Cotonicultores da BA preveem aumento de produtividade em lavouras de algodão irrigado

Equipe de técnicos da Abapa, a associação dos produtores baianos, estima produção superior a 300 arrobas/ha em área em que pequenos cotonicultores adotaram novas tecnologias, como a irrigação

Redação* 

Abapa/Divulgação

Produtores do sudoeste da Bahia em lavoura que deve produzir mais de 300 @/ha

Durante visita técnica de três dias, encerrada 16 de março, a equipe da Associação Baiana dos Produtores de Algodão – Abapa e os produtores beneficiados pelo projeto de transferência de tecnologia promovido pela entidade há quatro anos comemoraram a previsão de aumento de produtividade. Ampliando o programa, iniciado com seis kits, em outubro de 2017 a associação – que é responsável por 98% da produção brasileira de algodão – garantiu 50 novos kits de irrigação, para que pequenos produtores incrementassem a produção em dez municípios do vale do Iuiu e Guanambi, região que na década de 1990 foi o principal pólo de produção de fibra da Bahia.

Eles plantaram cerca de 400 hectares de algodão irrigado de um total de 10,6 mil hectares, em municípios como Candiba, Guanambi, Malhada e Palmas de Monte Alto, no sudoeste baiano, e devem colher mais de 300 arrobas por hectare.

Contemplado com um dos kits na safra 2015/2016, o produtor Gedenon Guedes, de Malhada, gostou do resultado e expandiu a área irrigada para quatro hectares. “O projeto é viável e todos os pequenos produtores acreditam no plantio de algodão e têm a intenção de continuar”, diz Guedes.

Outro exemplo é o produtor Dorivaldo Martins, de Candiba, que terá uma produtividade superior a 350 arrobas de algodão. “Estamos confiantes de que vamos ter uma boa renda com a venda do algodão nesta safra”, prevê.

Divulgação Abapa

Dorival Martins recebe kit dos técnicos da Abapa

Durante as visitas técnicas, o diretor-executivo, Lidervan Morais, prometeu ampliar o programa. “Para a próxima safra, a ideia é beneficiar novos produtores como forma de continuar a ampliar a produção de algodão irrigado, com transferência de conhecimento e tecnologia, para elevar a produtividade e garantir rentabilidade aos produtores familiares”, afirmou .

Controle de pragas e doenças

Para o coordenador do programa fitossanitário da Abapa, Antônio Carlos Araújo, os resultados foram animadores também quanto ao combate a pragas e doenças no algodoeiro, como o bicudo. “Temos dois integrantes da equipe do Programa Fitossanitário que visitam e monitoram semanalmente as áreas dos produtores beneficiados pelos kits de irrigação. Diante do sucesso deste modelo, já temos interessados em plantar algodão em rotação com outros tipos de culturas, como abóbora, feijão, milho, dentre outros”, conta.

“O oeste da Bahia é uma referência em produtividade e podemos transferir a tecnologia para que os produtores do sudoeste retomem a vocação para a produção irrigada de algodão, aproveitando o clima, o solo e a disponibilidade hídrica disponíveis para as lavouras de algodão, alavancando a economia com a geração de emprego, renda e a qualidade de vida para a região”, celebra a o presidente da Abapa, Júlio Cézar Busato. O oeste baiano é responsável por 98% da produção de algodão do Estado. 

* com Hebert Regis, assessor da Abapa.

Fotos: Abapa/Divulgação.

Recuperação de nascente beneficia famílias de São Desidério

Projeto conta com apoio da Prefeitura e de associações de produtores do oeste da Bahia. 

Herbert Regis*

Divulgação Abapa

A manhã da última sexta-feira, 02, vai ficar na memória de ‘seu’ Manoel de Souza, 87 anos, há cinquenta morador da localidade de Alegre, no município de São Desidério/BA. Ele fez questão de acompanhar de perto cada passo dado pelas equipes de brigadistas da Secretaria de Meio Ambiente até a conclusão total, com limpeza e isolamento de uma nascente de rio que fica aos fundos do terreno em que produz mandioca, quiabo, milho e outras culturas, e de onde sempre tirou o sustento para criar os onze filhos.

O agricultor conta que a nascente ficava em outra área, há pouco mais de 20 metros da que foi recuperada; porém desapareceu depois do assoreamento provocado pelo o gado que pisoteou o local levando terra, folhas e lixo, que cobriram a fonte. Agora, toda a área ao redor na nova nascente foi cercada graças ao Projeto de Recuperação de Nascentes, executado por meio de um acordo de cooperação técnica entre a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e prefeituras da região oeste da Bahia. O aporte financeiro garante aos municípios, recuperar nascentes de rios em situação de risco.

A nascente da localidade de Alegre é a terceira de São Desidério contemplada no projeto; outras 13 ainda serão beneficiadas. Somente naquela comunidade, 12 famílias passarão a contar com água de qualidade, vinda da fonte, agora devidamente isolada com a utilização do método Caxambu, que tem como base, a proteção do veio da água. “Utilizamos barro, cimento e pedras, realizamos a limpeza geral e o isolamento para evitar a entrada de bichos e sujeira. A água é retirada por meio de um cano, armazenada em uma caixa d’agua de onde será distribuída para as casas da localidade”, explicou o secretário de meio ambiente, Joacy Carvalho.

Nesta área não houve necessidade de plantio de mudas de árvores típicas do cerrado, porque o local está bem preservado; apenas a utilização do cercamento e do isolamento do local onde o lençol freático aflora. “O incentivo na recuperação das nascentes, juntamente com a adoção de técnicas de produção sustentáveis, mostra o quanto os agricultores estão preocupados com os rios e com o meio ambiente”, diz o presidente da Abapa, Júlio Cézar Busato. “É gratificante saber que tanto o ‘seu’ Manoel quanto os moradores de Alegre terão mais dignidade com a tão esperada chegada da água em suas casas”, completa.

Além de São Desidério, os agricultores começam a negociar a recuperação de nascentes junto às autoridades de municípios vizinhos, como Barreiras e Riachão das Neves.

• Jornalista e assessor de imprensa da Abapa.

Algodão registra recorde de produção na Bahia

Os cotonicultores do oeste do estado colheram quase 400 mil toneladas de algodão pluma e 940 mil t em caroço na safra 2016/17, encerrada agora, apresentando produtividade de 310 arrobas/hectare, quase o dobro da anterior, castigada pela clima adverso. Área plantada deve crescer na próxima safra, estima a Abapa, a associação local de produtores

Por Hebert Regis*

Divulgação Abapa

Colheita de algodão em fazenda de Júlio Busato, naa Bahia: alta produtividade, com clima favorável e controle do bicudo

Com o fim da colheita de algodão, nesta quarta-feira (20), quando iniciou o vazio sanitário, os agricultores mantiveram o crescimento na produção de algodão na Bahia. Com uma área plantada de 201,6 mil hectares, foram colhidas cerca de 393,7 mil toneladas de algodão em pluma e 937,5 mil toneladas de algodão em caroço na safra 2016/2017. Embora tenha ocorrido uma redução de área de 33,3 mil hectares, em relação ao plantio passado, houve um incremento de 149,5 mil toneladas de algodão em pluma e 356,1 mil toneladas de algodão em caroço. A resposta desta equação foi uma elevada produtividade que atingiu a média de 310 arrobas/hectare, bem superior às 165 arrobas/hectare da safra 2015/2016, prejudicada por fatores climáticos.

A última estimativa da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) mostra que bons resultados da produtividade devem trazer ótimos resultados para a próxima safra. A previsão é que a área plantada de algodão na safra 2017/2018 seja incrementada em 35% e possa chegar a 273 mil hectares. O oeste baiano continua como um dos principais pólos agrícolas de algodão do Brasil e representa 93% de toda a produção de pluma da Bahia, sendo o segundo maior produtor brasileiro de algodão perdendo apenas para o Mato Grosso. A Bahia, por meio da região oeste, contribuiu para o cenário favorável do algodão no Brasil, cuja produção em sua maioria atende as indústrias de fiação do Nordeste, e o restante é destinado ao mercado internacional. 

Para o presidente da Abapa, Júlio Cézar Busato, o incremento da produtividade aliado ao aumento da área plantada previsto na próxima safra são uma boa notícia diante do índice de chuvas abaixo da média histórica que vinha se repetindo nas últimas safras. “Felizmente o clima voltou à normalidade e estamos obtendo recorde de produtividade. Nos momentos de dificuldades, os produtores melhoraram os seus processos de produção, avançaram na tecnologia e equipamentos, buscando maior eficiência. Hoje, na região, temos talhões de lavouras produzindo até 500 (quinhentas arrobas/hectare), o que era inimaginável no Brasil até pouco tempo atrás”, conta, ao acreditar na retomada do crescimento da produção de algodão na Bahia.

Controle do bicudo

Além da regularidade de chuvas a mais que caíram nesta safra em relação à passada, Júlio Cézar Busato, também credita os resultados de produtividade às ações estratégicas do Programa Fitossanitário realizado pelos produtores baianos articulado pela equipe técnica da Abapa para o controle e prevenção do bicudo do algodoeiro. “Estamos, todos, fazendo o dever de casa e seguindo firmes no combate às pragas, estimulando o envolvimento de produtores, gerentes de fazendas, consultores e dos pesquisadores de defesa agropecuária”, explica.

Segundo os resultados do Programa Fitossanitário, houve uma redução de aplicações de inseticidas em todo o ciclo do algodão nesta safra e a maioria dos produtores teve dano zero com o bicudo, propiciando o incremento na renda. “Estamos utilizando toda a tecnologia necessária para produzir mais e com maior qualidade da fibra. Para a próxima safra, com a chegada da La Niña e a normalização do clima, vamos retomar a nossa área plantada, acreditando que nos próximos três ou quatro anos, chegaremos à nossa capacidade instalada de 400 mil hectares, buscando de volta os agricultores para o plantio de algodão, gerando a riqueza e desenvolvimento da região”, afirma Busato.

*Hebert Regis é assessor de imprensa da Abapa

 Foto: Divulgação/Abapa