Público urbano vê como positiva vocação agrícola do país, mostra pesquisa

Pesquisa realizada com 1022 moradores das principais capitais de todas as regiões brasileiras mostra haver conhecimento favorável sobre o agronegócio. TV é o veículo de comunicação de maior penetração e maioria (73%) disse estar disposta a votar em candidato a presidente que tenha como proposta “estabelecer o Brasil como o país do agronegócio”

Morguefile“O Brasil é um país de muitos recursos naturais que tem enorme potencial para liderar a atividade produtiva no mundo, impulsionando a atividade econômica”. Esta foi uma das respostas que surgiram entre os mais de mil moradores de capitais brasileiras quando solicitados a descrever a vocação natural do Brasil enquanto atividade produtiva e econômica, entrevistados pela empresa Bridge Research. A pesquisa, realizada em outubro de 2017 e em parceria com as empresas Plant Project e JH/B2F, pretendia checar como o público urbano enxerga o agronegócio.

“O segmento de consumo de informações está crescendo e como o agronegócio é um setor de destaque na economia brasileira, resolvemos realizar a pesquisa de percepção”, explica Renato Trindade, diretor da Bridge Research, que fez pela primeira vez essa pesquisa.

“A opinião que o morador da capital tem sobre o agronegócio é favorável, 19% mostra conhecer o setor, mas muitos só o relacionam as atividades agrícolas propriamente ditas, ou seja, lá no campo mesmo”, disse Trindade, informando que boa parte das pessoas que responderam a pesquisa precisaram ser “estimuladas” para associar o setor a vestuário, pneus, etanol combustível, mobiliário etc., ou seja, a itens do seu dia a dia. Aí, se perguntados se concordavam que esses produtos são de origem agropecuária, 64% dos entrevistados disse concordar.

Noventa e quatro por cento dos entrevistas afirmaram considerar o agronegócio importante para o Brasil, 91% que o setor é importante para “gerar alimento para o mundo, e 96% disseram ter orgulho de o Brasil ser reconhecido como “a nação do agronegócio”. Quatro por cento apresentou uma visão negativa: para esses, o agro está “ligado diretamente ao desmatamento e à degradação do meio ambiente”.

Entre os produtos de destaque do agro brasileiro, os entrevistados mencionaram soja e café em primeiro lugar (38%), depois carne bovina (27%), milho e cana-de-açúcar (18%), sendo que o milho foi mais mencionado no Sul e no Centro-Oeste.

Campanha e eleições

A TV é de longe (94%) o veículo de maior penetração na população, à frente da internet (32%), do rádio (10%), do jornal impresso (10%) e da revista impressa (9%). Assim, não chega a surpreender que a campanha da Rede Globo “Agro é tech, agro é pop, agro é tudo” tenha apresentado um índice bastante alto de recall (94%), com 28% lembrando-se do slogan. “Mídia de massa é um forte ponto, mas sozinha ela não sustenta a comunicação”, diz Trindade, para quem o trabalho deve ser contínuo e envolver outras ações e mídias.

A escola aparece como um importante veículo de informação, sendo que os jovens cursando o primeiro e o segundo graus mostraram possuir maior conhecimento sobre o agronegócio do que o público mais velho.

Sobre as eleições, 73% dos entrevistados revelou estar disposto a votar em um candidato a presidente que tenha como proposta “estabelecer o Brasil como o país do agronegócio”.”Qualquer candidato, de qualquer partido, que se apropriar da bandeira de país ‘celeiro do mundo’ terá boa aceitação”, acredita Trindade, da Bridge Research.

São Paulo recebe evento de tecnologia aplicada para o agronegócio

Em sua 1ª edição, Agrifutura espera receber 5 mil pessoas

AgrifuturaEm 3 e 4 de março, São Paulo será palco de um evento que reunirá institutos, empresas, startups, pesquisadores e produtores para conhecer e discutir inovações tecnológicas dos mais diversos setores do agronegócio. Organizado pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag) em parceria com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e o Instituto Biológico, o Agrifutura contará com exposição e painéis. “Teremos a participação tanto de empresas já bastante consolidadas no mercado como também de startups. O produtor que vier encontrará desde a nova variedade de citrus como de tecnologias via satélite”, diz Carlos Henrique Paes de Barros, coordenador do evento.

