Câmara dos deputados aprova RenovaBio

Projeto segue agora para o Senado Federal

Redação*

Abastecimento-Etanol_0006-300x225Novo incentivo à energia limpa no Brasil está mais perto de virar realidade. A Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) foi aprovada na última terça-feira (28) pela Câmara dos deputados. O objetivo da medida é expandir a produção e o uso dos biocombustíveis na matriz energética brasileira e, assim, auxiliar o País a atingir as metas para conter a mudança do clima.

Além de contribuir para frear o aquecimento global e para consolidar uma matriz energética limpa, a RenovaBio tem como objetivo garantir a adequada relação de eficiência energética e redução de emissões na produção, comercialização e uso dos biocombustíveis. A medida também deverá assegurar a geração de empregos no país e a previsibilidade para a participação competitiva dos diversos biocombustíveis nos mercados nacional e internacional.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de biocombustíveis. Neste ano, o país gerou 27 bilhões de litros de etanol e 4,2 bilhões de litros de biodiesel. O etanol é usado em mistura com a gasolina na proporção de 27% em volume em todo o país, além de ser usado como combustível único pelos carros flex, que representam mais de 65% da frota atual de veículos leves. O biodiesel é adicionado ao diesel fóssil na proporção de 8%, percentual que subirá para 10% a partir de março de 2018.

*Com informações do Ministério do Meio Ambiente

 

Unica contesta aprovação de projeto autorizando venda de carros a diesel

A associação da indústria canavieira diz que projeto de lei “está na contramão da sustentabilidade” e do compromisso assumido pelo Brasil no acordo global do clima. Se aprovado, projeto ainda requererá importação do combustível fóssil

Redação*

MorguefileA União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) emitiu nota nesta terça-feira, 22, protestando contra a continuidade do processo de aprovação, no Congresso Nacional, do Projeto de Lei nº 1.013/2011, que autoriza a fabricação e venda de veículos leves movidos a óleo diesel. “A liberação no uso desses automóveis certamente vai na direção contrária ao compromisso ambiental que o Brasil assumiu no acordo global do clima. Na 22ª Conferência do Clima (COP22), realizada no Marrocos neste mês, quase 200 países, dentre eles o Brasil, estiveram presentes para defender suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa”, diz a nota.

Estudos internacionais atribuem às partículas finas do diesel cerca de 3% dos óbitos globais causados por doenças cardiovasculares, 5% dos cânceres de pulmão e 3% das mortes em crianças até cinco anos de idade.

“O aumento da emissão de partículas de diesel é preocupante sob o ponto de vista do aquecimento global e o da saúde pública. As partículas retêm o calor e, apesar de terem um efeito local, contribuem para o aumento de temperatura do planeta. Os veículos a diesel são a maior fonte emissora de NOx (óxidos de nitrogênio), que após passarem por reações químicas e fotoquímicas na atmosfera com outros poluentes, contribuem para a formação de substâncias, como o ozônio, na baixa atmosfera, ou seja, um gás de efeito estufa e danoso à saúde”, explica Alfred Szwarc, consultor de Emissões e Tecnologia da UNICA.

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Além da questão ambiental, ao permitir a volta do uso deste combustível fóssil na frota de carros de passeio, a oferta interna será ainda mais insuficiente, resultando na necessidade de aumentar a importação, com consequentes impactos negativos para a balança comercial brasileira.

A UNICA é uma das signatárias do Manifesto contra o PL elaborado, em junho deste ano, pelo Observatório do Clima, que defende o meio ambiente e a saúde pública. Além da entidade, médicos, cientistas especialistas em poluição atmosférica, instituições de pesquisa, organizações ambientalistas e de defesa do consumidor e empresários, além de cinco ex-ministros do Meio Ambiente – Rubens Ricupero, José Carlos Carvalho, Marina Silva, Carlos Minc e Izabella Teixeira – assinam o documento.

* com informações da UNICA.