Biotecnologia aplicada ao setor de cosméticos será discutida em Brasília/DF

A geração de insumos para cosméticos é uma oportunidade para o enriquecimento de cadeias agropecuárias com novos produtos

De 25 a 27 de setembro acontece em Brasília/DF o IV Encontro de Pesquisa e Inovação. Promovido pela Embrapa Agroenergia, o evento discutirá o papel da biotecnologia para o desenvolvimento tecnológico no setor de cosméticos, que ocupa o segundo lugar no ranking dos que mais investem em inovação no Brasil.

A geração de insumos para cosméticos é uma oportunidade para o enriquecimento de cadeias agropecuárias com novos produtos. Atualmente, as empresas do setor têm como desafio atender ao consumidor cada vez mais exigente, que pede produtos de baixo impacto ambiental. Como exemplo, uma linha de pesquisa com potencial para gerar insumos com estas características é o estudo de microalgas.

O encontro contará com mesas-redondas voltadas para o segmento de cosméticos e de nutrição animal. Além disso, serão exibidos 22 trabalhos em desenvolvimento nos laboratórios da Embrapa Agroenergia.

Para conferir a programação completa, acesse www.embrapa.br/enpi2017. Para outras informações, ligue para (61) 3448-1592/1598 ou escreva para cnpae.enpi@embrapa.br

Serviço

O quê? IV Encontro de Pesquisa e Inovação

Onde? Embrapa Agroenergia | Parque Estação Biológica s/n° | Brasília/DF

Quando? De 25 a 27 de setembro

*Com informações da Embrapa Agroenergia

 

Transgênicos contribuem para a redução da pobreza, mostra estudo

Levantamento da consultoria britânica PG Economics registra ainda benefícios ambientais como consequência da adoção da biotecnologia agrícola nos mais de 20 países que cultivam essas plantas

Redação*

Soja - lavoura verde bonita

A biotecnologia teria contribuído com crescimento econômico e redução de impactos ambientais na agricultura, especialmente em países em desenvolvimento, onde foi registrada a diminuição da pobreza de mais de 16,5 milhões de trabalhadores rurais. Os dados são do relatório “GM crops: global socio-economic and environmental impacts 1996-2015”, divulgado no final da semana passada pela consultoria inglesa PG Economics.

Segundo o levantamento, em 2015, a cada dólar investido, os agricultores de países desenvolvidos obtiveram um retorno médio de US$ 2,76. No mesmo ano, produtores de países em desenvolvimento receberam US$ 5,15 por cada dólar investido. Para a diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani, o Brasil confirma as estatísticas do estudo. “No País, podemos observar que os agricultores que investem em tecnologia – transgenia, por exemplo – conseguem aumentar a produtividade e, consequentemente, o rendimento de suas lavouras”, afirma, em nota, Adriana.

Menos gases do efeito estufa

Os benefícios dos transgêncios seriam ainda ambientais, diz o estudo, em função da redução das emissões de gases de efeito estufa. Isso porque, como o manejo nas lavouras geneticamente modificadas (GM) é facilitado, há menor necessidade de máquinas no campo.

Sem as plantas geneticamente modificadas, em 2015, por exemplo, cerca de 26 bilhões de quilos adicionais de dióxido de carbono teriam sido emitidos na atmosfera, o equivalente a adicionar quase 12 milhões de carros nas ruas. De 1996 a 2015, a biotecnologia promoveu uma redução global em 8% de emissões de gases de efeito estufa, informa o estudo.

Outra consequência da adoção de plantas GM, de acordo com o estudo da consultoria inglesa, seria a redução da pressão pela abertura de novas áreas agricultáveis. Segundo o relatório, sem os transgênicos, em 2015, seriam necessário mais 11% de terras no Estados Unidos, 31% no Brasil e 13% na China para cultivar soja, milho, algodão e canola. Em todo o mundo, a biotecnologia agrícola foi responsável pela produção adicional de 180 milhões de toneladas de soja, 357 milhões de toneladas de milho, 25 milhões de toneladas de algodão e 10 milhões de toneladas de canola.

* com informações do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).

CTNBio aprova a primeira cana geneticamente modificada do mundo

A nova variedade, desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), é resistente à broca, a principal praga que afeta as lavouras no Brasil, gerando perdas que chegam a R$ 5 bilhões por ano

Assunto: Colheita mecanizada de cana Local: Serrana - SP Data: 07/2006 Autor: Delfim Martins

Foto: Delfim Martins/Pulsar Imagens

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou em 09 de junho a variedade de cana-de-açúcar CTC 20 Bt, que tem como característica a resistência à broca da cana (Diatraea saccharalis), principal praga que ameaça a cultura e que, de acordo com estimativas, causa R$ 5 bilhões em perdas anuais, considerando as perdas de produtividade agrícola e industrial, qualidade do açúcar e custos com inseticidas. O gene Bt (sigla para Bacillus thuringiensis) é amplamente utilizado na agricultura há mais de 20 anos, nos principais países produtores do mundo, incluindo o Brasil, em culturas como soja, milho e algodão.

Segundo os técnicos do CTC, a nova variedade poderá ser cultivada em toda a região Centro-Sul do Brasil, em solos de alta (ambientes A e B) a média fertilidade (ambiente C), sob a seguinte recomendação: em regiões onde o regime hídrico é mais restrito, a cana GM deve ser cultivada somente em áreas de vinhaça ou irrigação por água, mesmo em ambientes A e B, lembrando que, nas áreas de vinhaça, o ataque da broca costuma ser maior. “Esta recomendação também vale para ambiente C, sob qualquer regime hídrico”, complementa o CTC. 

“A aprovação da Cana Bt por parte da CTNBio é uma grande conquista do CTC e do setor sucroenergético nacional. Nos próximos anos, planejamos expandir o portfólio de variedades resistentes à broca, adaptadas a cada uma das regiões produtoras do Brasil. Além disso, o CTC também planeja desenvolver variedades resistentes a outros insetos, bem como tolerantes a herbicidas”, afirma, em nota, Gustavo Leite, presidente do CTC. O executivo explica ainda que, com a Cana Bt, “além dos ganhos econômicos, o produtor poderá simplificar a logística e melhorar a gestão ambiental de suas operações”.

Açúcar e etanol idênticos aos da cana convencional

Segundo Leite, um extenso dossiê cientifico contendo estudos e informações técnicas da cana geneticamente modificada (GM), usando padrões aceitos internacionalmente, foi submetido à CTNBio no final de 2015, para análise de riscos à saúde e ao meio ambiente. Estudos de processo provaram que o açúcar e o etanol obtidos a partir da nova variedade são idênticos aos produtos derivados da cana convencional.

Estudos adicionais mostraram que tanto o gene Bt como a proteína inserida são completamente eliminados nos derivados de cana-de-açúcar durante o processo de fabricação. Além disso, estudos ambientais não constataram quaisquer efeitos negativos relacionados à composição do solo, à biodegradabilidade da cana GM ou às populações de insetos, exceto às pragas alvo (principalmente a broca).

Após a aprovação final e o registro da CTC 20 Bt, o CTC irá trabalhar junto aos produtores, iniciando o processo de distribuição de mudas da nova variedade, e o monitoramento de seu plantio, explica o presidente do Centro. Segundo Leite, “o processo de propagação é similar ao de introdução de uma variedade convencional, com a cana dos primeiros anos sendo usada para expansão da área plantada e não para a produção de açúcar e etanol. Este processo está alinhado com o cronograma de obtenção das aprovações internacionais do açúcar produzido a partir da cana GM”, afirma.