Manejo adequado do rebanho pode reduzir emissões de metano

Pesquisa da Embrapa mostra que a emissão do gás varia conforme a alimentação do animal e, quanto menos fibrosa, maior ganho de peso e menor impacto no meio ambiente. Adoção de ILPF também contribui para a redução do gás de efeito estufa

Marcílio Frota/Embrapa

Animal misto de nelore com curraleiro-de-pé-duro pastando, com floresta de babaçu ao fundo

Na condução de pesquisa para sua tese de doutorado, o analista Marcílio Nilton Lopes da Frota, da Embrapa Meio-Norte, com sede em Teresina/PI, concluiu que, no período chuvoso, quando os rebanhos bovinos costumam ser alimentados com ração de boa qualidade, a emissão de metano nos pastos é cerca de nove vezes menor do que no período seco, quando as pastagens são escassas e apresentam menos nutrientes.

De acordo com os resultados obtidos por Frota, na região de Cocais Maranhenses, na divisa dos biomas Cerrado e Amazônia, quanto menos fibroso e mais digestível for o alimento consumido pelo animal, menos metano será produzido. “Nessa situação, o animal ganha mais peso, leva menos tempo para ser abatido e, consequentemente, diminui o impacto no meio ambiente”, assegura o pesquisador.

A pesquisa foi conduzida durante o ano de 2016 e só considerou alimentação a pasto e com adição de sal mineral apenas. A raça analisada foi a que é resultado de cruzamento entre nelore e o curraleiro-de-pé-duro, adaptado ao clima quente da região. “Nossa ideia com esse trabalho era também avaliar a conservação dessa floresta de babaçu, que é a maior formação de plantas oleaginosas do mundo, e a viabilização de seu consórcio com as pastagens; ou seja, aliar a produção de carne com a extração do coco babaçu”, conta Frota.

Além da questão da alimentação, a emissão de gás metano no ambiente depende também do sistema de produção. A pesquisa ainda apontou que propriedades que utilizam o Sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), em vez de emitir gases, os sequestram. 

“As críticas à pecuária brasileira advêm do grande número de animais no rebanho (mais de 200 milhões) e dos baixos índices da pecuária extensiva, com tempo de abate superior a três anos e meio”, explica Frota.

Segundo ele, o valor adotado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC (56 quilogramas de metano por ano para animais de corte jovens, criados na América Latina) não é preciso, porque os animais não ficam isolados, mas são inseridos em um sistema de produção. “Esses valores de emissão variam ao longo do ano e não podem ser estáticos e pré-definidos para todo o País”, diz.

O pesquisador defende que deva ser levada em conta a emissão por quilo de produto gerado, uma vez que o animal pode estar bem alimentado, emitir uma quantidade maior de metano, mas ter um rápido desenvolvimento, ser abatido em menos tempo e assim gerar uma menor emissão por quilo de carne produzido. 

Em ILPF, emissões podem ser anuladas

Para Frota, em sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, com a pastagem feita anualmente e com o capim na fase ideal para consumo, a emissão de metano será menor do que a observada atualmente. “Além disso, nesse tipo de sistema, a captação de gases pelo solo poderá anular as emissões dos bovinos”, declara, informando que foi considerada a floresta de babaçu no trabalho, mas que em outras regiões pode se considerar o eucalipto.

O trabalho de Frota ressalta a importância dos sistemas silvipastoris, que apresentam pastos com maior valor nutritivo ao longo do ano e maior conforto térmico ao rebanho. “Os animais perderam menos energia em forma de metano do que quando criados em pleno sol. Foi emitido, em determinadas épocas do ano, 20% menos metano do que os organismos internacionais estão apontando. Temos que buscar resultados próprios nacionais para evitar que divulguem informações negativas sobre a contribuição da pecuária brasileira para a emissão de metano”, afirma o pesquisador da Embrapa.

Sistemas de produção de gado de corte com animais adaptados às considões da região e pastagens bem manejadas têm ainda potencial para apresentar um balanço de carbono positivo, mesmo sem a introdução de árvores, como ocorre no sistema Lavoura-Pecuária.

Na pesquisa, Frota observou ainda que não houve diferenças na emissão de gases pelos bovinos em sistemas com árvores e em monocultivo na região dos Cocais Maranhenses. A prática de desmatar totalmente a área para a instalação de pastagem também não trouxe ganhos na produtividade animal e foi equivalente a um sistema silvipastoril contendo 67 árvores de babaçu por hectare, consorciada com pastagem.

Foto: Marcílio Frota/Embrapa.

São Carlos/SP sedia simpósio sobre ILPF

Com realização da Embrapa Pecuária Sudeste, evento acontece em 1 e 2/12

Redação*

gadoNos dias 1 e 2 de dezembro, a Embrapa Pecuária Sudeste em parceria com o Grupo de Estudos Luiz de Queiroz (GELQ) realizam o III Simpósio de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) do Estado de São Paulo, em São Carlos/SP.

