Boa governança e consistência são essenciais para a captação de recursos externos

Receita é dada por Fernando de Queiroz, da Minerva Foods, em painel sobre Mercado de Capitais e Dívida no seminário AgriFinance, organizado pela consultoria Datagro e pela XP Investimentos, nesta quarta-feira (08)

Agrifinance Minerva

Queiroz: “Construímos um histórico de credibilidade com os investidores”

“O setor de proteína animal no Brasil está hoje bastante consolidado, apesar de ainda haver desafios, consequência de certos artifícios usados até há pouco tempo. Agora a eficiência e a boa gestão voltam a predominar e fazer a diferença”, afirmou, “alfinetando” a concorrência, Fernando Galletti de Queiroz, CEO da empresa de proteína animal Minerva Foods, no AgriFinance, nesta quarta-feira em São Paulo. O executivo lembrou que o Brasil importava carne até o início dos anos 2000 e atualmente é o maior exportador mundial do produto.

Empresa de capital aberto, com capacidade de abate de mais de 26 mil cabeças por dia e forte presença na América do Sul – em locais como Argentina, Uruguai, Colômbia e Paraguai, onde diversas unidades foram adquiridas neste ano da JBS -, a Minerva exporta atualmente para 100 países, sendo as principais regiões compradoras o Sudeste Asiático e, em segundo lugar, Oriente Médio. As vendas externas representam cerca de 60% das receitas do grupo.

Para Queiroz, credibilidade é muito importante para os negócios e para as captações externas de bonds. “Construímos um histórico com os investidores, usando sempre uma comunicação muito clara, indicando o que faríamos e onde pretendíamos chegar”, revelou o executivo, indicando a boa governança, a existência de fortes controles e a diversificação geográfica como fator de sucesso do grupo.

“Nós, da América Latina, somos imbatíveis na produção de soft commodities, mas precisamos mostrar que temos boa governança para obtermos mais investimentos e explorarmos melhor essa nossa vocação natural”, ensinou, pedindo, como os demais participantes do evento, regras mais estáveis e menor interferência governamental nos negócios. Segundo Queiroz, a Minerva ainda possui outro diferencial, que é o selo IFC1, do Banco Mundial, que atesta governança e sustentabilidade.

Por falar em sustentabilidade e boa governança, a Minerva não foi incluída nas acusações de corrupção de fiscais do Ministério da Agricultura e gerentes de frigoríficos, na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, em março deste ano. Questionado sobre os green bonds, o executivo disse que até agora a empresa não captou os títulos verdes, pelo fato deles ainda não terem se mostrado tão atraentes, mas que “estão no nosso radar”.

(1) Sigla de International Finance Corporation, um braço do Banco Mundial.