Valor da Produção Agropecuária chega a R$ 533,5 bilhões em outubro

Valor é 1,6% acima do valor de 2016

Redação*

Divulgação Abapa

O valor bruto da produção agropecuária (VBP) para 2017, com dados de outubro, é de R$ 533,5 bilhões, 1,6% acima do valor de 2016, que foi de R$ 525 bilhões. As lavouras tiveram aumento real de 5,5% e a pecuária, redução de 5,8%.

Os produtos que mais se destacam neste ano, em faturamento, foram algodão, com aumento real de 73,56% em relação ao mesmo período do ano passado, arroz, 9,95%, cana-de-açúcar, 30,6%, laranja, 7%, mandioca, 88,2%, milho, 14,2%, e uva 50,7%. Esses produtos se beneficiaram de aumentos de preços, caso do algodão, cana-de-açúcar, laranja, e mandioca, enquanto o milho, do aumento de produção. Na pecuária, os melhores resultados vêm sendo obtidos por carne suína e leite.

Os preços mais baixos reduziram o valor da produção de uma relação grande de produtos. Para alguns, a redução real é superior a 40%; cebola, 47,5% e batata, 49%. Os preços na pecuária também encontram-se em níveis menores do que no ano passado, como da carne bovina e de frango, o que também reduziu o faturamento desse setor.

Os prognósticos para a safra de 2018, divulgados pela Conab e IBGE, indicam que 2018 poderá ter uma safra de grãos menor do que neste ano. A Conab projeta redução percentual média de cerca de 5% e o IBGE de 8,9%. Em valores absolutos, a Conab projeta valores entre 223,3 milhões de toneladas e 227,5 milhões de toneladas, enquanto que o IBGE projeta safra de 220,2 milhões de toneladas. De acordo com a Conab, a safra deste ano deve fechar em 238 milhões de toneladas e para o IBGE em 241,6 milhões de toneladas. A estimativa projetada para o VBP é de R$ 506 bilhões, com redução de 5,1% em relação a este ano.

*Com informações da Agência Brasil

 

 

Logística e infraestrutura no agro

Desafios e como fazer para minimizá-los sem o investimento do governo federal foram o cerne da discussão promovida pela CNA e realizada pelo Estadão, em fórum em São Paulo

debate_EstadãoPara discutir logística e infraestrutura no agronegócio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Estadão reuniu em São Paulo representantes do governo, da indústria e do transporte. O debate, dividido em duas partes, falou sobre os desafios para o escoamento da produção agropecuária e as novas fronteiras agrícolas. “Nos últimos 50 anos, o Brasil teve uma performance espetacular no agronegócio; passamos de importador para a posição de segundo maior exportador. Mas, de 2003 a 2013, nosso custo de produção quadruplicou e a logística está sufocando o desenvolvimento do setor”, disse Luiz Antônio Fayet, consultor para Logística e Infra-Estrutura da CNA. “Não é novidade nossos problemas portuários, a urgência de total reformulação das ferrovias. Nas rodovias avançamos mais, mas ainda é preciso ampliar licitações. A nossa política de navegação está subjugada com sérios problemas de segurança”, disse.

“Os investimentos federais declinaram muito. O Estado deixou de investir”, lamentou Fábio Trigueirinho, secretário executivo da Abiove. “Temos um modelo vertical da malha ferroviária direcionado à mineração; de monopólio. E monopólio não tem compromisso com nada”, disse Luis Baldez, presidente executivo da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (UNUT).

Os debatedores ressaltaram a importância de investimento da iniciativa privada na expansão de rodovias. “Precisamos ter em mente que pedágio é um negócio mas que traz benefícios principalmente num momento como este. O direito de ir e vir é pessoal, mas para ser transportado de avião, por exemplo, é preciso pagar. Assim como os serviços de água e luz, que você paga o que usa”, disse César Borges, presidente executivo da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

“O que é preciso deixar claro é que o setor produtivo não é contra o pedágio, e sim contra a bitributação. Por que temos de pagar CIDE, IPVA e impostos? Além disso, o pedágio precisa refletir os ganhos de produtividade e as condições da rodovia”, ressaltou Edeon Vaz Ferreira, diretor executivo do Movimento Pró-Logística.