“Contaremos com um hackathon também, em que agricultores terão a oportunidade de obter soluções sugeridas por programadores e especialistas a problemas ligados ao clima, doenças e pragas e comercialização de produtos, por exemplo”, completa Barros.

Para a primeira semana de fevereiro, o evento deve iniciar as inscrições para a participação de startups interessadas. Serão selecionadas 24.

A expectativa da coordenação é de que o evento receba 5 mil pessoas. Para inscrições e outras informações, acesse o site.

Serviço

O quê? Agrifutura

Onde? Instituto Biológico | Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252 – Vila Mariana | São Paulo/SP

Quando? 3 e 4 de março

 

Sempre tem um herói

Por Coriolano Xavier*

23.03.2012 - ANDEF Fotos: Tatiana FerroSucesso em nosso meio rural e referência de eficiência no exterior, o Sistema Campo Limpo de logística reversa mudou o paradigma de responsabilidade com as embalagens de agroquímicos, pós-consumo, na agricultura brasileira.

Hoje, essa iniciativa é uma reserva brasileira de conhecimento em recolhimento e descarte ambientalmente correto de embalagens, inclusive com potencial de contribuição para outros programas que surjam no Brasil, sob o guarda-chuva da Política Nacional de Resíduos Sólidos (de 2010), que impõe às cadeias produtivas da economia a responsabilidade de dar destinação adequada aos resíduos sólidos produzidos.

Desde 2002, quando começou a funcionar, o Sistema Campo Limpo já evitou o descarte indevido de mais de 360 mil toneladas de embalagens e, hoje, encaminha para reciclagem ou incineração 94% das embalagens devolvidas pelos agricultores. Enquanto isso, países como França, Canadá, Espanha e Alemanha estão com recolhimento na casa dos 70%-80%, Japão com 50% e os Estados Unidos bem mais atrás, na faixa de 35%.

Sob uma perspectiva histórica, é possível creditar o sucesso desse programa, em primeiro lugar, à legislação que instaurou a determinação de se devolver e recolher as embalagens dos defensivos agrícolas adquiridos pelos produtores rurais (Lei 9.974/2000). A subsequente conscientização dos produtores também foi decisiva, assim como a liderança da indústria em todo o processo e o suporte essencial dos canais de comercialização de insumos, no campo.

O Sistema Campo Limpo reúne cerca de uma centena de empresas fabricantes de defensivos, cinco mil distribuidores e cooperativas em todo o Brasil, 12 recicladores e três incineradores. Estrutura que é alimentada por uma malha de mais de 400 unidades de recebimento de embalagens, distribuídas em 25 Estados e no Distrito Federal. Esta rede retira do campo embalagens usadas em aproximadamente 55 milhões de hectares cultivados.

A gestão operacional desse complexo aparato de logística reversa está a cargo do InpEV – Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, representante das indústrias de  agroquímicos.  Uma operação cuja força está no fato de integrar efetivamente os elos da cadeia comercial de defensivos agrícolas, da fábrica ao produtor rural – e também o poder público, que fiscaliza o sistema de destinação, emite licenças para as unidades de recebimento e apoia os esforços de conscientização do agricultor.

Costuma-se dizer que em cadeias produtivas não existem heróis. No caso do Sistema Campo Limpo isso é concreto, pois os segmentos da cadeia de produção agrícola, no antes e no dentro da porteira, mergulharam no desafio de fazer a logística reversa dos defensivos em um país continental e dar um passo à frente para a sustentabilidade no campo. E deu certo, muito certo. Mas nesta história, na verdade, tem sim um herói: o agronegócio. 

*Vice-Presidente de Comunicação do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM.