Natura e Itaú firmam parceria para promover a redução de emissões de CO²

União é marcada pela criação de plataforma de compensação de gases de efeito estufa, com o edital “Compromisso com o Clima”

evento Natura_ItauEm encontro que reuniu ontem (18) especialistas, representantes de empresas de diversos setores, produtores e autores, na Casa Natura Musical, em São Paulo, Natura e Itaú Unibanco anunciaram parceria na divulgação do edital “Compromisso com o Clima”. O trabalho conjunto levou à criação de uma plataforma de compensação das emissões de gases de efeito estufa, com o propósito de que outras empresas também neutralizem suas emissões por meio de projetos nas áreas de energia, agricultura, floresta e tratamento de resíduos.

“Nós temos uma responsabilidade enquanto empresa física, inclusive com metas para 2020, que englobam prédios com energia renovável, investimento em tecnologias com placas e filmes fotovoltaicos, entre outros, mas acredito que nossa maior responsabilidade está no financiamento de empresas e é preciso dizer que ainda não sabemos como incluir a variável socioambiental em nossos modelos de crédito e de negócio. Por isso esta parceria é tão importante”, disse Claudia Politanski, membro do Comitê Executivo do Itau Unibanco e vice-presidente de marketing e sustentabilidade do banco.

“A vantagem da união de duas empresas reconhecidas e auditadas é nossa rede de influências e, consequentemente, o poder de mobilização do capital para investimentos desta natureza. Existe uma agenda de redução de emissões de CO² que precisa acontecer e este trabalho é uma possibilidade real dela ser posta em prática”, disse Andrea Alvares, vice-presidente de marketing, inovação e sustentabilidade da Natura.

“A mensagem global de descarbonização é muito séria. Não há solução alternativa. Temos de mudar nossa matriz energética. E isso só virá com uma mudança de padrão de vida e de comportamento”, disse Carlos Nobre, climatologista, especialista em mudanças climáticas. “Temos uma incapacidade histórica de imaginar um caminho diferente de desenvolvimento para o Brasil. Precisamos fazer uso da Ciência, da Tecnologia para pensar e apontar soluções para um futuro tendo como centro a biodiversidade tropical”, completou o especialista.

“Eu mudo o mercado quando mexo no crédito, mas gerar consciência é muito mais legal”, disse Denise Hills, superintendente de sustentabilidade e negócios inclusivos do Itau. “Já fazemos nossa parte, individualmente, mas o que podemos fazer juntos?”, indagou.

O Edital “Compromisso com o Clima” está aberto até 24 de outubro. Até o momento, recebeu 105 inscritos de 23 estados brasileiros. A inscrição é gratuita e pode ser feita por meio da plataforma Ekos Social.

Podem participar projetos desenvolvidos no Brasil relacionados a biomassa renovável, energia eólica, energia solar, pequenas centrais hidrelétricas, metano para energia, eficiência energética, agricultura e agroflorestal, restauro florestal, redução de emissões provenientes do desmatamento e degradação florestal, purificadores de água, fogões eficientes, troca de combustível e tratamento de resíduos.

 

Algodão registra recorde de produção na Bahia

Os cotonicultores do oeste do estado colheram quase 400 mil toneladas de algodão pluma e 940 mil t em caroço na safra 2016/17, encerrada agora, apresentando produtividade de 310 arrobas/hectare, quase o dobro da anterior, castigada pela clima adverso. Área plantada deve crescer na próxima safra, estima a Abapa, a associação local de produtores

Por Hebert Regis*

Divulgação Abapa

Colheita de algodão em fazenda de Júlio Busato, naa Bahia: alta produtividade, com clima favorável e controle do bicudo

Com o fim da colheita de algodão, nesta quarta-feira (20), quando iniciou o vazio sanitário, os agricultores mantiveram o crescimento na produção de algodão na Bahia. Com uma área plantada de 201,6 mil hectares, foram colhidas cerca de 393,7 mil toneladas de algodão em pluma e 937,5 mil toneladas de algodão em caroço na safra 2016/2017. Embora tenha ocorrido uma redução de área de 33,3 mil hectares, em relação ao plantio passado, houve um incremento de 149,5 mil toneladas de algodão em pluma e 356,1 mil toneladas de algodão em caroço. A resposta desta equação foi uma elevada produtividade que atingiu a média de 310 arrobas/hectare, bem superior às 165 arrobas/hectare da safra 2015/2016, prejudicada por fatores climáticos.

A última estimativa da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) mostra que bons resultados da produtividade devem trazer ótimos resultados para a próxima safra. A previsão é que a área plantada de algodão na safra 2017/2018 seja incrementada em 35% e possa chegar a 273 mil hectares. O oeste baiano continua como um dos principais pólos agrícolas de algodão do Brasil e representa 93% de toda a produção de pluma da Bahia, sendo o segundo maior produtor brasileiro de algodão perdendo apenas para o Mato Grosso. A Bahia, por meio da região oeste, contribuiu para o cenário favorável do algodão no Brasil, cuja produção em sua maioria atende as indústrias de fiação do Nordeste, e o restante é destinado ao mercado internacional. 

Para o presidente da Abapa, Júlio Cézar Busato, o incremento da produtividade aliado ao aumento da área plantada previsto na próxima safra são uma boa notícia diante do índice de chuvas abaixo da média histórica que vinha se repetindo nas últimas safras. “Felizmente o clima voltou à normalidade e estamos obtendo recorde de produtividade. Nos momentos de dificuldades, os produtores melhoraram os seus processos de produção, avançaram na tecnologia e equipamentos, buscando maior eficiência. Hoje, na região, temos talhões de lavouras produzindo até 500 (quinhentas arrobas/hectare), o que era inimaginável no Brasil até pouco tempo atrás”, conta, ao acreditar na retomada do crescimento da produção de algodão na Bahia.

Controle do bicudo

Além da regularidade de chuvas a mais que caíram nesta safra em relação à passada, Júlio Cézar Busato, também credita os resultados de produtividade às ações estratégicas do Programa Fitossanitário realizado pelos produtores baianos articulado pela equipe técnica da Abapa para o controle e prevenção do bicudo do algodoeiro. “Estamos, todos, fazendo o dever de casa e seguindo firmes no combate às pragas, estimulando o envolvimento de produtores, gerentes de fazendas, consultores e dos pesquisadores de defesa agropecuária”, explica.

Segundo os resultados do Programa Fitossanitário, houve uma redução de aplicações de inseticidas em todo o ciclo do algodão nesta safra e a maioria dos produtores teve dano zero com o bicudo, propiciando o incremento na renda. “Estamos utilizando toda a tecnologia necessária para produzir mais e com maior qualidade da fibra. Para a próxima safra, com a chegada da La Niña e a normalização do clima, vamos retomar a nossa área plantada, acreditando que nos próximos três ou quatro anos, chegaremos à nossa capacidade instalada de 400 mil hectares, buscando de volta os agricultores para o plantio de algodão, gerando a riqueza e desenvolvimento da região”, afirma Busato.

*Hebert Regis é assessor de imprensa da Abapa

 Foto: Divulgação/Abapa

Bioenergia é vantagem competitiva para o Brasil

Oportunidades de mudança de padrão de matriz energética, promovendo desenvolvimentos tecnológico, social e econômico são grandes, mas é preciso engajar a sociedade e ampliar as políticas públicas, acredita representante da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura

FotoliaA vantagem competitiva do Brasil para atender a agenda de redução das emissões de gases do efeito estufa – em 37% abaixo dos níveis de 2005, em 2025, conforme se comprometeu no Acordo de Paris no ano passado, para controlar o aumento da temperatura global – é muito grande, mas é preciso ampliar as políticas públicas nesse sentido, para estimular a produção de etanol  e biodiesel. É no que acredita Marcelo Furtado, Facilitador da Coalização Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que reúne representantes dos setor privado, da academia e da sociedade civil.

Porém, “autorizar venda de carros de passeio movidos a óleo diesel, por exemplo, seria um grande retrocesso”, alertou Furtado em sua fala no painel Bioenergias e Viabilização dos Acordos do Clima, durante o Unica Fórum 2016, realizado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar nesta 2a feira (29/11) em São Paulo. “O mundo vai se descarbonizar e o setor de combustíveis fósseis é um dos que deveria fazer phase-out”, afirmou, preconizando o fim dos combustíveis à base de petróleo.

De acordo com Furtado, o Brasil precisa dar um sinal de longo prazo de que vai se descarbonizar, para atrair investimentos. Para ele, as oportunidades para o País são grandes, mas defende a ampliar a visão de mudança da matriz energética do setor de transporte, incluindo setores como o elétrico e o de produção de alimentos no processo.

Cristina Rappa

“O interesse é de toda a sociedade”, afirmou Furtado

E como o interesse pelo uso de energias limpas é de toda a sociedade brasileira, que será beneficiada com desenvolvimento tecnológico, econômico e social, sem falar no ambiental, com impactos na saúde, ela deve ser engajada.

Para Luís Barroso, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), subordinada ao Ministério das Minas e Energia, “se fizer sentido econômico, o setor viabiliza”. “Basta a correção dos sinais de mercado e o setor sucroenergético vai em frente”, disse.

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