Com o objetivo de promover o aumento da adoção deste sistema de produção, o evento vai apresentar e discutir as principais metodologias, inovações e soluções tecnológicas da Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

No primeiro dia, mais teórico, serão discutidos os desafios destes sistemas integrados, histórico, pesquisas e apresentação de estudos de caso. No dia seguinte, os participantes conhecerão os sistemas de integração da Fazenda Canchin, sede da Embrapa Pecuária Sudeste.

Ao todo, são 200 vagas. As inscrições devem ser feitas pelo link.

Serviço

O quê? III Simpósio de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) do Estado de São Paulo

Onde? Auditório da Embrapa Instrumentação | Rua XV de Novembro, 1452 – Centro – São Carlos/SP (1/12) e Embrapa Pecuária Sudeste | Fazenda Canchim – Rodovia Washington Luiz, Km 234 | São Carlos/SP

Quando? 1 e 2/12

*Com informações da assessoria de imprensa

 

Coopercitrus e Embrapa promovem dia de campo sobre ILPF

Evento acontece nesta 4a feira, 15, na Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro (EECB), norte de SP. Integração de culturas agrícolas com a pecuária e a silvicultura favorece o solo e proporciona incremento na renda rural para o pecuarista de leite ou corte o ano todo, asseguram técnicos da cooperativa

Danilo Moreira

Negociar bons preços na compra de bois magros ou na genética de novilhas e equilibrar os custos com a nutrição animal são aspectos que fazem parte da rotina dos pecuaristas que buscam o maior lucro final na atividade. Porém, um mercado tão inserto necessita de novas alternativas de incremento de renda e essa é a proposta da integração-lavoura-pecuária (ILP) e integração-lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

A dinâmica desse processo será apresentada em Dia de Campo organizado pela Coopercitrus, Embrapa Pecuária Sudeste e EECB (Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro), em 15 de fevereiro, das 8h às 12h, nas dependências da EECB, onde as empresas mostrarão os resultados adquiridos pela Unidade de Referência Tecnológica em ILPF lá implementada no final de 2015.

O sistema consiste em utilizar a área de pastagem para o implemento de até três culturas ao ano. Ou seja, no pasto que está para ser reformado, o pecuarista inicia o processo com o plantio de soja; após a colheita da oleaginosa, uma segunda cultura pode ser cultivada, como milho ou sorgo, já realizando a semeadura do capim.

“Com esse sistema, o produtor consegue ter um rendimento o ano todo. Além de fazer uma recuperação da fertilidade do solo, vai melhorar o fluxo de receita da propriedade. Com a entrada dessas novas culturas, ele vai ter a receita da soja, do milho ou sorgo e, caso implante o componente florestal, terá o rendimento da madeira”, explica o gerente do departamento técnico agropecuário da Coopercitrus Antonio Reinaldo Pinto Silva.

Dentre os temas a serem abordados no evento estão os sistemas de integração implantados e a evolução da fertilidade do solo; uma explicação sobre as espécies forrageiras tropicais; a formação de pastagens em sistema de agropastoril; características e manejo dos sistemas agrossilvipastoril e silvipastoril e as características de cultivares de soja da Embrapa.

Dentro da parceria com a Embrapa e a EECB, foram implementados seis módulos, sendo três de ILP e três de ILPF, de 1 hectare cada, na Unidade de Referência Tecnológica em ILPF da cooperativa na estação experimental. Neles, após o plantio de soja em toda a área, foram plantados: 1) braquiária; 2) milho e braquiária; 3) sorgo e braquiária;  4) eucalipto e braquiária; 5) mogno e braquiária; e 6) teca e braquiária. De acordo com Silva, os bons resultados já começam a aparecer nas áreas de braquiária solteira, milho e sorgo. Para o pesquisador Luiz Adriano Cordeiro, da Embrapa Pecuária Sudeste, o dia de campo representa uma ótima oportunidade para os agricultores “enxergarem o modelo físico dos sistemas”. “O evento tem fins didáticos”, explica Cordeiro, que fará palestra no dia de campo, assim como o especialista em ILP João Kluthcouski, seu colega da Embrapa Cerrado.

O evento está aberto a cooperados e não associados da Coopercitrus, desde que inscritos pelo tel.: (17) 3344-3184.

Serviço:

O que? Dia de Campo ILPF

Quando? 15 de fevereiro, das 8 às 12h

Onde? Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro, no km 384 da Rodovia Brigadeiro Faria Lima, em Bebedouro/SP.

Inscrições: Gratuitas. Os produtores rurais interessados em participar do evento devem confirmar presença através do telefone (17) 3344-3184.

Crédito da foto: Danilo Moreira.

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