Caravana da Produtividade dá largada à sua segunda edição

Com cinco equipes simultâneas, o projeto percorrerá 136 cidades em 19 estados dos principais polos pecuários do Brasil

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Pedro Bacco, diretor da àrea de Negócios de Grandes Animais da Merial Saúde Animal

Pela segunda vez, a Caravana da Produtividade põe o pé na estrada para percorrer os principais polos pecuários do Brasil. Com largada prevista para a próxima quinta-feira, 15/9, o projeto é uma realização da Merial Saúde Animal, DSM Tortuga, Dow AgroSciences, JBS e Volkswagen. “Vamos ampliar o trabalho realizado em 2015. Para isso, teremos cinco unidades móveis se locomovendo simultaneamente em diferentes regiões do País. Ao todo, visitaremos 136 cidades em 19 estados, o que corresponde a 72 mil Km rodados em 10 semanas, de setembro a novembro”, explicou em coletiva de imprensa realizada nesta manhã (12), Pedro Bacco, diretor da área de Negócios de Grandes Animais da Merial Saúde Animal.

A Caravana tem uma programação que envolve 480 visitas, cerca de 50 eventos, entre jantares, palestras e dias de campo. “Queremos impactar 2.500 pecuaristas diretamente”, anseia Bacco. A equipe 1 percorrerá os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná; a 2 – São Paulo e Mato Grosso do Sul; a 3 – Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás; a 4 – Bahia, Sergipe, Pernambuco, Tocantins, Maranhão, Ceará e Pará e a 5 – Mato Grosso, Rondônia e Acre.

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Representantes das empresas parceiras durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira

De acordo com o diretor de Negócios da Merial, será realizado um forte trabalho junto às revendas com o objetivo de difusão de tecnologias para o setor. “O uso de tecnologia é diretamente proporcional à qualidade do produto final. Nossa meta é falar com o maior número de pecuaristas possível e, para isso, precisamos contar com a ajuda dos balconistas, que serão qualificados para orientar os produtores neste sentido”, diz Bacco. “A concentração existe e sempre vai existir; precisamos é fazer com que os pecuaristas que têm risco de serem excluídos pela intensificação tecnológica dos mais eficientes sejam mais impactados com este trabalho”, acrescenta.

O projeto conta também com o apoio da Assocon, Inttegra, Apta, ABMRA, Agroconsult e ABCZ.

Os resultados da Caravana devem ser apresentados na primeira semana de dezembro de acordo com a Merial, empresa idealizadora da ação.

Manter os pecuaristas “do meio” na atividade é desafio

Cerca de 250 mil produtores brasileiros de carne estão em risco de serem excluídos da atividade, alertam os especialistas da Agroconsult

Cristina Rappa

“A intensificação tecnológica da pecuária melhora as performances econômica e ambiental, mas dos 1,7 milhão de pecuaristas brasileiros (cifra do Censo Agrícola de 2006 do IBGE), apenas cerca de 300 mil operam em níveis de tecnologia que viabilizam economicamente sua sobrevivência na atividade. E, desses, 250 mil – o pessoal da ‘série B’ – estão em risco de serem excluídos pela intensificação tecnológica dos mais eficientes”. A afirmação foi feita pelo consultor André Pessoa, da Agroconsult, no seminário “A Pecuária está preparada para o sucesso?”, promovido pelo Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS) na manhã desta 3a feira (16) em São Paulo.

Pessoa baseia-se em levantamento feito pelo Rally da Pecuária e apresentado pelo consultor Maurício Nogueira, também da Agroconsult, que constatou que, na média nacional de produtividade em 2015, propriedades de pecuária de corte de até 200 hectares e que produzem até 5 arrobas/ha/ano dão prejuízo.

Para Pessoa, enquanto o grupo dos 50 mil pecuaristas mais tecnificados do país está melhorando seus indicadores ambientais, levado por motivação econômica e pressão da sociedade civil, a maioria está piorando de situação. Para agravar ainda mais as diferenças, esse grupo da ‘série A’ conta com as melhores taxas de financiamento, tanto do Plano ABC quanto dos bancos privados, enquanto o crédito agrícola é raro para a grande maioria.

