Fundação Cargill seleciona nove projetos voltados à alimentação

Instituições receberão aporte financeiro e de gestão para o edital 2018

Redação*

alimentacao_saudavel_fund julitaNove instituições de sete cidades brasileiras receberão apoio financeiro e de gestão da Fundação Cargill para projetos voltados à alimentação, que têm como prioridade saúde, segurança, sustentabilidade e acessibilidade. O Edital 2018 contemplará iniciativas de Barreiras/BA, Chapecó/SC, Goiânia/GO, Itapira/SP, Santarém/PA, Santos/SP e São Paulo/SP.

De acordo com a Fundação Cargill, foram inscritos 168 projetos de 141 instituições em 14 estados brasileiros. Os programas foram selecionados levando em consideração aspectos como planejamento e gestão, impacto e relevância, poder de transformação, potencial de inovação e sustentabilidade.

Conheça um pouco dos projetos contemplados nesta edição.

Barreiras/BA

O Projeto Frutos do Cerrado, do Instituto Avançado de Ensino Superior de Barreiras, receberá apoio para iniciar uma pesquisa de um fruto sazonal da região, o cajuí. Com ela, pretende-se entender e mapear a viabilidade econômica e as propriedades nutricionais do fruto, além de treinar agricultores locais para produzirem o cajuí.

Chapecó/SC

A Viver Ações Sociais receberá verba para equipar uma cozinha experimental que servirá para qualificar 240 profissionais que vivem em vulnerabilidade social. Por meio do projeto Pão para VIVER, os cursos de massas, panificação e confeitaria, ministrados em parceria com o Sebrae e o Senac, atenderão a demanda crescente por profissionais de panificação na região e fomentará o empreendedorismo da comunidade.

Goiânia/GO

O Programa de Educação Alimentar e Nutricional desenvolvido pela Universidade Federal de Goiás (UFG), é voltado para tratamento e prevenção de doenças cardiovasculares de 200 crianças de Santo Antônio de Goiás. Por meio de atividades para conscientizar as famílias dos alunos sobre a importância da alimentação adequada e oficinas que visam melhorar a qualidade da merenda escolar de escolas municipais e aumentar o consumo de cascas, folhas, talos e sementes a partir do aproveitamento integral do alimento, o projeto quer reduzir em 50% a prevalência dos fatores de risco cardiovasculares, em um período de 12 meses; aumentar em 50% o consumo de diário de frutas e hortaliças e reduzir em 50% o consumo diário de alimentos ricos em açúcar, entre outros.

Itapira/SP

O Projeto Comer na Escola Serve para quê?, da Instituição Avisa Lá, receberá apoio para a formação de profissionais responsáveis pelas merendas. Serão realizadas também atividades com as crianças com o objetivo de incluir hábitos mais saudáveis em suas rotinas.

Santarém/PA

O Projeto Alto Arapiuns de Segurança Alimentar e Conservação Ambiental do Aerocuble de Voo e Vela CTA tem como objetivo melhorar a geração adicional de renda dos integrantes das comunidades ribeirinhas na bacia de afluentes do rio Arapiuns.

Santos/SP

A Cozinha Experimental do Lar das Moças Cegas receberá móveis, equipamentos e utensílios para o ensino e a fabricação de pães, massas e doces para o Projeto Padaria Inclusiva, que visa a formação de 250 pessoas com deficiência visual como mão de obra especializada para o mercado de trabalho.

São Paulo/SP

Em São Paulo, foram selecionados três projetos. Um deles é o Bota na Mesa, desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas, que quer incluir agricultura familiar nas cadeias de alimento em grandes centros urbanos.

A Fazenda Aquapônica Urbana, da Associação Reciclázaro, visa implementar duas novas técnicas de produção de alimento em meio urbano com a utilização da aquaponia vertical e aeroponia – combinação de peixes e plantas.

O outro selecionado foi o Sabores e Conexões, da ONG Arrastão Movimento de Promoção Humana. A iniciativa quer capacitar jovens e adultos para a criação de negócios na área de alimentação, acessíveis às comunidades de baixa renda, usando ferramentas de negócio e tecnologia.

*Com informações da assessoria de imprensa

 

Trabalhos universitários com foco na agricultura familiar e no empreendedorismo são destaque em premiação

Comunidades do Ceará e Alagoas foram diretamente beneficiadas com os projetos

pirotec

“São muito responsáveis e comprometidos a mudar o mundo”. É assim que Valéria Militelli, presidente da Fundação Cargill, fala a respeito dos jovens premiados este ano no Prêmio Alimentação em Foco, realizado pela instituição em parceria com a organização Enactus Brasil.

Os dois projetos contemplados, desenvolvidos por estudantes universitários dos estados do Ceará e Alagoas, tiveram como foco a agricultura familiar e o empreendedorismo. O ganhador do primeiro lugar – Projeto Mudas – do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE Iguatu) desenvolveu uma tecnologia para auxiliar na irrigação e no controle eficiente da água. Batizado de PIROTEC, o equipamento é constituído de palito de pirulito, arame e prego, ao custo de R$0,07. “Nosso objetivo era de que o projeto pudesse chegar às famílias nos âmbitos social, ambiental e econômico. Para isso, além de apresentar a tecnologia aos produtores, realizamos treinamentos no campo e demos orientações nas áreas jurídica e financeira”, explica Kevin Brasil, estudante de Química e líder do projeto, constituído por 21 membros.

“Em dois anos, conseguimos com que 966 pessoas fossem impactadas diretamente por meio de cursos de informática, capacitações técnicas, serviços de saúde gratuitos e tratamentos estéticos. Tornamos 920 m², antes improdutivos, em uma área produtora de verduras e hortaliças, que são vendidas em feiras e no comércio local. Com isso, garantimos a 15 famílias um aumento de R$ 800 na renda de cada uma delas. Além disso, realizamos também um curso de processamento de alimentos para as mulheres e, a partir dele, montamos a 1ª fábrica”, anima-se o estudante.

O Mudas conseguiu ainda, durante este período, trabalhar com educadores e crianças de duas escolas do município a implementação de hortas. “O projeto mostrou que, com muito pouco, é possível transformar uma paisagem amarela em verde esperança porque é isso que todos merecem. Queremos que mais e mais pessoas conheçam e tenham acesso à tecnologia e, com isso, consigam uma alimentação digna e uma qualidade de vida melhor”, anseia Kevin.

O outro trabalho que recebeu destaque foi desenvolvido por alunos da Universidade Federal de Alagoas. “Amitis era o nome de uma princesa, esposa do rei Nabucodonosor II, para quem ele projeto Amitisconstruiu os Jardins Suspensos da Babilônia. E como nosso objetivo era trabalhar com mulheres, usando a técnica da hidroponia, resolvemos adotar o nome da princesa”, explica Matheus Mendonça, estudante de Design e representante do projeto.

“A técnica que usamos se diferencia da convencional porque utiliza garrafas pet e casca de arroz carbonizado”, explica. “Queríamos trabalhar com o público urbano. Começamos pela comunidade Village Campestre II, um dos bairros mais carentes de Alagoas. O trabalho, além de proporcionar uma melhora significativa na alimentação das famílias, propiciou a comercialização de produtos como tomate cereja e maracujá, que têm valor agregado. Estamos agora em fase de prospecção, buscando parceria com ONGs que atuem no Sertão”, finaliza Mendonça.

Os trabalhos receberam da Fundação Cargill, 7 mil reais e 5 mil reais para o primeiro e segundo lugar, respectivamente. Os interessados podiam se inscrever em quatro categorias: agricultura familiar; combate ao desperdício de alimentos; educação alimentar e empreendedorismo na cadeia de valor da alimentação.