Bayer lança plataforma digital para conectar produtor de café a comprador

Made in Farm permite a cafeicultores venderem seu produto diretamente a consumidores finais, estabelecimentos comerciais e compradores de café verde

Cristina Rappa

No lançamento da plataforma Made in Farm, degustação do café Recanto, do sul de MG, em restaurante na capital paulista

O agronegócio, que já emprega tecnologia de ponta nas sementes, máquinas e demais insumos, agora inaugura experiência na chamada economia compartilhada. A Bayer do Brasil lançou nesta quarta-feira, 13, em São Paulo, a plataforma Made in Farm, com o objetivo de conectar, em ambiente digital, produtores de café e o mercado consumidor.

A iniciativa da multinacional está alinhada à Rede AgroServices, plataforma colaborativa que permite múltiplas interações entre diferentes atores do agronegócio, criada pela empresa há quase três anos e que funciona por enquanto apenas no Brasil. Pela nova plataforma, o cafeicultor, especialmente os pequenos e médios  produtores de grãos especiais, poderão ter acesso aos grandes centros urbanos e potencializar oportunidades de negócios, comercializar diretamente sua produção, e ainda serem avaliados.

Qualquer semelhança com Mercado Livre, Uber, Airbnb e Booking não são mera coincidência. “O jeito de fazer negócios está mudando e precisamos embarcar nessa”, afirmou o diretor de Acesso ao Mercado da Bayer, Ivan Moreno, que disse não acreditar mais em modelos de negócios baseados apenas em redes tradicionais. “O mundo já está organizado em redes. Quando as ajudamos, temos mais oportunidades de oferecer nossos insumos e nossa inovação”, completou.

Começando com café

Qualquer produtor pode se cadastrar na plataforma, após passar pelo crivo de uma curadoria, para checar se suas práticas são sustentáveis. Por meio do site www.madeinfarm.com.br, o agricultor se cadastra, define preço, conta sua história e negocia diretamente com os interessados. Segundo Moreno, a Bayer não visa lucrar com a plataforma, mas estreitar relacionamento com os agricultores, que já são seus clientes ou não.

O sistema está sendo inaugurado com produtores de café, mas deve se expandir para outras culturas no futuro. Nesta fase inaugural, reuniu os representantes da Fazenda Recanto Machado, de Machado, no sul de Minas, e Missaki Idehara, da Franca Pitanga, misto de restaurante, cafeteria e empório que está sendo aberto no bairro dos Jardins, em São Paulo.

O casal de agrônomos Afrânio e Maria Selma Paiva – da quarta geração de proprietários da fazenda de 425 ha e fundada pela família dela em 1896 – assumiu seu controle nos anos 1990 e decidiu investir em grãos de qualidade e na preservação do ambiente. “Era uma questão de sobrevivência, uma vez que não temos como competir com quem produz em grandes extensões e com colheita mecanizada”, contou Afrânio, explicando a opção pela diferenciação do seu produto e atuação no nicho de cafés especiais.

Meio ambiente e qualidade

O cafezal, que ocupa 170 hectares em região em que a altitude varia entre 950 e 1170 metros, é composto das variedades Mundo Novo, Catuaí Amarelo, Bourbon, Catucaí, Rubi e Bourbon Anão, e rende cerca de 6 mil sacas/ano.  Cerca de 40% da área da propriedade é mantida como Área de Preservação Permanente (APP), o que garantiu ao produto, em 2006, a conquista da certificação internacional Rainforest Alliance.  “Procuramos não interferir no ambiente. Deixamos os pássaros e demais bichos plantarem e ampliarem a mata”, explicou o produtor.

Além da questão ambiental, há a busca constante pela melhoria da qualidade, do plantio à colheita, e na comercialização, área em que contam com a contribuição da filha Paula, formada em Comércio Exterior e jurada de concursos de café.

Na outra ponta da cadeia e comprando o produto da Recanto, está o engenheiro agrônomo Missaki Idehara, com experiência em fazendas, cooperativas, empresas de insumos agrícolas e, agora, em restaurante e cafeteria. “As pessoas estão aprendendo a tomar café de qualidade no Brasil. Por meio desta plataforma, vamos poder comprar micro lotes a partir de 250 gramas, para degustação, o que é vai ser bom”, disse.

Nestlé inaugura sua primeira fábrica de cápsulas de café fora da Europa

Com investimento de R$ 220 milhões, a unidade está localizada na região do Cerrado mineiro, em Montes Claros, e será abastecida com grãos 100% brasileiros

Sílvia Sibalde, de Montes Claros*

DEM_2987_BxResolMarcando o início das comemorações de seus 150 anos (a serem completados em 2016) e de olho no mercado de cafés especiais, a Nestlé inaugurou, nesta quinta-feira (17/12) uma fábrica de cápsulas da linha Dolce Gusto em Montes Claro, no Cerrado mineiro. A unidade fabril, que possui 9.750 m² de área construída, é a primeira de  cápsulas da empresa fora da Europa e recebeu um investimento de R$ 220 milhões.

Com capacidade de produção de 360 milhões de cápsulas por ano, dos quais 50% serão destinados para abastecimento do mercado interno e os outros 50% para Argentina, Paraguai e Uruguai, a nova fábrica utilizará café de origem 100% brasileira e produzirá, inicialmente, quatro variedades – espresso, espresso intenso, buongiorno e café au lait.

“Sabemos que este não é o melhor momento para inaugurar uma fábrica, especialmente na América Latina. Mas esse é um investimento a longo prazo. Estamos há 94 anos no Brasil e temos comprometimento com o país. Além disso, temos aqui em Montes Claros, a matéria-prima (café, açúcar e leite) e as condições favoráveis para a produção das cápsulas”, disse Paul Bulcke, CEO da Nestlé S.A, em coletiva de imprensa realizada antes da cerimônia de inauguração da unidade.

O CEO lembrou também que a história da Nestlé no Brasil foi marcada por uma parceria entre o governo do Brasil e a empresa para beneficiar o café em tempos de demanda baixa. “O café solúvel foi desenvolvido aqui no Brasil e hoje é exportado para o mundo inteiro”, disse.

Sustentabilidade

A nova unidade foi construída ao lado da fábrica de leite condensado e de acordo com a empresa, 90% da água utilizada vem da condensação do leite. A fábrica em Montes Claros segue a política de “Resíduo Zero”, adotada internamente, em que nenhum resíduo é enviado a aterros.

Nesse processo, a água utilizada é recirculada até a evaporação completa, resíduos provenientes da limpeza do café vão para compostagem e sobras de matérias-primas de cápsulas e embalagens são recicladas ou usadas para a geração de energia em outras indústrias.

Essa política de reaproveitamento, no entanto, não se aplica, por enquanto, no que diz respeito ao descarte das cápsulas de café, produzidas com plástico, alumínio e pó de café. “Estamos buscando uma parceria com o governo para o aproveitamento do lixo residual. Tentar reciclar tudo seria pretensioso. Em cidades como São Paulo e Curitiba, essa questão avança mais rápido, mas isso não acontece no resto do país”, diz Bulcke.

Café premiado

DEM_2643_BxResolEm uma parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), a Nestlé anunciou, durante a cerimônia de inauguração da fábrica, o vencedor do Concurso “Colheita Premiada”, lançado em agosto desse ano, para valorizar e desenvolver a cadeia produtiva dos cafés do Brasil.

De Coromandel, região do Cerrado Mineiro, o café vencedor é cultivado por Flávio Luiz Pequini. “Trabalhar bem é o segredo. Ter funcionários e colaboradores que gostam do que fazem também faz diferença”, diz o cafeicultor.

O vencedor, além de um prêmio em dinheiro no valor de R$ 75 mil, terá 850 sacas de seu café utilizado em uma edição especial de cápsulas da linha Dolce Gusto. O produto será comercializado no Brasil e nos outros países onde a marca está presente a partir de julho de 2016. O produto será o primeiro exclusivamente brasileiro a integrar os cafés especiais do portfólio global da marca com novos sabores a cada ano.

* A jornalista viajou a convite da Nestlé

Cafés especiais a preços acessíveis

São Paulo, Curitiba e Campinas recebem até 27/9 a Coffee Week Brasil

Redação*

café-grãos-300x235Até 27/9 acontece nas cidades de São Paulo, Curitiba e Campinas, a Coffee Week Brasil. Com o propósito de destacar os lugares que utilizam cafés nacionais de alta qualidade e também impulsionar a cadeia produtiva do setor, as casas selecionadas criaram para o evento duas opções de oferta com preços fixos de R$ 7,99 e R$ 12,99.

Na capital paulista são mais de 30 estabelecimentos participantes. Uma boa oportunidade para, além de tomar um bom café, conhecer melhor a cidade.

Em parceria com as marcas Wolff Cafés Especiais, Sofá Café e o True Coffee Brasil, a Coffee Week Brasil está promovendo degustações gratuitas em cafeterias em São Paulo. Nessas ocasiões, o público poderá provar cafés especiais, em diferentes métodos, e compará-los com rótulos tradicionais, das marcas mais vendidas nos supermercados.

Para outras informações e conferir quais as casas participantes do evento, acesse www.coffeeweekbrasil.com.br