor na identificação de pragas, deficiências e falhas nas plantações.

É evidente que todo o auxílio tecnológico depende também da conscientização sobre a utilização do campo e sua importância para os seres vivos. É preciso usá-lo de forma responsável e inteligente para que seja viável produzirmos alimentos e continuarmos o desenvolvimento humano que só foi possível graças à descoberta da agricultura.

*Roberson Marczak é gerente de Inovação na Adama Brasil S/A, empresa de origem israelense, com sede em Londrina.