Soluções sustentáveis para a água no agronegócio

Por Edeon Vaz Ferreira*

Edeon Vaz CCASA água é elemento fundamental para a vida animal ou vegetal e deve ser considerada assim por todos e, principalmente, pelos agricultores que necessitam da disponibilidade deste insumo vital para sua atividade. A gradativa escassez da água em função de mudanças climáticas faz com que a forma de consumo deste precioso líquido seja alterada. Os produtores devem passar a ser também produtores de água, a preservação das nascentes é essencial para a manutenção de nossos cursos d’água, as propriedades rurais necessitam administrar a produção e o consumo, para sobrevivência da atividade.

Existem tecnologias adequadas a cada finalidade, desde a produção pecuária,  suinocultura, avicultura, bovinocultura, cujo consumo de água pode ser administrado com o mínimo de volume possível, até a agrícola como na produção de frutas, hortaliças, leguminosas e cereais. O gotejamento tem demonstrado ser para algumas culturas a técnica mais adequada, principalmente na fruticultura. Em outras, porém, a melhor eficiência fica por conta da microaspersão. Técnicas como corrugação, aspersão convencional ou por inundação, quando possível devem ser evitadas.

O represamento de águas de chuva e de pequenos cursos d’água podem trazer grandes benefícios à propriedade rural, bem como ao meio ambiente. A construção de grandes barragens pode ser uma grande solução para armazenamento de água no período chuvoso, que poderá representar a otimização da agricultura.

 Mas, voltando ao assunto tratado no início deste artigo, mais importante do que utilizar de técnicas para economicidade no uso da água, é produzi-la. Quer seja em sua propriedade ou na sua bacia, envolvendo vários proprietários ou não, todos devem buscar tratar as nascentes dos cursos d’água como propriedade coletiva, desenvolvendo sua preservação de forma condominial, cada um participando no plantio de espécies que possam proteger as nascentes, bem como perenizá-las. Desta forma todos poderão fazer o uso adequado, utilizando as técnicas de irrigação com menor consumo de água possibilitando a melhor produtividade para aquela cultura.

Pois bem, todas as ações acima apontadas permitirão termos sustentabilidade na atividade agrícola, garantindo a continuidade da atividade no campo e o fornecimento de alimentos para as cidades.

*Conselheiro Fiscal do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Diretor Executivo do Movimento Pró Logística de Mato Grosso.

Manejo integrado é caminho possível para o controle de pragas, acredita Arysta

O mercado mundial de produtos biológicos para o controle de pragas, os biodefensivos, tem registrado índices de crescimento cinco vezes superiores ao da indústria de defensivos químicos. A tendência é a mesma no Brasil, motivada por fatores como resistência de pragas, necessidade de reduzir custos de produção e apelo do consumidor por alimentos livres de resíduos químicos. Alinhada a essa tendência, a Arysta LifeScience tem apostado cada vez mais na associação dos químicos com os biológicos em seu portfólio.

Leia na entrevista com o engenheiro agrônomo Lucas Rona, gerente LatAm Pronutiva da empresa:

Lucas

O senhor poderia nos explicar o conceito de saúde vegetal e como a Arysta o enxerga?

Há uma demanda cada vez mais forte por alimentos e isto não se refere somente à quantidade, mas também à qualidade e que o produto seja fruto de uma agricultura sustentável.
O alimento que todos querem deve ter menos resíduo químico e é melhor do ponto de vista nutricional. Assim, o conceito de saúde vegetal desenvolvido pela Arysta aqui no Brasil enxerga que alimento deve ser cuidado desde o cultivo até à mesa do consumidor.

De uns anos pra cá, a indústria química tem voltado seus olhos e até investido em soluções biológicas em seu portfólio. Você enxerga o manejo integrado como um caminho natural do setor?

Não posso falar por toda a indústria. Há indústrias de soluções biológicas que se voltam somente para o orgânico, por exemplo. O que posso dizer é que a Arysta já vem trabalhando com essa associação – químicos e biológicos – há 10 anos. Não de uma forma tão sistemática como agora, mas desde essa época sempre apresentamos a combinação como uma solução, que se mostra mais eficaz, do ponto de vista da proteção de cultivos; do menor uso de defensivos químicos e, consequentemente, melhora no manejo de resíduos; de maior produtividade e maior tempo de prateleira do produto.
Em relação a custo, o que precisamos analisar é quanto se gasta por unidade produzida. Em culturas como a cana-de-açúcar, pudemos observar uma redução de até 90% dos custos de produção, na associação com os biológicos.