“As metas de produtividade ambiental serão possibilitadas pelos produtores de ponta, mas serão obtidas às custas de um rápido processo de concentração com a consequente exclusão social dos produtores de baixa tecnologia”,  afirmou Pessoa.

Para o consultor, recolocar os intermediários no “jogo” e pensar em que mensagens levar para eles deveria ser parte da estratégia do GTPS. Programas de capacitação e a ampliação do mercado de carne podem dar chance de um maior número de produtores ser incluída no processo de intensificação, acredita Pessoa.

Políticas públicas

Isso porque a maior parte dos pecuaristas, os cerca de 1,4 milhão que produzem até 5 arrobas/ha/ano, já podem ser considerados excluídos do mercado. A maioria desses tem renda inferior a um salário mínimo, acaba se desfazendo aos poucos dos bens para sobreviver, e adotando práticas que são o oposto do que preconiza o manual de boas práticas ambientais: uso exagerado do fogo para limpeza da área, exploração ilegal da fauna, como comércio de animais silvestres, na tentativa de manter a renda da família.

Cristina Rappa

Pessoa (à esq.): “A inclusão é boa para todos “

Para esses, deve haver políticas públicas de longo prazo, para evitar um outro problema que é a absorção dessa população pelas cidades. “Os pagamentos por serviços ambientais podem ser uma alternativa para a sobrevivência de parte desse grande grupo”, sugere ainda o consultor.

Com esse grupo, a abordagem, para tentar postergar sua saída do mercado até a geração seguinte, deve ser sobre manejo de pastos, mineralização, sanidade, reprodução, uso de touros, e definição entre venda de bezerro e produção de leite. “Falar de Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta com quem mal faz pecuária não funciona”, provoca Pessoa.

Para ele a inclusão de um maior número de pecuaristas ao processo é boa para todos: o frigorífico, que vai poder contar com mais fornecedores, reduzindo seu risco, o meio ambiente e a população, que vai contar com maior oferta de carne.

“Salto de produtividade se dará com conhecimento aplicado”

Mesmo com clima irregular, a safra brasileira de soja chegará às 101,7 milhões de toneladas, constatou o Rally da Safra 2016. Para o engenheiro agrônomo Dirceu Gassen, homenageado desta edição do programa, produzir mais é possível e o segredo para isso está em “fazer bem feito” e investir em pessoas

Fotolia

O clima não ajudou nem um pouco, especialmente no Mapitoba, como é chamada a região que engloba as áreas agrícolas dos Estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia. Mesmo assim, a produtividade média da soja nesta safra deverá crescer 5% em relação à anterior, para 51 kg/hectare, atingindo o recorde de 101,7 milhões de toneladas. Os dados, revelados na última quarta-feira, 16, fazem parte do levantamento do Rally da Safra 2016, coordenado pela Agroconsult.

Para o engenheiro agrônomo e consultor Dirceu Gassen, homenageado nesta 13a edição do Rally da Safra na modalidade Assistência Técnica e Consultoria, quem fez uso das boas práticas agronômicas – como rotação de culturas, manutenção da palha no solo, controle biológico de pragas, correta aplicação dos insumos – além de ter organização e se preocupar com a gestão, teve bons resultados, mesmo com o clima adverso.

E é o que pode explicar o fato de a equipe do Rally ter observado produtores colhendo até 70 sacas/ha mesmo em solos pobres, arenosos, enquanto outros colhiam 30 sacas/ha em solos argilosos.

Dirceu Gassen (centro) foi homenageado neste Rally da Safra

Dirceu Gassen (centro) foi homenageado neste Rally da Safra

“O que colhemos no final da safra é conhecimento por hectare”, afirma Gassen, para quem os produtores que o utilizam podem chegar a colher 100 sacas/ha. “Temos potencial para produzir 40% a mais, sem nenhum insumo diferente e revolucionário, apenas fazendo bem feito”, diz, recomendando ainda o investimento em capacitação. “Investir em pessoas é a chave para ter bons resultados”, completa.

“Onde há o emprego de tecnologia consistente há anos, a lavoura sobrevive melhor à seca e às demais intempéries”, referendou o ex-ministro Roberto Rodrigues, em seu discurso na cerimônia de encerramento do Rally, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP.