Índice de Confiança do Agronegócio atinge 99,1 pontos

Indicador apresenta melhora, com alta de 6,7 pontos no 3º trimestre deste ano, refletindo otimismo do setor

Redação*

Aprosoja-JM-lowres-300x199O Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro), medido pelo Departamento do Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), subiu 6,7 pontos no 3º trimestre deste ano em relação ao 2º trimestre, ficando em 99,1 pontos, o que indica uma melhora significativa das expectativas. De acordo com a metodologia do estudo, uma pontuação acima de 100 pontos corresponde a otimismo e abaixo, indica baixo grau de confiança.

A recuperação do indicador foi percebida em todos os segmentos pesquisados. A indústria antes da porteira (insumos agropecuários) somou 104,8 pontos, alta de 11 pontos ante o trimestre anterior. “Algumas incertezas que pairavam sobre o setor ao longo do ano foram amenizadas. Até a pesquisa atual, as vendas de defensivos e fertilizantes avançaram pouco, uma vez que muitos produtores mantiveram uma postura mais cautelosa, adiando as aquisições dos insumos, diante dos baixos preços das principais commodities agrícolas, como soja e milho. À medida em que o plantio da safra de verão se aproximou, porém, as negociações voltaram a ocorrer, o que justifica a melhora da percepção das indústrias de insumos”, disse em nota Antonio Carlos Costa, gerente do Deagro da Fiesp.

Para a indústria depois da porteira (alimentos e tradings), houve avanço de 5,8 pontos, para 102,7 pontos, ante o último levantamento. O resultado mostra que essas empresas retornaram a um patamar de otimismo moderado, muito próximo ao registrado em 2016.

Já para o produtor agropecuário, o avanço foi de 5,9 pontos em relação ao trimestre anterior, para 93,2 pontos. De acordo com o índice, o crédito foi um dos aspectos que contribuiu para melhorar os ânimos nos dois grupos. O avanço do indicador apresentou uma alta mais moderada para o produtor agrícola dentre as categorias pesquisadas, ao alcançar 92,9 pontos, aumento de 3,1 pontos.

No trimestre, os ânimos melhoraram em outro aspecto relevante: os preços agrícolas de commodities importantes como a soja e o milho se recuperaram um pouco em relação ao 2º trimestre, com a abertura de algumas janelas de comercialização.

Ainda segundo o índice, esse movimento foi ofuscado pelo menor entusiasmo em relação à produtividade. “Isso era previsto, já que não se espera que as lavouras de grãos repitam os resultados recordes obtidos na safra passada”, disse Márcio Lopes de Freitas, presidente da OCB.

Os pecuaristas formam o grupo que mais ganhou confiança no trimestre. Seu indicador subiu 14 pontos, chegando a 94,2 pontos. Depois de registrar no 2º trimestre o patamar mais baixo da série histórica (80,2 pontos), influenciado pela Operação Carne Fraca e a delação da JBS, o indicador da pecuária mostrou recuperação, embora ainda esteja abaixo dos 100 pontos.

*Com informações da assessoria da Fiesp

 

Qual é o perfil das mulheres que atuam no agronegócio?

Levantamento realizado com 862 mulheres em todo o Brasil apontou alguns dados sobre a participação feminina num setor dominado por homens

Congresso Mulheres do AgroEncomendada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e realizada pela IPESO, a pesquisa “Todas as Mulheres do Agronegócio” foi apresentada hoje (17) no primeiro dia do 2º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio – Liderança Globalizada, Empreendedora e Integrada”, em São Paulo. O estudo, feito em junho e julho deste ano, entrevistou 862 mulheres de todas as regiões do País e, por meio de um questionário com 48 perguntas, abordou temas como perfil da propriedade rural, setores de atuação, jornada de trabalho, família e sucessão, anseios e preocupações e também valores, interesses e opiniões.

“A pesquisa mostra a mulher como uma aceleradora de mudanças. É uma nova imagem do agronegócio para a sociedade urbana”, disse José Luiz Tejon, coordenador do Núcleo de Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM/SP), durante a apresentação dos resultados.

“Além de termos um universo muito maior de mulheres em relação ao ano passado (que foi 300), a pesquisa se mostrou mais completa por conta de sua abrangência nacional. Contamos com o cadastro do CNA/SENAR para chegar até elas, que foram escolhidas mediante sorteio”, explicou Victor Trujillo, presidente da IPESO.

“Importante lembrar que a pesquisa falou com gente empreendedora, independente do tamanho da propriedade. Não nos debruçamos, por exemplo, sobre o papel das mulheres em assentamentos rurais. Este seria um trabalho muito mais hercúleo”, completou Tejon.

Resultados

De acordo com o levantamento, 49,5% das entrevistadas atuam em minifúndio, 26,1% em pequenas propriedades, 13,5% em médias e 10,9% em grandes fazendas. Em relação ao tipo de atividade, 73,1% trabalham dentro das fazendas, 13,9% nos elos da cadeia produtiva após a fazenda e 13%, antes da porteira. Quando o assunto é o tipo de atuação, 73% das mulheres trabalham em atividades dentro da propriedade rural, 3,7% em cooperativas, 3,4% operam na área de insumos, 3% são fornecedoras de produtos ou serviços para a cadeia do agro; 2,8% estão no comércio, 2,3% atuam em segmentos ligados a governo e 2,1% trabalham em atividades da agroindústria.
O estudo apontou ainda que quanto à posição ocupada no negócio, a maioria (59,2%) é proprietária ou sócia; 30,5% é funcionária ou colaboradora e 10,4% é composto por gestoras, diretoras, gerentes, coordenadoras ou atuam em funções administrativas.

Gênero

Mais de 61% das entrevistadas afirmou não ter sofrido problemas de liderança nos últimos dois anos pelo fato de ser mulher. Porém, quando o assunto é preconceito, 44,2% responderam ter sofrido preconceito evidente, 30% apontaram preconceito sutil e 25,8% diz não ter sofrido preconceito. “O preconceito existe, mas as mulheres mostraram também que têm disposição de enfrentá-lo com trabalho”, disse Tejon.

“Pesquisas nos trazem momentos de reflexão. Olhando pra estes dados, eu me pergunto – o que trouxe as mulheres até aqui? Foi a Educação. Ultrapassamos o paradigma de que as mulheres têm o papel de curadoria da sociedade para a consciência de que elas têm o poder de tomar decisões, de gerir carreira e pessoas”, disse Vera Ondei, editora chefe da revista Dinheiro Rural.

A pesquisa completa estará disponível nos sites da Abag e do evento a partir de 20/10.

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Mulheres conectadas e amantes da vida no campo

 

O novo profissional do campo brasileiro

Como o setor  tem se preparado para as transformações que vem sofrendo nos últimos anos

Por Renato Ponzio Scardoelli*

O agronegócio é um dos poucos setores da economia que cresce durante a crise econômica. O emprego gerado em fazendas e agroindústrias vem, porém, sofrendo transformações nos últimos anos. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, mês após mês, o setor apresenta saldo positivo de carteiras assinadas. Até julho, 126 mil trabalhadores formais foram adicionados ao agro.

Além de atividades que envolvem o campo, como colheita, aplicação de produtos, consultoria técnica, serviço de armazenamento e transportes, outros profissionais que não são graduados em Ciências Agrárias também encontram lugar neste mercado de trabalho, já que as empresas precisam também de especialistas em finanças, recursos humanos, administração, contabilidade e logística, entre outros.

Mas, ao mesmo tempo em que atrai muitos jovens, que enxergam uma oportunidade de ascensão pessoal, o setor passa a exigir maior capacidade técnica e competência gerencial destes profissionais, que ao lado dos produtores rurais, são responsáveis por uma safra que chegou a 240 milhões de toneladas de grãos na temporada 2016-2017.

Para o engenheiro agrônomo e gerente de Educação Formal do Senar Goiás, Fernando Couto de Araújo, o profissional que deseja ingressar no agronegócio deve prezar pela capacitação permanente. “Ele deve estar atento às mudanças tecnológicas que surgem constantemente, buscando se capacitar continuamente para acompanhar esta elevação e ocupar posições estratégicas dentro do setor do agronegócio. As atividades agrícolas e pecuárias estão cada vez mais competitivas, com margens de lucro cada vez mais estreitas. Portanto, os profissionais envolvidos devem realizar suas atribuições com eficiência, para contribuir para a viabilidade destas atividades”, explica.

Renato_SouzaCom o intuito de buscar o aperfeiçoamento profissional e ampliar as oportunidades de negócio, o empresário Renato Souza Santos, de 37 anos, investiu em um curso de Educação a Distância (EaD), desenvolvido pelo Senar Goiás.

Após criar a Hover Drone BR Agroambiental e trabalhar com mapeamento aéreo em áreas agricultáveis, ele percebeu a necessidade de buscar mais conhecimento em agricultura de precisão. “Como o negócio já existia, o curso somou e aperfeiçoou meu conhecimento. Hoje, nossos serviços buscam atender todas as áreas do agronegócio, de pequenas a grandes áreas. E como os Drones ou Vants podem ser empregados em todos os ciclos das culturas, durante todo o ano existe procura”, afirma.

As atividades envolvem monitoramento de lavouras e plantações, captação de falhas nas plantações, contagem de mudas e árvores, imagens georreferenciadas, contagem de rebanho e topografia.

Daniel Kluppel Carrara, Diretor Geral da Faculdade CNA, primeira instituição de ensino voltada exclusivamente para o agronegócio, criada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, alerta que o país ainda não oferece cursos especializados direcionados ao setor. “Ainda temos muita carência de cursos com conteúdos específicos para a agropecuária e o agronegócio. Hoje o campo é tão tecnológico, quanto a cidade. Exige profissionais altamente qualificados. Mas, até pouco tempo, por exemplo, não existia no País nenhum curso com foco em gestão de pessoas para o setor rural”, exemplifica.

Responsável pelo Marketing e Recursos Humanos da Jaguacy Avocado, maior produtora e exportadora da fruta (que pertence à família do abacate) no Brasil, Lígia Falanghe Carvalho, explica o Avocadoque a levou a fazer um curso de extensão em gestão de pessoas. “Em época de colheita chegamos a empregar 600 colaboradores, então me especializar foi fundamental para ampliar meus conhecimentos na área de RH, auxiliando em técnicas de recrutamento e esclarecimento da legislação trabalhista”, afirma.

*jornalista e radialista