Os biológicos crescem no mundo a uma taxa de 15% ao ano, cerca de cinco vezes mais do que os defensivos químicos, segundo dados da ABCBio, a associação do setor; mas ainda representam cerca de 1% desse mercado de controle de pragas. Como vão chegar ao campo, de fato, como uma solução?

Alf Ribeiro

Vendas de biológicos crescem 15% a.a.

Há ainda muito trabalho a se fazer com os agricultores e a própria cadeia também precisa se voltar mais para isso. A tecnologia no campo é uma realidade cada vez mais presente. Associados a isso, os custos cada vez mais altos, o acesso ao crédito mais difícil, além de uma demanda crescente por alimentos livres de resíduos químicos, como já citei, são fatores que levam o produtor rural a buscar soluções que lhe deem o máximo do potencial genético de uma planta e, ao mesmo tempo, lhe garantam mais rentabilidade. É aí que os biológicos entram. É um mercado muito pequeno, mas que vem crescendo de forma exponencial (cerca de 15% ao ano) e, por isso, vem se consolidando como uma tendência.

Que tipo de cultivo tem adotado mais o uso de biológicos no campo?

Em virtude do tamanho de seu mercado, a soja tem utilizado mais essa solução.

Além da aposta no controle biológico, a Arysta LifeScience, participa de uma iniciativa de proteção às abelhas, que são forte aliadas da agricultura, pela polinização. O senhor poderia falar um pouco dessa iniciativa?

A Arysta é  signatária do Compromisso 2020,  com um plano de metas até o ano de 2020 elaborado pelo projeto Colmeia Viva®, iniciativa do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) que estimula a valorização da proteção racional dos cultivos, serviço de polinização realizado pelas abelhas, proteção da biodiversidade e respeito à apicultura.

O tema traz muita preocupação e sua solução exige a união de forças dos vários agentes da cadeia da produção e alimentos, com muito comprometimento e responsabilidade. Além de participar do Colmeia Viva® , a Arysta lançou há 10 anos o programa Aplique Bem, que já treinou mais de 60 mil agricultores em todo Brasil sobre a importância da aplicação correta e responsável de defensivos agrícolas.

* com Sílvia Sibalde. 

Foto do entrevistado: Divulgação/Arysta; foto de pulverização: Alf Ribeiro.

 

Programa de Recuperação Ambiental é regulamentado no Estado de São Paulo

Atuando como um desdobramento do CAR, a expectativa é de que um milhão de hectares de áreas degradadas ou alteradas sejam restaurados

fazenda-300x225 Na última terça-feira (12), a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo anunciou a regulamentação do Programa de Regularização Ambiental (PRA) no Estado por meio do Decreto nº 61.792. O PRA funcionará como um desdobramento do Cadastro Ambiental Rural (CAR) em âmbito estadual.

“A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo será responsável pela homologação do Projeto em propriedades de até quatro módulos fiscais e fornecerá o apoio técnico para a execução dos projetos de recomposição e levantamento dos dados e indicadores para monitorar cada etapa. Analisaremos também a ocupação do imóvel rural e do desmatamento da vegetação nativa existente, para definir a dispensa de recomposição, compensação ou regeneração para os percentuais do Novo Código Florestal nestas propriedades”, explicou, em entrevista ao CenárioAgro, Arnaldo Jardim, Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Segundo o Secretário, a adesão ao PRA vai garantir o uso econômico de áreas de ocupação consolidada em áreas de Proteção Permanente (APP), facilitar a instituição de Reservas Legais, possibilitar a revisão dos termos de compromisso firmados sob a exigência da sistemática florestal anterior, além de suspender a cobrança de autuações e multas ambientais.

Para solicitar a regularização dos imóveis pelo PRA, os proprietários rurais deverão estar inscritos no CAR e apresentar o Projeto de Recomposição de Áreas Degradadas e Alteradas (Prada) no período de até um ano do início da implantação, conforme a resolução que ainda será editada pela Secretaria.

O projeto será, então, acompanhado e, a cada dois anos, o produtor precisa ter concluído pelo menos um décimo da proposta original, no período máximo de 20 anos. “Com a conclusão e a homologação do projeto, as multas suspensas serão definitivamente extintas e convertidas em serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente”, diz Jardim.

“A adesão ao PRA é fundamental para que os produtores rurais possam manter as atividades agropecuárias nas chamadas ‘áreas consolidadas’. Além da regularização, o Programa garante que eles possam ter acesso ao crédito rural e evitem dificuldades na venda de sua produção”, diz em nota, Rubens Rizek Jr., secretário-adjunto de Agricultura.

A expectativa da Secretaria é de que, com a adesão ao PRA, um milhão de hectares de áreas degradadas ou alteradas sejam restaurados, permitindo o plantio de mais um bilhão de novas árvores nesta área.