São Carlos/SP sedia simpósio sobre ILPF

Com realização da Embrapa Pecuária Sudeste, evento acontece em 1 e 2/12

Redação*

gadoNos dias 1 e 2 de dezembro, a Embrapa Pecuária Sudeste em parceria com o Grupo de Estudos Luiz de Queiroz (GELQ) realizam o III Simpósio de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) do Estado de São Paulo, em São Carlos/SP.

Com o objetivo de promover o aumento da adoção deste sistema de produção, o evento vai apresentar e discutir as principais metodologias, inovações e soluções tecnológicas da Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

No primeiro dia, mais teórico, serão discutidos os desafios destes sistemas integrados, histórico, pesquisas e apresentação de estudos de caso. No dia seguinte, os participantes conhecerão os sistemas de integração da Fazenda Canchin, sede da Embrapa Pecuária Sudeste.

Ao todo, são 200 vagas. As inscrições devem ser feitas pelo link.

Serviço

O quê? III Simpósio de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) do Estado de São Paulo

Onde? Auditório da Embrapa Instrumentação | Rua XV de Novembro, 1452 – Centro – São Carlos/SP (1/12) e Embrapa Pecuária Sudeste | Fazenda Canchim – Rodovia Washington Luiz, Km 234 | São Carlos/SP

Quando? 1 e 2/12

*Com informações da assessoria de imprensa

 

Coopercitrus e Embrapa promovem dia de campo sobre ILPF

Evento acontece nesta 4a feira, 15, na Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro (EECB), norte de SP. Integração de culturas agrícolas com a pecuária e a silvicultura favorece o solo e proporciona incremento na renda rural para o pecuarista de leite ou corte o ano todo, asseguram técnicos da cooperativa

Danilo Moreira

Negociar bons preços na compra de bois magros ou na genética de novilhas e equilibrar os custos com a nutrição animal são aspectos que fazem parte da rotina dos pecuaristas que buscam o maior lucro final na atividade. Porém, um mercado tão inserto necessita de novas alternativas de incremento de renda e essa é a proposta da integração-lavoura-pecuária (ILP) e integração-lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

A dinâmica desse processo será apresentada em Dia de Campo organizado pela Coopercitrus, Embrapa Pecuária Sudeste e EECB (Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro), em 15 de fevereiro, das 8h às 12h, nas dependências da EECB, onde as empresas mostrarão os resultados adquiridos pela Unidade de Referência Tecnológica em ILPF lá implementada no final de 2015.

O sistema consiste em utilizar a área de pastagem para o implemento de até três culturas ao ano. Ou seja, no pasto que está para ser reformado, o pecuarista inicia o processo com o plantio de soja; após a colheita da oleaginosa, uma segunda cultura pode ser cultivada, como milho ou sorgo, já realizando a semeadura do capim.

“Com esse sistema, o produtor consegue ter um rendimento o ano todo. Além de fazer uma recuperação da fertilidade do solo, vai melhorar o fluxo de receita da propriedade. Com a entrada dessas novas culturas, ele vai ter a receita da soja, do milho ou sorgo e, caso implante o componente florestal, terá o rendimento da madeira”, explica o gerente do departamento técnico agropecuário da Coopercitrus Antonio Reinaldo Pinto Silva.

Dentre os temas a serem abordados no evento estão os sistemas de integração implantados e a evolução da fertilidade do solo; uma explicação sobre as espécies forrageiras tropicais; a formação de pastagens em sistema de agropastoril; características e manejo dos sistemas agrossilvipastoril e silvipastoril e as características de cultivares de soja da Embrapa.

Dentro da parceria com a Embrapa e a EECB, foram implementados seis módulos, sendo três de ILP e três de ILPF, de 1 hectare cada, na Unidade de Referência Tecnológica em ILPF da cooperativa na estação experimental. Neles, após o plantio de soja em toda a área, foram plantados: 1) braquiária; 2) milho e braquiária; 3) sorgo e braquiária;  4) eucalipto e braquiária; 5) mogno e braquiária; e 6) teca e braquiária. De acordo com Silva, os bons resultados já começam a aparecer nas áreas de braquiária solteira, milho e sorgo. Para o pesquisador Luiz Adriano Cordeiro, da Embrapa Pecuária Sudeste, o dia de campo representa uma ótima oportunidade para os agricultores “enxergarem o modelo físico dos sistemas”. “O evento tem fins didáticos”, explica Cordeiro, que fará palestra no dia de campo, assim como o especialista em ILP João Kluthcouski, seu colega da Embrapa Cerrado.

