Coopercitrus e Embrapa promovem dia de campo sobre ILPF

Evento acontece nesta 4a feira, 15, na Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro (EECB), norte de SP. Integração de culturas agrícolas com a pecuária e a silvicultura favorece o solo e proporciona incremento na renda rural para o pecuarista de leite ou corte o ano todo, asseguram técnicos da cooperativa

Danilo Moreira

Negociar bons preços na compra de bois magros ou na genética de novilhas e equilibrar os custos com a nutrição animal são aspectos que fazem parte da rotina dos pecuaristas que buscam o maior lucro final na atividade. Porém, um mercado tão inserto necessita de novas alternativas de incremento de renda e essa é a proposta da integração-lavoura-pecuária (ILP) e integração-lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

A dinâmica desse processo será apresentada em Dia de Campo organizado pela Coopercitrus, Embrapa Pecuária Sudeste e EECB (Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro), em 15 de fevereiro, das 8h às 12h, nas dependências da EECB, onde as empresas mostrarão os resultados adquiridos pela Unidade de Referência Tecnológica em ILPF lá implementada no final de 2015.

O sistema consiste em utilizar a área de pastagem para o implemento de até três culturas ao ano. Ou seja, no pasto que está para ser reformado, o pecuarista inicia o processo com o plantio de soja; após a colheita da oleaginosa, uma segunda cultura pode ser cultivada, como milho ou sorgo, já realizando a semeadura do capim.

“Com esse sistema, o produtor consegue ter um rendimento o ano todo. Além de fazer uma recuperação da fertilidade do solo, vai melhorar o fluxo de receita da propriedade. Com a entrada dessas novas culturas, ele vai ter a receita da soja, do milho ou sorgo e, caso implante o componente florestal, terá o rendimento da madeira”, explica o gerente do departamento técnico agropecuário da Coopercitrus Antonio Reinaldo Pinto Silva.

Dentre os temas a serem abordados no evento estão os sistemas de integração implantados e a evolução da fertilidade do solo; uma explicação sobre as espécies forrageiras tropicais; a formação de pastagens em sistema de agropastoril; características e manejo dos sistemas agrossilvipastoril e silvipastoril e as características de cultivares de soja da Embrapa.

Dentro da parceria com a Embrapa e a EECB, foram implementados seis módulos, sendo três de ILP e três de ILPF, de 1 hectare cada, na Unidade de Referência Tecnológica em ILPF da cooperativa na estação experimental. Neles, após o plantio de soja em toda a área, foram plantados: 1) braquiária; 2) milho e braquiária; 3) sorgo e braquiária;  4) eucalipto e braquiária; 5) mogno e braquiária; e 6) teca e braquiária. De acordo com Silva, os bons resultados já começam a aparecer nas áreas de braquiária solteira, milho e sorgo. Para o pesquisador Luiz Adriano Cordeiro, da Embrapa Pecuária Sudeste, o dia de campo representa uma ótima oportunidade para os agricultores “enxergarem o modelo físico dos sistemas”. “O evento tem fins didáticos”, explica Cordeiro, que fará palestra no dia de campo, assim como o especialista em ILP João Kluthcouski, seu colega da Embrapa Cerrado.

O evento está aberto a cooperados e não associados da Coopercitrus, desde que inscritos pelo tel.: (17) 3344-3184.

Serviço:

O que? Dia de Campo ILPF

Quando? 15 de fevereiro, das 8 às 12h

Onde? Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro, no km 384 da Rodovia Brigadeiro Faria Lima, em Bebedouro/SP.

Inscrições: Gratuitas. Os produtores rurais interessados em participar do evento devem confirmar presença através do telefone (17) 3344-3184.

Crédito da foto: Danilo Moreira.

Leia ainda:

Integração-Lavoura-Pecuária marca presença em tradicional polo citrícola

A agropecuária brasileira como alavanca ambiental 

Por Ciro Antonio Rosolem*

23.03.2012 - ANDEF Fotos: Tatiana Ferro

Temos visto notícias frequentes sobre desmatamento e focos de incêndio, ora na Amazônia, ora no Cerrado, ora em outros lugares. Isso normalmente é notícia porque dizem que está ligado ao aquecimento global. Se for admitido que o aquecimento é antrópico. A preocupação com o ambiente é justificável, pois é onde vivemos. Todos nós. É necessário o balanço entre produzir alimentos, fibras, matérias primas, energia e flores sem prejudicar a gerações futuras. Mas, esses bandidos fazendeiros destroem nossas florestas em busca de lucros indecentes. Este é o discurso. Essa é a notícia. A manchete. A mentira.

Ocorre que este discurso é antiquado, coisa do século passado, irreal, absurdo. Primeiro, porque a maior parte do desmatamento não é feita por agricultores ou pecuaristas. É feito por madeireiras, muitas vezes associadas à tribo presente no local. Mas isto é outra história. O discurso é antigo, porque, já há algum tempo, organizações internacionais realmente preocupadas com o ambiente já perceberam que o buraco é mais embaixo. De fato, em 2005, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento iniciou um estudo apoiado pela rede WWF (World Wildlife Fund – aquele do ursinho) sobre integração lavoura-pecuária.

O que motivou a WWF a apoiar estes estudos foi o grande sucesso, inclusive do ponto de vista ambiental, das tecnologias desenvolvidas pelo brasileiros, agropecuaristas, universidades e institutos de pesquisa, como a própria semeadura direta, com início nos anos 1970, depois os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária, com início nos anos 1990 e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e Integração Pecuária-Floresta a partir de 2000. Por outro lado, a Articulação Soja – Brasil realizou um debate nacional entre ONGs e movimentos ambientais e sociais para determinar critérios que deveriam ser atendidos na produção de soja. ONGs internacionais dedicadas à preservação ambiental perceberam, e apoiam, a revolução que ocorre na agropecuária brasileira. Parece que muitos, no Brasil, ainda não perceberam.

A semeadura ou plantio direto é a mais importante ação ambiental brasileira em atendimento às recomendações da conferência da Organização das Nações Unidas (Eco-92) e da Agenda 21 brasileira, indo ao encontro do que foi acordado na assinatura do Protocolo Verde. Como ação concreta, está em andamento, há alguns anos o programa ABC – Agricultura de Baixo Carbono, financiado pelo governo federal. Todos os novos e revolucionários sistemas desenvolvidos no Brasil tem como sustentáculo a técnica de semeadura ou plantio direto. Estima-se que 60% da área com lavouras no Brasil seja cultivada dentro dos princípios da semeadura direta. Isto faz do Brasil o país com maior área de agricultura conservacionista no mundo. Um pouco mais recentes são os sistemas integrados, ou seja, culturas graníferas e pastagens com ou sem florestas, crescendo juntas, fixando carbono, diminuindo emissão de CO2, melhorando a economicidade do sistema e proporcionando bem-estar aos que vivem no campo. Levantamento recente indicou que os sistemas integrados cobrem cerca de 11,5 milhões de hectares no Brasil, ou aproximadamente 20% da área cultivada.

Enfim, o Brasil tem uma agropecuária pujante, uma agropecuária que tem desenvolvido papel fundamental para que sejam cumpridas as metas ambientais propostas pelo nosso País. Viva nossa pesquisa agropecuária, viva nossos agricultores, viva nossos pecuaristas. Campeões na luta contra a fome e campeões da conservação ambiental.

*Vice-Presidente de Estudos do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor Titular da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCA/Unesp Botucatu).

Ponte com o futuro

Por Coriolano Xavier*

23.03.2012 - ANDEF Fotos: Tatiana FerroO agronegócio brasileiro é carta importante no jogo geopolítico mundial. De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), o Brasil deverá ser o principal exportador mundial de alimentos da próxima década, peça chave para abastecer 80 milhões de pessoas que nascem na Terra a cada ano – a maioria na Ásia, América Latina e África. Já somos 7,3 bilhões de habitantes no planeta, população que está crescendo a 0,33% ao ano, ao mesmo tempo em que a expectativa de vida das pessoas está aumentando de modo consistente, em particular no chamado “mundo desenvolvido”.

Nosso país chegou a esse protagonismo no agronegócio com base em um modelo produtivo e de negócios assentado em tecnologia intensiva e contínua expansão da produtividade – tanto na produção vegetal como animal. Nossos índices de eficiência no campo mostram isso: nos últimos 20 anos, por exemplo, a produção brasileira de grãos cresceu a uma taxa anual de 4,8%, enquanto a área plantada cresceu 2,1% e a produtividade 2,7% ao ano¹. Olhando para a “Produtividade Total dos Fatores de Produção” (terra, capital e mão de obra), nos últimos 40 anos o Brasil cresceu 3,5% ao ano, índice que é o dobro da performance dos EUA (1,75% a.a.), no mesmo período.

Esse modelo certamente continuará sendo uma grande alavanca para o futuro do nosso agronegócio – e também para a economia do país. Mas, talvez, isso não seja o suficiente, pois hoje os desafios da produção de alimentos, fibras e bioenergia ultrapassam a dimensão quantitativa das safras e dos rebanhos. Para quem olha para o agronegócio de amanhã, a ordem do dia inclui preservar a terra, criar novos padrões de defesa fitossanitária e biossegurança animal, adotar tecnologias compromissadas com o manejo sustentável dos recursos naturais, fomentar o uso racional e consciente dos insumos e fatores de produção.  Isso tudo sem perder eficiência.

Essa ponte com o futuro parece que o nosso agronegócio já está construindo. No passado, combinamos produtividade e sustentabilidade através do plantio direto. Hoje, essa visão de alta produção sustentável ganha espaço por meio dos sistemas ILF ou ILPF (integração de lavoura, pecuária e floresta), da biodigestão de resíduos orgânicos e da agricultura de precisão, com seus impactos positivos para maior produção por área, enfoques conservacionistas de água e solo, racionalização de insumos e custos.

No plano estratégico dos mercados – e pensando no agronegócio global — a visão essencial será investir em diferenciais competitivos e agregar valor, lembrando que nos mercados mais maduros (países desenvolvidos), em que o consumo de alimentos já é alto e o ritmo de crescimento populacional baixo, as melhores oportunidades de valor estão em inovação de produtos e mudança dos hábitos de consumo.  Ou seja, foco qualitativo diferenciado. No contraponto, os países em desenvolvimento (como os BRICS)² revelam-se mais dinâmicos em produtos com demanda alavancada pelo crescimento econômico ou por fluxos migratórios fortes do campo para as cidades, como ocorre hoje na China. É o caso de proteína animal como frango e suínos, ou grãos a eles associados. 

(1)     Projeto Agrotendências, Ivan Wedekin – Wedekin Consultores.

(2)     Brasil, Rússia, India, China e África do Sul. 

*Vice-Presidente de Comunicação do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM.