Piscicultura deve crescer no Brasil, mas demanda gestão e conhecimento

A avaliação é de especialistas que participam da Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO). Movimentando R$ 5,4 bilhões, atividade cresceu 8% em 2017

Redação*

Piscicultura (2) TecnoshowO sucesso da piscicultura depende cada vez mais de conhecimento e gestão, ensinou Alexandre Carvalho Wakatsuki, consultor em aquicultura, em apresentação durante a 17ª Tecnoshow Comigo, que vai até sexta-feira, 13, em Rio Verde/GO.  Atividade agropecuária em expansão no Brasil, a piscicultura cresceu 8% em 2017 e tem potencial para crescer ainda mais. É um mercado que movimenta mais de R$ 5,4 bilhões e é responsável pela criação de, aproximadamente, 1 milhão de empregos diretos e indiretos. Em função da  importância que a atividade tem conquistado no cenário agropecuário brasileiro, a piscicultura ganhou palestras e exposição de espécies de peixes na feira.

“É fundamental ter noções básicas de qualidade da água, implantação de viveiros ou tanques escavados, assim como planejamento da produção de peixes”, afirmou Wakatsuki. Para ele, a piscicultura “precisa muito avançar em gestão, com atenção especial ao domínio dos procedimentos e processos de todas as etapas de cultivo e, em conjunto, investir em tecnologia, de equipamentos a softwares de controle”.

Legislação

Além de gestão e conhecimento, o consultor em piscicultura, Francisco Medeiros, explica que é preciso ter mais segurança para conduzir a atividade. Para ele, o maior empecilho para a implantação de piscicultura no Brasil é a insegurança jurídica, decorrente de falta de legislação ambiental em alguns estados e legislações inadequadas em outros. “Muitos empresários perdem grandes oportunidades de negócios por desconhecerem o segmento, mas também por causa das dificuldades que existem”, afirma.Aquicultura Tecnoshow

Medeiros explica que a aquicultura – não só a piscicultura – exerce importante papel na cadeia do agronegócio brasileiro – por ser um dos segmentos que mais consomem grãos no mundo. “Se a aquicultura cresce, melhoram os mercados para os produtos agrícolas”, reforça Medeiros, para quem é preciso evoluir em legislação ambiental compatível com a realidade do agronegócio e análises dos processos de licenciamento. “Precisamos avançar em escala de produção e ter mais tecnologia aplicada. Hoje, o Brasil tem um déficit da balança comercial do pescado de R$ 1,3 bilhão. É preciso investir na atividade e inverter essa balança comercial”, conclui.

Serviço

O que? 17ª Tecnoshow Comigo

Quando? 09 a 13 de abril de 2018, das 8 às 18 h

Onde? Centro Tecnológico COMIGO (CTC) – Rio Verde – GO (Anel Viário Paulo Campos, Km 7, Zona Rural)

Informações: www.tecnoshowcomigo.com.br

* com informações da assessoria da Tecnoshow Comigo.

Fotos: Divulgação Tecnoshow

Projeto que une pesca artesanal e alimentação na rede pública tem reconhecimento das Nações Unidas

Realizado em 2016 em Brejinho de Nazaré/TO, ação beneficiou agricultura familiar e alimentação escolar da rede pública

pescadores“Mais do que o reconhecimento internacional, o que para nós extravasou os próprios resultados alcançados, foi a questão da parceria interinstitucional. Sem o apoio de todos os envolvidos, não teríamos feito do projeto uma experiência exitosa no desenvolvimento da agricultura familiar e na inserção de proteína de alto valor nutricional em escolas, creches e hospitais”, diz a veterinária Hellen Christina de Almeida Kato, pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura.

O projeto, da Embrapa, que uniu expertises de instituições como Conab, Sebrae, SESC, CEULP/ULBRA (Centro Universitário Luterano de Palmas), Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins, Secretaria de Educação de Tocantins, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Frigorífico Bonnutt Fish, do qual é atual responsável, foi condecorado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), uma agência das Nações Unidas. Realizado em Brejinho de Nazaré/TO, o programa tem como objetivo “fazer a ligação entre a pesca artesanal e a alimentação na rede pública de ensino”, diz.

Durante todo o ano de 2016, os pescadores foram capacitados em questões sobre boas práticas, documentações e estrutura organizacional do negócio, além de orientados por profissionais da Lúcia Brito _peixe_cmsUniversidade Federal do Tocantins em assuntos ligados ao bem-estar, saúde e ergonomia de suas atividades. “Dos 36 trabalhadores que se engajaram no projeto, 15 conseguiram cumprir os pré-requisitos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e foram remunerados. No total, foram comercializados mais de 8.000 Kg de pescado, que resultou em um incremento de R$ 5.500 na renda anual desses pescadores”, conta Hellen.

A instituição de ensino beneficiada foi a Escola Municipal Monteiro Lobato, que atende a 700 crianças em Palmas/TO. “Fizemos um trabalho com as crianças e merendeiras para que pudéssemos aumentar a ingestão de proteína rica em o que chamamos de aminoácidos essenciais; preparamos um cardápio especial com tortas, bolos, escondidinhos e outros pratos usando carne mecanicamente separada de peixe”, explica a pesquisadora.

“Esperamos que a partir deste projeto, governos municipais e estaduais possam enxergá-lo como um caminho, uma possibilidade de melhorar a vida desses agricultores familiares e também de promover uma alimentação escolar de alta qualidade. Com a nossa história sendo divulgada pelo FIDA, nossa esperança é de que a experiência seja replicada em outros lugares. O que nós queremos é que todo mundo coma peixe”, finaliza.Hellen Kato_projeto pescado_onu

 

Aquicultura brasileira será discutida na Zootec 2017

Panorama, desafios e o potencial de espécies nativas serão temas abordados

Redação*

tilápia SBSFDe 22 a 24 de maio acontecerá, em Santos/SP, o XXVII Congresso Brasileiro de Zootecnia – Zootec 2017. Entre os temas abordados, serão debatidos os desafios da aquicultura brasileira. “Esta é uma atividade em forte expansão e muito recente no país. Temos muito ainda a explorar e, o mais importante, sem entrar em atrito com o meio ambiente”, diz o zootecnista Fabio Sussel, coordenador-chefe da Agência Paulista de Tecnologias dos Agronegócios (APTA) Pirassunuga.

De acordo com o especialista, que participará do evento com a palestra “Panorama da Aquicultura no Brasil: é necessário transformar potencial em realidade”, a atividade tem se desenvolvido pela iniciativa de empresas e de produtores rurais. “Infelizmente o apoio governamental é muito pequeno”, diz. “A questão do licenciamento é um problema e sem ele, o produtor não consegue acessar crédito, por exemplo”, completa.

Segundo o zootecnista, houve um certo avanço no Estado de São Paulo com o decreto assinado, em novembro do ano passado pelo governador Geraldo Alckmin, cujo objetivo é reduzir a burocracia no licenciamento da aquicultura e estabelecer procedimentos para a criação de novos parques aquícolas, além de reconhecer os já criados. “Este decreto deve servir de modelo para os outros estados brasileiros”, acredita.

Os desafios do setor e o potencial das espécies nativas também serão temas discutidos na ocasião.

Para outras informações e inscrições, acesse http://abz.org.br/zootec2017/

Serviço

O quê? XXVII Congresso Brasileiro de Zootecnia | Zootec 2017

Onde? Mendes Convention Center | Av. Francisco Glicério, 206 – Gonzaga | Santos/SP

Quando? De 22 a 24 de maio