Grãos: avanço da colheita aumenta pressão baixista sobre os preços

Apesar das adversidades climáticas, produção deverá ser superior à registrada na temporada passada, prevê consultoria

Luiz Henrique Magnante/EmbrapaO bom andamento da colheita de soja e milho primeira safra aumenta a oferta de grãos no mercado, gerando forte pressão baixista sobre os preços destes produtos.

A despeito das chuvas nas principais regiões produtoras, decorrentes das adversidades climáticas ligadas ao fenômeno “El Niño”, a produção de grãos no ciclo 2015/16 deverá ser superior à registrada na temporada anterior, especialmente, em razão do incremento da área plantada de soja. É o que aponta o mais recente levantamento da Parallaxis Consultoria, especializada no mercado de commodities agrícolas.

Algodão
O estudo também traz prognósticos para outros produtos, como, por exemplo, o algodão. Segundo a projeção da Parallaxis, os preços da fibra natural – que se encontram valorizados em relação ao verificado no ano passado – deverão cair, devido ao recuo na demanda tanto interna quanto externa.

Os baixos preços do petróleo, matéria-prima utilizada na fabricação de fibra sintética e os elevados estoques de algodão nos principais países consumidores, bem como a retração econômica no mercado doméstico são os fatores, listados pelo relatório da consultoria, como limitantes para o consumo.

Açúcar e carnes
A recessão também deverá provocar queda na demanda interna por açúcar, alerta o documento. De acordo com a análise, como a indústria alimentícia e o varejo estão tendo dificuldades para repassar os preços do produto – que sofreram uma disparada nos últimos meses -, a reposição dos estoques de açúcar está sendo mais pontual.

Todavia, segundo a Parallaxis, as exportações devem, ainda, garantir a manutenção de preços mais satisfatórios para o açúcar, principalmente se a expectativa de déficit para esta safra for confirmada.

No que diz respeito às carnes, o levantamento prevê aumento dos preços do frango congelado, em função de um novo aquecimento na demanda tanto interna quanto externa. Já os preços da arroba bovina têm como fator de alavancagem a retomada dos pastos nas principais regiões produtoras, o que deverá fazer com que os pecuaristas segurem as vendas.

De modo geral, independentemente das oscilações nas cotações, a Parallaxis avalia que a manutenção da valorização do dólar sobre o Real deverá deixar a rentabilidade das principais commodities agrícolas no campo positivo.

Foto: Luiz Henrique Magnante/Embrapa

El Niño reduz previsão para a safra brasileira de soja em meio milhão de toneladas

Seca no Centro-Oeste e excesso de umidade no Sul afetam produtividade das lavouras da oleaginosa, mostra a Expedição Safra

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No início da colheita de verão, o potencial produtivo da soja brasileira segue indefinido. Sobre forte influência do El Niño, a soja teve seu potencial produtivo reduzido a 99,79 milhões de toneladas, ante previsão inicial de 100,32 milhões de toneladas, conforme aponta a 10a Expedição Safra, que acompanha a situação das lavouras em 16 estados. O Indicador Brasil (veja gráfico embaixo) foi puxado para baixo, principalmente, por perdas em Mato Grosso, maior produtor do grão no país e cujas lavouras têm sido castigadas pela estiagem desde o início da temporada.

Na região do Matopiba, composta pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde já se esperava queda na produtividade pela falta de chuvas, a projeção se manteve negativa. O rendimento da soja nessa região deve apresentar recuo na comparação com índices registrados na safra passada, conforme relatório da Expedição. No Sul do Brasil, o excesso de umidade no final do ciclo ainda não compromete o potencial produtivo das lavouras. No entanto, a falta de luz do sol afetou o crescimento das plantas e atrasou o início da colheita, que deve começar a ganhar ritmo apenas na segunda quinzena de janeiro.

Mas, o cenário pode mudar até o final da colheita, resultando em uma safra acima de 100 milhões de toneladas. O clima mais firme no Sul e mais úmido no Centro-Oeste e Centro Norte do país na reta final da temporada abriria espaço para uma recuperação das lavouras mais tardias.

Milho Verão

Os indicadores da Expedição Safra mostram redução de 5,8% na área plantada do milho verão em comparação a safra anterior. Os produtores continuam dando preferência à soja como cultura de verão e deixando para investir no milho na segunda safra.  Na região Sul do Brasil, a redução no plantio chegou a 11,3%, puxada em especial pelo Paraná, com 19,6% menos área destinada ao cultivo do cereal na primeira safra.

 Indicador Brasil 2015-16 - Expedição Safra

Intensidade do El Niño é a maior desde 1997, diz brasileiro pesquisador da Nasa

Fenômeno climático tem forte impacto no regime de chuvas, o que coloca em alerta os produtores rurais de todo o País

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A intensidade do fenômeno climático El Niño é a maior desde 1997, revelou o brasileiro Ivair Gontijo, engenheiro de sistemas do laboratório de propulsão a jato da Nasa (JPL/Nasa), durante palestra no Summit Agronegócio Brasil 2015, realizado na semana passada [quinta-feira, 26], em São Paulo (SP). “A continuar desta forma, poderemos ter ainda mais chuvas nas regiões Sul e Sudeste, como temos observado”, disse.

Basicamente, o El Niño se caracteriza pelo aquecimento – ainda inexplicável, argumenta a comunidade científica internacional – das águas da costa oeste da América do Sul.

O fenômeno provoca aumento da precipitação no Sul do Brasil, bem como no sul da região Sudeste. Além disso, também acarreta em déficit de chuvas no semiárido do Nordeste e um leve aumento de temperatura no Sudeste. Pelo seu impacto significativo no regime de chuvas, observar as oscilações geradas pelo El Niño se tornou questão-chave para a agropecuária brasileira.

Ao alicerçar sua apresentação na temática das mudanças climáticas, Gontijo ressaltou, também, que antevê o surgimento de oportunidades de negócios para quem investir em tecnologias e processos que sequestrem carbono da atmosfera sem reemiti-los. “O mundo poderá sim pagar por isso”, acentuou, acrescentando que “a atividade agropecuária pode não só reduzir a emissão de CO2, bem como reverter este processo”.

O pesquisador mostrou, ainda, tecnologias espaciais que podem servir de base para serem utilizadas em processos e técnicas de agricultura de precisão. Entre as aplicações, Gontijo citou soluções que podem dar maior precisão no acompanhamento da evolução dos plantios, melhor exatidão nas previsões de seca e/ou chuvas, identificação de umidade e nutrientes no solo, entre outras.

É o que já fez, por exemplo, em nível experimental, a Embrapa em São Carlos. A partir da tecnologia empregada no Curiosity, veículo da Nasa que explora a superfície de Marte, a unidade desenvolveu um jipe-robô, que por meio da emissão de raio laser faz a análise química completa de qualquer amostra de solo ou cultura.