Consultoria agroeconômica lança plataforma para gerenciamento de documentação de crédito

O Agrodocs dá autonomia às empresas originadoras das operações, organiza documentos e informações, além de orientar a checagem jurídica

Redação*

estágio_morguefile_reduzidaCom o objetivo de gerenciar toda documentação para crédito no setor de agronegócio, o aplicativo Agrodocs, desenvolvido pela Agrosecurity, além de organizar e unificar as informações em um único ambiente eletrônico, permite maior governança entre as áreas de crédito, vendas e jurídico das empresas financiadoras.

“Na área de crédito rural, a documentação é muito específica e complexa. A organização de documentos e informações por meio desta plataforma cria um processo de gestão documental e o coloca em um formato mais corporativo. Todo e qualquer histórico das operações fica no sistema, à disposição da empresa”, explica Fernando Lobo Pimentel, sócio-diretor da Agrosecurity.

A ferramenta foi desenvolvida por uma equipe composta por profissionais de TI, advogados e pela área de inteligência da empresa, que integra engenheiros agrônomos e agrícolas e economistas, responsáveis pela alimentação e manutenção de acervo de dados, como valoração de ativos agrícolas, capacidade produtiva, etc.

O Agrodocs busca auxiliar o usuário na feitura de documentos, conferência de garantias oferecidas como lastro, acompanhamento do processo de coleta de assinaturas, registro em cartório, trânsito pelo correio, custódia de documentos etc., ou seja, organiza e dá suporte a todo o exercício de checagem jurídica, o que é imprescindível para a concretização do processo de crédito.

Amigável e simples, o Agrodocs permite o uso de smartphones e tablets para a inclusão de imagens de documentos no sistema e também alteração do status de formalização, podendo ser acessado por um colaborador pré-definido.

*com informações da assessoria de imprensa

 

O que esperar do mercado de commodities

Este e outros assuntos foram tratados no Seminário “Desafios e Perspectivas do Agronegócio Brasileiro”, realizado pela FGV IBRE, em São Paulo

Da esquerda para direita - Celso Vegro, do IEA; Luiz Cornacchioni, da ABAG, e Fernando Lobo Pimentel, da Agrometrika e Agrosecurity

Da esquerda para direita – Celso Vegro, do IEA; Luiz Cornacchioni, da ABAG, e Fernando Lobo Pimentel, da Agrometrika e Agrosecurity

“Commodity não é produção primária. Quero reforçar isso na abertura deste painel porque é algo que tenho ouvido muito e que não corresponde à verdade. Há muito valor agregado naquilo que produzimos tanto para o mercado interno quanto para o externo. E produzir commodities não é demérito algum”, foi assim que Luiz Cornacchioni, diretor executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), abriu o ciclo de palestras do 1º Seminário Desafios e Perspectivas do Agronegócio Brasileiro, realizado na 6a feira 16, em São Paulo, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE). “O futuro dessas commodities passa por várias questões que serão discutidas hoje aqui”, completou.

Para falar sobre alguns destes pontos e sobre seus impactos no agronegócio, a mesa foi composta também por Celso Vegro, diretor técnico do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e por Fernando Lobo Pimentel, sócio-diretor da Agrosecurity Consultoria e da Agrometrika Informática. “Há uma tendência secular de queda de preço de commodities. E isto é natural porque a tecnologia faz com que isso aconteça”, disse Celso Vegro.

Falando a respeito das diferenças entre o Eixo Pacífico e o Eixo Atlântico, sobretudo o Brasil, em relação a questões como disponibilidade de terras agricultáveis, água, condições climáticas etc, Vegro ainda destacou aspectos como o que chamou de ocidentalização dos hábitos de consumo. “O consumo de proteína animal, fibras e bebidas tem crescido exponencialmente no Pacífico”, disse.

Protecionismo comercial aliado ao contexto geopolítico em que nos encontramos – crises de natureza política, questão dos refugiados, avanço de viés conservador – também foram apontados por Vegro. “Esta tendência mundial ao protecionismo só aumenta o grau de incertezas nos negócios. O que precisamos, na verdade, é buscar o desenvolvimento por meio do comércio”, disse.

Apesar de enxergar uma onda de oportunidades para o Brasil nessa contextualização, Vegro chama atenção para os riscos. “Há um déficit brasileiro com a importação de fertilizantes e isso não pode ser ignorado. A falta de capacitação da mão de obra é outra questão importante”, reforçou.

Financeirização da agricultura

“No mundo todo, quem financia a agricultura é o sistema financeiro. Aqui no Brasil, temos um modelo matricial. O crédito oferecido feito pelas empresas de insumos representa mais de 50% dessas operações no País. Sob o ponto de vista jurídico, trata-se de um modelo complexo”, disse Fernando Pimentel.

“É um modelo que tem seus vícios e virtudes. Em 2008, o Brasil passou intocado pela crise econômica; em 2013/2014, a agricultura, ao contrário de outros setores, cresceu. Isso porque tem uma estrutura muito peculiar”, disse. “No nosso sistema financeiro, o que falta é o seguro. Não há sinistro por causas naturais; o que é equivocado e injusto”, lamentou Pimentel, dizendo que no Brasil, “banco foge do agricultor porque ele não tem seguro”. O que leva empresas como Bayer, Basf, Monsanto, Yara, Bunge, agroindústria e cooperativas, por exemplo, a atuarem como agentes financeiros ao financiarem o crédito a seus clientes.

Por conta deste modelo de crédito cada vez mais privado, Pimentel falou também sobre a necessidade de as cooperativas se reinventarem, já que acabam perdendo muito com isto. “Além disso, há a presença cada vez mais forte de empresas chinesas no campo, o que gera competitividade”, disse.

De acordo com ele, a situação traz alguns desafios, como melhoria de governança de crédito, integrando operações comerciais e bancárias; ampliação da oferta de seguro rural; melhoria nas vias de escoamento; posicionamento diplomático para fazer frente a medidas protecionistas; aperfeiçoamento da segurança jurídica nos âmbitos trabalhista, ambiental e tributária para o agricultor empresarial. “Nós crescemos de forma caótica nesta questão de crédito para o agronegócio”, afirmou.

“Para que tenhamos o salto de crescimento em produção que se espera, precisaremos revisar este modelo”, alerta. “É inadmissível que se gaste hoje R$ 20 mil por um carimbo em cartório para uma CPR (cédula de produto rural) ou que seja necessário rodar 20, 30 quilômetros para se fazer um registro. Isso trava os negócios. Tudo precisa ser automatizado para que as coisas sejam feitas de forma fluida e mais moderna”, defende.

 

 

Governo anuncia R$ 10 bilhões em financiamento para próxima safra

Medida foi oficializada durante 44ª Reunião Ordinária do Pleno do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social

Redação*

Dinheiro_01-300x197Em anúncio de medidas feito ontem (28) pelo ministro Nelson Barbosa (Fazenda) durante a 44ª Reunião Ordinária do Pleno do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o governo federal oficializou que o setor agropecuário terá R$ 10 bilhões em financiamento de pré-custeio na safra 2016/2017.

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, que já havia antecipado esse dinheiro, comemorou a medida e afirmou que os maiores beneficiados serão os agricultores, que continuarão confiando e investindo no setor. “A reserva de R$ 10 bilhões do pré-custeio certamente vai deslanchar melhor o crédito agrícola a partir do início do ano. Em junho, quando anunciarmos o Plano Agrícola e Pecuário, o crédito já estará fluindo normalmente”, afirmou a ministra.

Segundo a ministra, a demanda por crédito no setor agrícola tem sido crescente. De julho a dezembro do ano passado, houve aumento de 20% no volume contratado para custeio em relação ao mesmo período de 2014, totalizando R$ 51,2 bilhões.

*Com informações do Mapa