Preço da gasolina sofre pequena queda, mas do diesel sobe nas refinarias

Preço ao consumidor depende de cada revendedora e posto de combustível

Redação*

Abastecimento-Etanol_0006-300x225Informação divulgada pela Petrobrás diz que o preço da gasolina comercializada nas refinarias diminui 0,1% e o do diesel sobre 0,6%, nesta quarta-feira (3). Estas são as primeiras variações de preço dos dois combustíveis em 2018.

Estas oscilações de preço fazem parte do modelo de reajustes frequentes praticados pela Petrobrás. “Analisamos nossa participação no mercado interno e avaliamos frequentemente se haverá manutenção, redução ou aumento nos preços praticados nas refinarias. Sendo assim, os ajustes nos preços podem ser realizados a qualquer momento, inclusive diariamente”, de acordo com a estatal.

O preço final ao consumidor, nas bombas, dependerá de cada empresa revendedora e dos próprios postos de combustíveis.

*Com informações da Agência Brasil

 

Arroz e milho surgem como alternativa sustentável para produção de etanol

Francisco Mallmanm

Francisco Mallmann USIHá muito tempo a sociedade já absorveu a ideia de que para se deslocar dentro do planeta precisa de transporte movido a combustível. Desde que os veículos motorizados à combustão foram inventados, utilizamos o petróleo como base para a fabricação deste combustível. Por questões ambientais e pela necessidade de criar alternativas energéticas que reduzissem a dependência desta única fonte, governos brasileiros incentivaram e apoiaram a pesquisa em busca de outras fontes de combustível. Surge daí o etanol de cana-de-açúcar. Entre suas qualidades o fato de ser renovável, ou seja, a cada safra pode-se produzir, produto menos poluente e com um bom apelo na questão da sustentabilidade. Assunto hoje que está muito em voga e é fator com grande influência em qualquer tipo de empreendimento. Desenvolvimento sustentável é um conceito definido pela Comissão Brundtland em 1987, que caracterizou a questão como forma de equilibrar o mundo de hoje com a capacidade de sobrevivência das espécies. Esse conceito parte do princípio que os recursos são finitos e que a demanda cresce mais que a possibilidade de gerá-los.

Ciente dessa questão, a USI – Usinas Sociais Inteligentes S/A, empresa que se dedica à pesquisa, produção e comercialização de etanol a partir de várias fontes, entra no mercado de biocombustíveis, apresentando um modelo de negócio que vai ao encontro dos desafios que este complexo fenômeno da sustentabilidade sugere. A USI surge em uma fase da economia brasileira onde o tema principal em discussão é sobre em quais matrizes energéticas o País vai se alicerçar, um fator básico e, como se sabe, decisivo para o desenvolvimento dos negócios, tanto no campo como na cidade. É preciso dizer que o setor primário pode produzir matéria-prima (soja, milho, cana, mamona, etc.), que viabilizem as suas atividades como produtores de alimentos e permita que um percentual desta produção gere combustível para a movimentação da frota brasileira de veículos. Atendendo assim, a necessidade de aumentar a renda do campo, manter o sistema de produção econômica da cidade funcionando sem diminuir o fornecimento de alimento e, principalmente, cuidando para evitar o esgotamento dos recursos naturais, ou seja, criando um circulo positivo de sustentabilidade.

Por conta deste contexto a USI estruturou o seu projeto com o conceito de que não é interessante que somente uma parte ganhe com o resultado e sim, todos ganhem. Percebemos que oferecer a produtores, cooperativas, associações e/ou empresas, participação societária na usina permitiria um aumento da renda aos participantes, com a produção de etanol (combustível renovável), alimentação animal e biofertilizantes, buscando uma atividade sustentável e com preservação do meio ambiente, pois estes seriam os principais fornecedores da matéria-prima da usina, ganhando então pela produção desta, mais os lucros da usina.

Quando elaboramos este projeto também era preocupação solucionar algumas questões que sempre estiveram como sombra ameaçadora na produção, por exemplo, de arroz; melhorar a renda. Por esta razão foi proposto à Embrapa, a busca de uma nova variedade do cereal, destinada especificamente para a produção de etanol. E mais uma vez, a inteligência e a pesquisa brasileira venceu um desafio. Batizado de “Gigante”, pelo seu tamanho (o dobro comparado ao comercial) e pelo alto teor de amido, esta nova variedade já é uma realidade em diversos campos do Rio Grande do Sul. E traz consigo a solução para o aumento de renda, uma vez que o produtor poderá plantar as duas variedades (apenas 25% da área com Gigante) e aumentar os lucros, e a possibilidade concreta, já testada, de produção de etanol (anidro e combustível). O que se busca hoje com o desenvolvimento desta tecnologia para o Rio Grande do Sul, é a redução no volume de etanol importado de outros estados, melhorando assim o resultado da balança comercial gaúcha.

Organizada esta primeira fase, a USI volta agora, a sua atenção para o centro do Brasil onde o milho é a principal atração. Abundante, notadamente no Mato Grosso, o milho pode agregar mais valor para o produtor ao ampliar as possibilidades de uso, transformando-se em importante matéria-prima para a produção de biocombustível e outras formas de alimento para animais, via ração, a exemplo do que acontece nos Estados Unidos. Por conta de situações mercadológicas o valor pago pela saca ao agricultor mal cobre os custos de plantio. A oportunidade de entrar no projeto USI permite que ele aumente seus ganhos, traga mais empregos e melhore a renda da região.

Em ambas as possibilidades estamos atentos à questão da sustentabilidade ao debatermos com nossos parceiros a logística de transporte deste combustível para os centros consumidores e, com isto, como reduzirmos o impacto ambiental da usina e da produção de etanol gerado neste projeto. Como produtores rurais que somos, desde três gerações passadas, sempre entendemos que a produção de qualquer bem, qualquer riqueza, não pode ferir e interferir radicalmente no meio ambiente. A produção agrícola e de alimentos depende diretamente da boa convivência com as regras da natureza. Por isto, acreditamos que gerar a matéria-prima a uma distância pequena da usina, gerar renda ao produtor e distribuir o combustível produzido pela usina, também na região, mostra sobremaneira que o projeto USI se insere no contexto moderno de produção e consumo local e tem, na sustentabilidade, sua espinha dorsal.

* Francisco Mallmanm é presidente da USI – Usinas Sociais Inteligentes S/A