CFMV lança campanha nacional em favor do bem-estar animal

Ação foi apresentada durante o IV Congresso Nacional de Bioética e Bem-Estar Animal, em Porto Alegre/RS

Cartaz_campanha bemestar animalDesde 19 de abril uma peça de 30 segundos a respeito do bem-estar animal é exibida em canais fechados na TV. A Campanha, de âmbito nacional, é promovida pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), e envolve também podcasts com médicos veterinários e zootecnistas; distribuição de folders informativos;  exibição do vídeo em redes de cinema de todo o Brasil; posts e avatar para o Facebook; cartazes em instituições de ensino; anúncios em revistas; além de um quiz digital com perguntas para testar o conhecimento sobre o assunto. “Tanto o rico quanto o pobre conhecem animais selvagens, possuem animais de companhia e se alimentam de proteína animal. Esta é uma campanha que tem como objetivo uma convivência mais harmônica entre seres humanos e a natureza”, diz Benedito Fortes de Arruda, presidente do CFMV.

Lançada em 18 de abril durante o IV Congresso Nacional de Bioética e Bem-Estar Animal, realizado de 18 a 20 de abril em Porto Alegre/RS, a ação, além de informar e conscientizar a população sobre o tema, destaca que os médicos veterinários e os zootecnistas são os grandes aliados da população na busca por um bem-estar único, que agrega a qualidade de vida humana e animal e a preservação do meio ambiente. “Essa integração pode e deve acontecer em qualquer setor que envolva os animais – seja na produção de carne suína ou de bovinos e na produção de ovos, por exemplo, que deve estar atento à questão da liberdade animal como também em relação à possibilidade do animal doméstico de expressar seu comportamento natural”, diz Arruda. “Não se deve pintar um cachorro de verde, dar pão ou bolo, fazer qualquer tipo de intervenção em suas cordas vocais para impedir seu latido. Neste sentido, a campanha vem para levar conhecimento técnico-científico, para esclarecer questões ligadas às cinco liberdades”, completa.

As cinco liberdades, conceito desenvolvido nos anos 1990 pelo Conselho do Bem-Estar de Animais de Produção do Reino Unido, englobam os principais aspectos que influenciam a qualidade de vida dos animais como alimentação, espaço, comportamento natural, cuidados com saúde e ambiente livre de estresse. “Esta é uma tônica mundial. Cada vez mais se reconhece a importância de pensar alternativas que minimizem a dor e o sofrimento dos animais e nossa campanha vem ao encontro disso”, finaliza o presidente do CFMV.

Assista ao vídeo da Campanha aqui.

 

A produção animal nos bastidores: muito além de carne e leite

Por Roberta Züge*

roberta-zuge_editadaEsta semana foi publicado um levantamento feito pela World Animal Protection, que identificou quais as empresas estão priorizando o bem-estar animal dentro das produções. A organização faz uma estratificação por níveis, classificando as empresas que mais possuem políticas com maior aderência ao bem-estar animal até aquelas que não estão sensibilizadas. O levantamento foi realizado em âmbito mundial, assim, muitas empresas brasileiras (pelo número muito grande de organizações) não foram contabilizadas. No entanto, alguns grandes nomes do Brasil já figuram no relatório apresentado.

Ações como essa são reflexos de uma nova visão do consumidor. Indiscutivelmente, o setor agropecuário sofreu diversas mudanças, notadamente após o final da II Guerra Mundial. A produção de alimentos e fibras demonstrou um incremento grande, pelas novas tecnologias empregadas, mecanização, utilização de insumos químicos, da especialização e algumas políticas para favorecer a maximização da produção. Inegavelmente, apesar de uma distribuição não justa, hoje há muito mais alimentos disponível e mais baratos do que a algumas décadas.

Para o consumidor, eminentemente das cidades, sanadas as necessidades primárias de volume de produção, outros requisitos estão sendo solicitados, ou mesmo exigidos, como premissa de comercialização. Afinal, o acesso aos alimentos, principalmente as proteínas de origem animal, atingiram grande parte da população dos países desenvolvidos e têm chegado à mesa, com frequência, de muitos consumidores de países emergentes. Há espaço para criar novas demandas e exigências.

