Abertas inscrições para projetos de pesquisa em unidades de conservação da Caatinga e da Mata Atlântica

Chamada pública é de iniciativa do ICMBio, CNPq e FAPs

Redação*

Estão abertas as inscrições para apoio à chamada pública de apoio a projetos de pesquisa em 19 unidades de conservação federais nos biomas Caatinga e Mata Atlântica. De iniciativa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com o CNPq e as fundações estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs), o apoio consistirá de itens de custeio e bolsas.

A duração máxima dos projetos será de 36 meses. O objetivo é beneficiar pesquisadores, estudantes, educadores, técnicos, comunidades locais, gestores de unidades de conservação e formuladores de políticas públicas, entre outros.

De acordo com a coordenadora-geral de Pesquisa e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio, Katia Torres Ribeiro, os projetos vão contribuir para a implementação das estratégias de manejo, uso sustentável e conservação, além de fortalecer as capacidades de pesquisa interdisciplinar, a inclusão social e a inserção das UCs no desenvolvimento regional sustentável.

As propostas deverão abarcar um conjunto de oito diretrizes e aderir a pelo menos um dos temas previstos na chamada. As orientações buscam garantir a participação comunitária, a comunicação à sociedade e a aplicabilidade dos resultados das pesquisas à conservação da biodiversidade.

As propostas devem ser encaminhadas pelo site do CNPQ.

*Com informações do Ministério do Meio Ambiente.

Caatinga: o Fome Zero dos rebanhos

A conclusão é de estudo da Embrapa Caprinos e Ovinos e pode auxiliar criadores do semiárido brasileiro

Sílvia Sibalde

leucena_Adriana Brandão_Embrapa

Leucena, uma das espécies com potencial forrageiro. Foto de Adriana Brandão/Embrapa

Um estudo realizado pela Embrapa Caprinos e Ovinos, do Ceará, além de identificar aproximadamente três mil espécies vegetais na Caatinga, mostrou ainda que toda essa biodiversidade tem potencial de alimentar rebanhos. “O que queremos com essa pesquisa é garantir a preservação do bioma e que não falte forragem para alimentar os animais”, diz Ana Clara Cavalcante, zootecnista e pesquisadora da área de Forragicultura e Pastagens da Embrapa.

“A Caatinga foi utilizada de forma indiscriminada durante anos e sofre as consequências do superpastejo, que é a carga animal acima da capacidade de suporte do ecossistema. O que buscamos é a orientação junto aos produtores em trabalhar com manejos que preservem o bioma, dando atenção à densidade de animais na área de pastagem”, conta Ana Clara.

As pesquisas apresentaram que um melhor manejo por meio das chamadas técnicas de manipulação da Caatinga pode aumentar a oferta de forragem nesse bioma em até 80%. “Esse trabalho quer garantir o Fome Zero dos rebanhos”, diz a pesquisadora.

Além das técnicas de manejo recomendadas pelos pesquisadores, a Embrapa testa também o “Orçamento Forrageiro”, uma ferramenta que ajuda o produtor rural a estimar suas reservas de alimentos e fazer uma “poupança” dos recursos para as épocas mais críticas, como os períodos de seca prolongada, por meio de práticas como o feno e a silagem, por exemplo. “Esse modelo está sendo testado no Rio Grande do Norte, no Ceará e em Pernambuco. A silagem tem um prazo de validade indeterminado e uma reserva de forragem tem garantido receita aos produtores. Com planejamento, podemos assegurar viabilidade de produção e a permanência do homem no campo”, afirma Ana Clara.

Algumas das espécies com melhor potencial forrageiro são as leguminosas gliricídia, leucina, sabiá e catingueira; gramíneas como os capins buffel, gramão, massai, Tanzânia; cactáceas como xique-xique, mandacaru e palma forrageira.

Próximos passos

Além da replicação das técnicas de manejo e do uso do orçamento forrageiro, Ana Clara Cavancante conta que a expectativa é de que em 2018 esteja pronta uma ferramenta de avaliação visual para pastagem nativa. “Queremos também transformar o orçamento forrageiro em aplicativo para facilitar ainda mais a vida do produtor”, anseia.