Em novo relatório, ONU mostra vulnerabilidade do emprego rural na América Latina

De acordo com documento, apesar de a produtividade do campo ter crescido, são muitas ainda as desigualdades entre a situação de emprego urbana e rural

Redação*

trabalho_rural

foto – EBC

Mais da metade dos 52 milhões de trabalhadores rurais da América Latina e do Caribe estão em estado de vulnerabilidade, caracterizado por salários baixos, poucas proteções sociais e a prevalência da pobreza. Isso é o que aponta relatório das Nações Unidas, divulgado na última quinta-feira (20).

De acordo com o documento, apesar de a produtividade do campo ter crescido, são muitas ainda as desigualdades entre a situação de emprego urbana e rural. O relatório apontou que cerca de 56% dos trabalhadores estão em situação de vulnerabilidade nas áreas rurais, comparado a 27% nas áreas urbanas.

“As áreas rurais de hoje não são a mesma coisa de 20 ou 30 anos atrás. Vimos grandes transformações: urbanização, menos jovens e adultos, uma redução do emprego na agricultura e um aumento em ocupações não rurais”, disse, em nota, José Manuel Salazar, diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para a América Latina e Caribe. “Dado que, na região, a maior parte da renda vem do trabalho, está claro que o bem-estar e o desenvolvimento das áreas rurais dependem do que ocorre no mercado de trabalho, na renda e nas condições de trabalho”, completou Salazar.

Segundo a OIT, as zonas rurais recebem menos investimentos públicos e privados em infraestruturas produtivas e sociais, sendo esta uma das razões das amplas desigualdades entre áreas rurais e urbanas. O relatório mostra que enquanto o desemprego nas áreas rurais é de 3,1%, nas áreas urbanas chega a 6,9%. No caso do Brasil, especificamente, o desemprego urbano fechou 2014 em 7,6%, enquanto o rural era de 3%.

O estudo foi baseado em informações estatísticas disponíveis em 14 países e documenta também uma série de melhoras nas condições de trabalho nas áreas rurais entre 2005 e 2014. Uma delas é na cobertura de saúde. No entanto, apenas 37% da população rural têm acesso à saúde em comparação com 62% nas zonas rurais. Além disso, enquanto houve um aumento da cobertura previdenciária, apenas 26% da população rural está coberta, em comparação a 56% da população do meio urbano.

Quando o assunto é renda, o relatório afirma que apesar de ter crescido mais rápido que nas áreas urbanas, a renda média das zonas rurais em 2014 era equivalente a 68% da média nas áreas urbanas.

A taxa de pobreza rural também foi outro fator surpreendente – 46,2%, afetando 60 milhões de pessoas no campo, consideravelmente mais alta que a taxa de pobreza urbana, calculada em 23,8%.

Avanço de políticas públicas

No documento, a ONU apresenta uma série de recomendações de políticas públicas, incluindo desenvolvimento produtivo e investimento em educação e treinamento vocacional.

O relatório dá ênfase à posse de terra, ao investimento em infraestrutura física, diversificação e desenvolvimento produtivo com uma abordagem territorial, e ações para conectar pequenos produtores rurais em cadeias de suprimento globais.

Recomenda também fornecer certificações aos trabalhadores rurais, bem como treiná-los como empreendedores. Pede ainda que as políticas públicas sejam mais focadas nas áreas rurais.

O documento recomenda maior proteção social aos moradores de áreas rurais, incluindo cobertura previdenciária, políticas de salário mínimo, formalização dos contratos de emprego, fortalecimento das inspeções de trabalho e da promoção de organizações de trabalhadores e empregadores.

*Com informações da ONU

 

Apoio à agricultura familiar é fundamental na luta contra a fome na América Latina

Conclusão é de relatório divulgado pelo Banco Mundial

Redação*

DSC03715Relatório divulgado na última semana (27/6) pelo Banco Mundial aponta que é preciso aumentar a produtividade agrícola das famílias de baixa renda para cumprir o objetivo de desenvolvimento sustentável nº 2 – acabar com a fome, conquistar a segurança alimentar e promover a agricultura sustentável. Atualmente, segundo o documento, 70% da população pobre do mundo trabalha no campo.

Ainda segundo o relatório, outro motivo para apostar na produtividade agrícola é o fato de ela estar diretamente ligada aos números da fome e da desnutrição. De acordo com dados da FAO, de 2000 a 2012, quando houve aumento médio anual de 2,6% na produção de cereais nos países de baixa renda, a pobreza e a desnutrição caíram 2,7% ao ano. Já no período de 1990 a 1999, quando a produção ficou estagnada nos países mais pobres do mundo, houve pouca melhora nos índices de pobreza e saúde nutricional.

A FAO traz também que a cada dia, 27 milhões de latino-americanos, ou seja, 5,5% da população da região, e caribenhos acordam sem ter o que comer. De 1990 a 1992, este índice era de 14,7%. Para as Nações Unidas, o bom desempenho econômico e agrícola, além de políticas de proteção social, como programas de alimentação escolar e apoio à agricultura familiar, contribuíram para este avanço.

O progresso, porém, não foi igual na região. De 1990 a 2015, a desnutrição diminuiu em 75% na América do Sul, na América Central a redução foi de 38,2% e no Caribe o índice foi de 26,6% no mesmo período.

Nos últimos 25 anos, a subnutrição caiu quase pela metade em todo o planeta, de 19% para 11%. Há ainda 795 milhões de pessoas desnutridas no mundo, a maior parte delas em países de baixa renda, como os da África Subsaariana.

*Com informações do Banco Mundial

 

“Crescimento econômico sozinho não reduzirá a pobreza e a desigualdade”

É o que diz o último relatório de Desenvolvimento Humano para a América Latina e o Caribe, divulgado pelo PNUD

Redação*

DSC03715De acordo com último relatório de Desenvolvimento Humano para a América Latina e o Caribe divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), nesta terça-feira (14), o crescimento econômico sozinho não reduzirá a pobreza e a desigualdade nesta região.

“Maior crescimento econômico não gera necessariamente maior progresso social: políticas diferentes devem estar presentes particularmente quando recursos fiscais, cruciais para expandir redes de proteção social, se reduziram”, disse Jéssica Faieta, diretora do PNUD para América Latina e Caribe.

Intitulado “Progresso Multidimensional: o bem-estar para além da renda”, o relatório mostra ainda que fatores determinantes para “tirar pessoas da pobreza” – educação de qualidade e emprego – são diferentes dos que “evitam a recaída dessas pessoas na pobreza” – existência de redes de proteção social e recursos domésticos.

O PNUD destaca que o bem-estar das pessoas deve refletir “mais do que a renda” e chama atenção dos líderes regionais para o “progresso multidimensional”. Isso inclui investir em habilidades para melhores oportunidades de emprego, assim como em sistemas financeiros que previnam endividamento excessivo e reduzam as diferenças de gênero.

O foco das ações do PNUD é a construção de resiliência, ou seja, da habilidade de absorver choques externos – crise financeira ou desastres naturais – sem que isso envolva grandes retrocessos.

*Com informações das Nações Unidas no Brasil