Incidência de CVC é de 2,89% no parque citrícola de SP e MG

Dado é do Fundecitrus; tendência de queda deve-se à intensificação do controle do greening

Redação*

laranjaO Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) divulga levantamento que aponta que apenas 2,89% do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, composto por 349 municípios, apresenta incidência de Clorose Variegada dos Citros (CVC), doença conhecida como amarelinho.

Considerada a pior ameaça à citricultura brasileira na década de 1990 e nos anos 2000, a CVC provoca o amadurecimento precoce e a redução acentuada do tamanho dos frutos, que podem perder até 75% de seu peso, levando, dessa maneira, à diminuição da produtividade. De acordo com o Fundecitrus, o índice deve-se, principalmente, à intensificação do controle do greening (Huanglongbing/HLB), a doença mais destrutiva dos citros na atualidade.

Como os produtos utilizados para o controle do psilídeo, inseto transmissor do greening, são os mesmos recomendados para as cigarrinhas transmissoras da CVC, as aplicações mais frequentes para o manejo do HLB resultaram em maior eficiência de controle da CVC, cuja população de vetores e eficiência de transmissão são menores em comparação ao greening.

Além disso, o uso de mudas sadias provenientes de viveiros protegidos, obrigatório desde 2003, contribuiu significativamente para a redução da incidência da CVC nos pomares jovens. A erradicação de pomares adultos improdutivos, altamente contaminados com greening e CVC, também reduziu a incidência da doença também nessa faixa de idade de pomares.

Segundo a instituição, o setor mais afetado pela CVC é o Noroeste (7,81%), seguido pelo Sul (4,45%). Norte (2,34%), Centro (2,02%) e Sudoeste (0,52%) apresentam menores índices.

*Com informações do Fundecitrus

 

 

 

O papel da pesquisa no controle da CVC

FAPESP e Fundecitrus debatem como a ciência solucionou problemas econômicos com a decodificação do genoma da Xylella fastidiosa, bactéria causadora da praga do amarelinho

evento_fapesp_fundecitrusReunindo pesquisadores, especialistas, consultores e estudantes, a FAPESP em parceria com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) apresentaram na manhã desta quarta-feira (13) um panorama das pesquisas desenvolvidas no controle biológico da Clorose Variegada de Citros (CVC), conhecida como praga do amarelinho. Considerada a maior ameaça da citricultura nos anos 1990, a doença está praticamente extinta dos pomares de laranja. “O que a parceria FAPESP e Fundecitrus realizou foi o desenvolvimento de um conhecimento científico para resolver um problema que afetou a produtividade”, disse José Goldemberg, presidente da FAPESP, durante a abertura do evento.

“O que fizemos foi unir pesquisadores, estudantes, o setor privado e o governo em prol de benefícios para a sociedade como um todo”, disse na sequência, Lourival Carlo Mônaco, presidente do Fundecitrus. “O trabalho feito com a Xylella fastidiosa (bactéria causadora da CVC) nos serviu de exemplo para o controle do Greening”, completou.

“Quero aqui aplaudir e ressaltar a importância desta parceria que criou uma rede de decodificação com resultados extraordinários”, disse Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, também presente no evento.

Após a cerimônia de abertura, alguns pesquisadores falaram sobre trabalhos desenvolvidos durante o período de decodificação do genoma da Xylella fastidiosa, o projeto Genoma FAPESP, concluído em 2000, com a participação de cerca de 200 pesquisadores.

Antônio Juliano Ayres, gerente geral do Fundecitrus, falou que o desafio da superação de uma praga como a CVC só foi possível devido a dois fatores: “pesquisa e um citricultor, em sua maioria, altamente tecnificado”, disse. “A CVC foi responsável pela erradicação de mais de 100 milhões de árvores; tivemos uma quebra de 20% da produção e os prejuízos foram de mais de R$ 1 bilhão”, informou. “A CVC nos deixou mais fortes; tornou nossa citricultura mais competitiva e eficiente. Poderíamos estar como a Flórida hoje, de joelhos”.

Abordando a importância da participação da iniciativa privada em pesquisas científicas, Carlos Henrique de Brito Cruz, pesquisador científico da FAPESP, falou sobre a importância do Fundecitrus na decisão pela decodificação da bactéria da CVC. “Enquanto estávamos decidindo que genoma deveríamos sequenciar, o Fundecitrus nos chegou com a questão pronta; com todo o panorama da doença e o porquê deveríamos investir nisso”, conta. “Hoje, 60% dos investimentos em pesquisa são de empresas privadas. A FAPESP se beneficiou muito dessa parceria com o Fundecitrus”.

Na sequência, foram apresentadas pesquisas relativas ao manejo da CVC; aos avanços na área de insetos vetores no controle da doença e também estudos epidemiológicos.

CVC hoje

De acordo com o Fundecitrus, 3,02% das laranjeiras do parque citrícola do Brasil está afetado pela doença. Este é o menor índice desde que se iniciou o levantamento em 1996.

Nos últimos anos, segundo a instituição, a doença vem regredindo em todas as idades de plantas, se tornando um problema secundário, porém ainda forte em pomares mais velhos, acima de 10 anos, remanescentes da época do surgimento da doença.

A queda nos índices da doença deveu-se à erradicação das plantas doentes que já estavam velhas e com baixa produtividade e a substituição por pomares sadios plantados sob um sistema de prevenção e manejo da CVC.