O evento está aberto a cooperados e não associados da Coopercitrus, desde que inscritos pelo tel.: (17) 3344-3184.

Serviço:

O que? Dia de Campo ILPF

Quando? 15 de fevereiro, das 8 às 12h

Onde? Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro, no km 384 da Rodovia Brigadeiro Faria Lima, em Bebedouro/SP.

Inscrições: Gratuitas. Os produtores rurais interessados em participar do evento devem confirmar presença através do telefone (17) 3344-3184.

Crédito da foto: Danilo Moreira.

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A agropecuária brasileira como alavanca ambiental 

Por Ciro Antonio Rosolem*

23.03.2012 - ANDEF Fotos: Tatiana Ferro

Temos visto notícias frequentes sobre desmatamento e focos de incêndio, ora na Amazônia, ora no Cerrado, ora em outros lugares. Isso normalmente é notícia porque dizem que está ligado ao aquecimento global. Se for admitido que o aquecimento é antrópico. A preocupação com o ambiente é justificável, pois é onde vivemos. Todos nós. É necessário o balanço entre produzir alimentos, fibras, matérias primas, energia e flores sem prejudicar a gerações futuras. Mas, esses bandidos fazendeiros destroem nossas florestas em busca de lucros indecentes. Este é o discurso. Essa é a notícia. A manchete. A mentira.

Ocorre que este discurso é antiquado, coisa do século passado, irreal, absurdo. Primeiro, porque a maior parte do desmatamento não é feita por agricultores ou pecuaristas. É feito por madeireiras, muitas vezes associadas à tribo presente no local. Mas isto é outra história. O discurso é antigo, porque, já há algum tempo, organizações internacionais realmente preocupadas com o ambiente já perceberam que o buraco é mais embaixo. De fato, em 2005, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento iniciou um estudo apoiado pela rede WWF (World Wildlife Fund – aquele do ursinho) sobre integração lavoura-pecuária.

O que motivou a WWF a apoiar estes estudos foi o grande sucesso, inclusive do ponto de vista ambiental, das tecnologias desenvolvidas pelo brasileiros, agropecuaristas, universidades e institutos de pesquisa, como a própria semeadura direta, com início nos anos 1970, depois os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária, com início nos anos 1990 e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e Integração Pecuária-Floresta a partir de 2000. Por outro lado, a Articulação Soja – Brasil realizou um debate nacional entre ONGs e movimentos ambientais e sociais para determinar critérios que deveriam ser atendidos na produção de soja. ONGs internacionais dedicadas à preservação ambiental perceberam, e apoiam, a revolução que ocorre na agropecuária brasileira. Parece que muitos, no Brasil, ainda não perceberam.

A semeadura ou plantio direto é a mais importante ação ambiental brasileira em atendimento às recomendações da conferência da Organização das Nações Unidas (Eco-92) e da Agenda 21 brasileira, indo ao encontro do que foi acordado na assinatura do Protocolo Verde. Como ação concreta, está em andamento, há alguns anos o programa ABC – Agricultura de Baixo Carbono, financiado pelo governo federal. Todos os novos e revolucionários sistemas desenvolvidos no Brasil tem como sustentáculo a técnica de semeadura ou plantio direto. Estima-se que 60% da área com lavouras no Brasil seja cultivada dentro dos princípios da semeadura direta. Isto faz do Brasil o país com maior área de agricultura conservacionista no mundo. Um pouco mais recentes são os sistemas integrados, ou seja, culturas graníferas e pastagens com ou sem florestas, crescendo juntas, fixando carbono, diminuindo emissão de CO2, melhorando a economicidade do sistema e proporcionando bem-estar aos que vivem no campo. Levantamento recente indicou que os sistemas integrados cobrem cerca de 11,5 milhões de hectares no Brasil, ou aproximadamente 20% da área cultivada.

Enfim, o Brasil tem uma agropecuária pujante, uma agropecuária que tem desenvolvido papel fundamental para que sejam cumpridas as metas ambientais propostas pelo nosso País. Viva nossa pesquisa agropecuária, viva nossos agricultores, viva nossos pecuaristas. Campeões na luta contra a fome e campeões da conservação ambiental.

*Vice-Presidente de Estudos do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor Titular da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCA/Unesp Botucatu).