Biotecnologia aplicada ao setor de cosméticos será discutida em Brasília/DF

A geração de insumos para cosméticos é uma oportunidade para o enriquecimento de cadeias agropecuárias com novos produtos

De 25 a 27 de setembro acontece em Brasília/DF o IV Encontro de Pesquisa e Inovação. Promovido pela Embrapa Agroenergia, o evento discutirá o papel da biotecnologia para o desenvolvimento tecnológico no setor de cosméticos, que ocupa o segundo lugar no ranking dos que mais investem em inovação no Brasil.

A geração de insumos para cosméticos é uma oportunidade para o enriquecimento de cadeias agropecuárias com novos produtos. Atualmente, as empresas do setor têm como desafio atender ao consumidor cada vez mais exigente, que pede produtos de baixo impacto ambiental. Como exemplo, uma linha de pesquisa com potencial para gerar insumos com estas características é o estudo de microalgas.

O encontro contará com mesas-redondas voltadas para o segmento de cosméticos e de nutrição animal. Além disso, serão exibidos 22 trabalhos em desenvolvimento nos laboratórios da Embrapa Agroenergia.

Para conferir a programação completa, acesse www.embrapa.br/enpi2017. Para outras informações, ligue para (61) 3448-1592/1598 ou escreva para cnpae.enpi@embrapa.br

Serviço

O quê? IV Encontro de Pesquisa e Inovação

Onde? Embrapa Agroenergia | Parque Estação Biológica s/n° | Brasília/DF

Quando? De 25 a 27 de setembro

*Com informações da Embrapa Agroenergia

 

Construindo um caminho para a bioeconomia

Guy de Capdeville*

Guy2_ByLeandroDesde a sua origem, em 24/05/2006, a Embrapa Agroenergia vem se dedicando a produzir soluções alinhadas ao Plano Nacional de Agroenergia, documento produzido no mesmo ano pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que propôs políticas para quatro plataformas, que compreenderam o Etanol, o Biodiesel, as Florestas Energéticas e os Coprodutos e Resíduos. Nessa época, foi proposta a criação de um centro de pesquisa em Agroenergia que culminou na criação da nossa Unidade. Inicialmente, a Embrapa Agroenergia foi sediada no prédio da Embrapa Sede e, em 2008, iniciou-se a construção do seu prédio sede, o qual foi concluído em 2010. Em 2012, finalizou-se a estruturação dos laboratórios de pesquisa e a contratação do quadro de pessoal.

A partir de então, a Unidade começou a se dedicar a projetos multidisciplinares de grande porte, na lógica de parcerias público-privadas, integrando sua equipe multidisciplinar para prover soluções nos temas ligados às quatro plataformas supracitadas. Entretanto, com a descontinuidade do Plano Nacional de Agroenergia ao final de sua vigência, a Unidade se viu obrigada a redirecionar sua programação, que hoje não somente se dedica às pesquisas com biocombustíveis, mas também vem ampliando as pesquisas com microalgas, química verde, biomateriais, entre outras áreas.

Nesse contexto, a Embrapa Agroenergia atua hoje em quatro eixos principais: Biomassa para uso industrial, Biotecnologia Industrial, Química de Renováveis e Materiais Renováveis, como pode ser visto na figura, que sumariza a caminhada desde nossa criação até o dia de hoje. No primeiro eixo, temos buscado utilizar melhoramento genético convencional e melhoramento assistido por biotecnologias para produzir matérias-primas com características de interesse para o setor industrial. No segundo, estamos produzindo insumos e processos para a conversão eficiente das matérias-primas em combustíveis e outros produtos de valor agregado no contexto das biorrefinarias. Por fim, no terceiro e quarto eixos, temos procurado desenvolver soluções que ajudem o Brasil a reduzir seu déficit na balança comercial de químicos, dando foco às pesquisas para produção de químicos verdes e aos materiais renováveis, de forma a desenvolver soluções nacionais que possam tomar o lugar daquelas importadas e, principalmente, buscando substituir os produtos de origem fóssil por aqueles de origem renovável. Somente assim, poderemos desenvolver uma bioeconomia sólida e sustentável.

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*Chefe-geral da Embrapa Agroenergia

 

Programa estimula o uso de gordura animal na fabricação de biodiesel

Atrás somente do óleo de soja, o sebo bovino representa 14,17% da produção do biocombustível no País

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Após um ano do lançamento oficial pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (2005), a Embrapa Agroenergia começou a estudar a utilização de diversos tipos de gordura animal para a produção de biocombustível. “O biodiesel pode ser produzido a partir de qualquer gordura ou óleo, animal ou vegetal. A utilização de gordura bovina, que antes era descartada de maneira indevida no meio ambiente ou subutilizada na fabricação de sabão, agora está sendo usada para a produção de biodiesel”, explica Itânia Pinheiro Soares, pesquisadora da Embrapa Agroenergia.

Para se ter uma ideia do volume produzido desta matéria-prima na fabricação de biocombustíveis, o Brasil gera por ano mais de 700 mil toneladas de gordura animal para este fim. “Este montante representa aproximadamente 15% do volume total gerado”, conta a pesquisadora. “O uso de gordura bovina neste processo é limitante porque em temperatura ambiente, ela solidifica devido ao seu alto teor de saturados. O restante, de 75% a 80% da composição deste biodiesel é óleo de soja”, completa.

Além do impacto ambiental, o uso desta matéria-prima reduz os custos de produção do biocombustível. “Por conta do volume, hoje os maiores fornecedores desta gordura animal para as usinas são grandes produtores e frigoríficos. Mas há também uma participação importante, que deve crescer e ser estimulada, vinda de cooperativas da agricultura familiar”, diz Itânia.

A pesquisadora diz ainda que outros testes estão sendo realizados com gordura de porcos, aves e peixes. “Estas outras gorduras representam um volume muito pequeno, abaixo de 1%. Mas podemos chegar a uma composição que seja menos preocupante em relação à questão da solidificação, da gordura bovina”, anseia.

“Precisamos trabalhar para que este programa seja ampliado e melhorado para que a qualidade da matéria-prima na fabricação deste biodiesel seja superior. E neste sentido, o Selo Combustível Social, que inlcuiu em dezembro de 2014 o sebo bovino como um dos produtos que pode ser adquirido por meio da agricultura familiar, vem para estimular isso”, diz.

O selo é um instrumento do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel e tem como fundamento a inclusão social e produtiva da agricultura familiar, o desenvolvimento regional e a produção sustentável de matéria-prima para energia renovável. Para obter o selo, as indústrias precisam cumprir alguns requisitos, previstos na lei. O primeiro é comprovar a aquisição de matéria-prima da agricultura familiar, de acordo com os percentuais estabelecidos por região; o segundo é que esses contratos precisam ser prévios para que o agricultor tenha garantia de venda. E, por último, os produtores familiares precisam ter acesso à Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater).

De acordo com o relatório de agosto deste ano da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente a julho, o óleo de soja representa 78,66% da produção de biodiesel no País. A gordura bovina vem em segundo lugar, com 14,17%; outros materiais graxos, 4,85% e outras (óleo de algodão, óleo de fritura, gordura de porco, gordura de frango, óleo de palma/dendê) representam 2,32% do total, que foi superior a 300 mil m³.