De acordo com os convidados, além do potencial de crescimento dos corredores nas regiões Norte e Centro-Oeste, os problemas de logística do País poderiam ser minimizados se houvesse maior agregação de valor dos produtos agropecuários e se o governo federal enxergasse a questão como prioridade de investimentos. “Estamos reavaliando os modelos de concessão no Brasil para uma compensação de tarifas de acordo com o nível de investimento da rodovia e o serviço prestado por ela”, disse Adailton Dias, diretor de Planejamento da Empresa de Planejamento e Logística (EPL).

 

 

 

Tecnologia e pecuária: Como a adoção de tecnologias se relaciona no desenvolvimento sustentável da pecuária?

Por Cesar Augusto Figueiredo e Roberto Risolia, da Stoller Brasil.

A sustentabilidade já é realidade nos mais variados setores, sejam eles relacionados com eletrônicos, vestuário, alimentação, construção civil, serviços, etc. O rótulo de “sustentável” é buscado por praticamente todas as instituições, sejam elas públicas ou privadas, pois, além de dar longevidade aos recursos, garante uma melhora significativa da sua imagem perante seus clientes, fornecedores e, principalmente, frente à sociedade.

Não é incomum encontrar dentro das companhias departamentos que são inteiramente focados no tema, sendo responsáveis pela gestão da sustentabilidade, trazendo conceitos, estabelecendo indicadores e metas. Isso é positivo por que direciona processos, comportamentos e atitudes que guiam a sociedade.

Hoje, podemos dizer que isso não é diferente na agropecuária. Produtores, fornecedores de insumos e indústria em geral têm passado por um processo bastante intensivo de conscientização sobre a importância de produzir de forma sustentável, preocupados em garantir o uso eficiente de recursos naturais, de técnicas que não agridam o meio ambiente e que sejam sustentáveis nos três âmbitos do termo: ambientalmente correto, economicamente viável e socialmente justo. Este é um dos pilares da segurança alimentar.

O setor tem muito a evoluir neste aspecto. Buscar uma produção sustentável é aumentar a eficiência, usando de forma cada vez mais racional os recursos naturais como solo e água e, de forma inteligente, os insumos, como fertilizantes e defensivos. De forma geral, tudo passa pela adoção crescente de conhecimento e tecnologia no sistema de produção.

A agricultura tem experimentado nas últimas décadas o uso crescente de tecnologias que contribuem para a eficiência do processo produtivo. Fertilizantes especiais que forneçam os nutrientes no momento exato que a planta necessita; defensivos biológicos que controlam pragas e doenças de plantas usando seus inimigos naturais; equipamentos modernos que garantem distribuição perfeita de sementes e fertilizantes com menor gasto de energia; além do melhoramento genético de plantas que tem disponibilizado materiais com potenciais produtivos crescentes, auxiliando na busca por aumento de produtividade.

Na pecuária, o desafio é grande. Em função da história e do perfil produtivo em que a pecuária brasileira se estabeleceu no passado (grandes áreas para exploração das pastagens, animais sem uma boa genética, por exemplo) fez com que a produção continuasse mesmo sem nenhum ou com baixíssimo emprego de tecnologia. Porém, nos últimos anos, isso tem mudado. A pressão da agricultura pelo aumento da área de produção, a impossibilidade de abertura de novas áreas e a demanda crescente por produtos de origem animal têm pressionado a pecuária a buscar uma maior eficiência. E o uso de tecnologia é a chave para isso. E do ponto de vista do produtor, pode ser encarado como a oportunidade de otimizar o custo de produção. Investir em conhecimento é primordial para o bom uso de técnicas que permitam melhorar a produção, como a eficiência de uso das pastagens e o bom uso de insumos (como adubação de pastagens, divisão de pastos e lotação rotativa, irrigação de pastagem, suplementação, inseminação artificial em tempo fixo, etc.). Isso permite reduzir o custo da arroba produzida, produzir carne e leite de melhor qualidade e ainda valorizar a propriedade.