Neste cenário, as práticas utilizadas no campo estão sendo questionadas pelos consumidores. Não basta apenas ser competitivo, deve-se produzir com qualidade, mas isto vai muito além de um alimento saudável e palatável, requisitos, anteriormente, satisfatórios para ser considerado adequado aos anseios do consumidor. Entre as novas exigências dos consumidores, pode-se destacar o atendimento à sustentabilidade da produção, que permeia as práticas que atendam às necessidades ambientais, sociais e, na pecuária, ao bem-estar animal. Assim, os problemas ocasionados pela intensificação da produção estão sendo questionados.

A preocupação do consumidor em relação ao bem-estar animal tem feito com que muitos optem por uma alimentação sem proteína animal. Sendo assim, cresceu, substancialmente, a quantidade de pessoas que adotam alimentação vegetariana, vegana etc. No entanto, mesmo os indivíduos que buscam não se alimentar diretamente de proteína de origem animal, consomem produtos da pecuária de várias outras formas.

Há diversos medicamentos sintetizados a partir da origem animal. Utilizado como anticoagulante para cirurgias ou pacientes com risco de AVC (acidente vascular cerebral) e também em tratamentos estéticos para combater a gordura localizada, a Hialuronidase tem o uso muito difundido. Ela é extraída a partir de testículos bovinos. Também com função anticoagulante há a heparina, de origem animal, é extraída do fígado, pulmões e intestino de bovinos e suínos. A heparina é utilizada para a fluidificação do sangue (reduzir a viscosidade), retardar a coagulação (inibe a conversão da pró-trombina em trombina), utilizada em exames de sangue, em procedimentos cirúrgicos e em transplante de órgãos.

Outro medicamento importantíssimo, pois sua síntese permitiu a sobrevivência de bebês prematuros, o surfactante, também tem sua molécula extraída de matéria prima animal. A lista de medicamentos, e diversos tipos de produtos, originados na pecuária é muito grande, passa por cosméticos a pinceis. Suínos, por exemplo, são usados como manequim para tatuadores (bem anestesiados, claro), pois sua pele tem muita semelhança com a humana.

Assim, mais que simplesmente achar que não consumir carne, leite, ovos, peixe etc., estará contribuindo com a diminuição do sofrimento animal, a sociedade deve entender que preconizar e exigir as boas práticas agropecuárias deveria ser a bandeira a ser hasteada.

A sensação de “estou fazendo minha parte” por não consumir, na forma de alimento ou produtos da pecuária, além de criar uma falsa ilusão, não dá o devido valor que deveria à criação animal. Quanto mais pessoas se conscientizarem que eles são dependentes dos animais, mais irão buscar preservá-los e, também, irão adquirir alimentos que tenham sido produzidos sob os critérios de sustentabilidade que também respeitam o bem-estar animal.

*membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS); Vice-Presidente do Sindicato dos Médicos Veterinários do Paraná (SINDIVET); Médica Veterinária Doutora pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP); Sócia da Ceres Qualidade.

Mato Grosso é zona livre de peste suína clássica

Certificação foi recebida durante a 84ª Sessão Geral da Organização Mundial de Saúde Animal, em Paris

Redação*

porcos-Morguefile-300x221Na última quinta-feira (26), o Estado do Mato Grosso recebeu o status de zona livre de peste suína clássica durante a 84ª Sessão Geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), em Paris. A certificação foi entregue ao presidente do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea), Guilherme Nolasco, e ao secretário adjunto de Agricultura da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Alexandre Possebon.

“O mercado mundial hoje não compra simplesmente carne, compra qualidade e sanidade. Se o fornecedor não garantir esses requisitos ao consumidor, o mercado não se abre. Esse certificado significa dizer diretamente que o setor suinícola de Mato Grosso está apto a abocanhar novos mercados mundiais”, disse em nota o secretário de Desenvolvimento Econômico, Seneri Paludo.

O Mato Grosso é o quinto maior produtor de suínos do País e a cadeia suinícola gera cerca de 14 mil empregos diretos e indiretos. Características do solo, clima e recursos hídricos favorecem a produção de suínos. As granjas comerciais empregam alta tecnologia, práticas sustentáveis e de bem-estar animal.

Com capacidade para aumentar a produção nas unidades de beneficiamento, produtores estão investindo na ampliação de granjas para a engorda e terminação de suínos. “Algumas unidades frigoríficas já estão projetadas para esse crescimento, O certificado pode abrir um rol de países e potencializar a produção e o beneficiamento. Temos matéria-prima, estrutura e tecnologia para isso, e condições para ampliar o mercado consumidor”, explica Alexandre Possebon, secretário adjunto de Agricultura da Sedec.

*Com informações da assessoria