Obras de infraestrutura logística devem ficar com a iniciativa privada

Preocupados com a demora na solução dos problemas de logística do país, que faz com que o nosso agronegócio perca competitividade, representantes de empresas do setor e do governo do Mato Grosso são unânimes no pedido: o governo deve deixar a iniciativa privada tocar as obras de infraestrutura

estrada Morguefile

A recomendação de que as obras de infraestrutura logística fiquem sob responsabilidade da iniciativa privada foi feita nesta 5a feira (26) pelos presidentes do conselho da Cosan, Rubens Ometto, e da JSL Logística, Fernando Antônio Simões, e pelo vice-governador do Mato Grosso, Carlos Fávaro, em painel sobre os desafios da logística no Summit Agronegócio Brasil 2015, organizado pelo jornal O Estado de S. Paulo, em São Paulo.

“Eu acredito na iniciativa privada, onde há menos ineficiência e corrupção. E se elas ocorrem, é problema dos empresários; a população não é prejudicada”, afirmou Rubens Ometto, do conselho da Cosan, grupo do qual faz parte a Rumo, empresa de logística. Ele mostrou preocupação, durante sua apresentação no evento, quanto aos financiamentos, que são elevados em logística, nestes tempos de crise econômica.

Tanto Ometto quanto Fernando Simões, da JSL Logística, pedem que antes de iniciar novos empreendimentos, se invista em finalizar as obras já iniciadas. De acordo com Simões, 57% da malha rodoviária, que domina o transporte no país, está em más condições. “Não dá para esperar solução nessa área por parte do governo”, disse.

Parcerias

Carlos Fávaro, do MT: mais crescimento só com melhor infraestrutura

Carlos Fávaro, do MT: mais crescimento só com melhor infraestrutura

Mesmo um representante do setor público, Carlos Fávaro (PSB), vice-governador do Mato Grosso e que já presidiu a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), também aposta nas parcerias com a iniciativa privada para melhorar a infraestrutura desse estado que é o maior produtor de soja, milho e algodão, e o que abriga o maior rebanho bovino do Brasil. Por outro lado, é um dos piores em termos de qualidade das rodovias, lamenta Fávaro.

“Apostamos em um novo modelo de gestão para as obras rodoviárias do Mato Grosso, com planejamento, gestão eficiente e concessionárias que ganhem dinheiro com o negócio”, afirmou Fávaro, mostrando um exemplo de rodovia moderna no estado já administrada por uma concessionária privada e apresentando um novo tributo para ajudar a financiar essas obras chamado Fethas.

“Não dá para ficar esperando o dinheiro da China ou de Brasília”, declarou, afirmando que o agronegócio do estado poderá crescer mais do que os 11% ao ano que tem crescido nos últimos quatro anos (em comparação com 4,4% a.a. no país) se o gargalo da logística for resolvido.

GVAgro prepara proposta de modernização da política agrícola

Documento está sendo elaborado pelo ex-ministro Luís Carlos Guedes Pinto e deverá ser entregue ao ministério da Agricultura até março de 2016

Marcos Santos/Agência USP

Seguro de renda é uma das áreas que o agro precisa desenvolver

O Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (GVAgro) está preparando um documento, que será entregue ao Ministério da Agricultura, com um amplo plano de modernização da política agrícola do País, com foco na proteção da renda do produtor rural.

Foi o que revelou o coordenador do GVAgro, o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, durante o seminário “Ajustes no Agro Brasileiro para maior Inserção Global”, promovido pelo PENSA/USP (Centro de Conhecimento em Agronegócios da Universidade de São Paulo), na sexta-feira (13), em São Paulo (SP).

“O trabalho está sendo coordenado pelo ex-ministro Luís Carlos Guedes Pinto e deverá ser entregue até março de 2016”, disse Rodrigues. Guedes Pinto foi o sucessor de Rodrigues no ministério, bem como também registra passagem na vice-presidência de Agronegócios do Banco do Brasil.

Segundo Rodrigues, o agronegócio brasileiro precisa desenvolver um efetivo programa de seguro de renda. “Mas ainda estamos longe disso, até porque a área coberta por seguro contra questões climáticas é baixíssima.”

De acordo com o ex-ministro, o maior problema do agronegócio é institucional, porque os principais desafios do setor estão fora da alçada de resolução do Ministério da Agricultura. Entre eles, Rodrigues citou gargalos relativos à infraestrutura logística e de armazenagem, segurança jurídica, defesa sanitária, pesquisa & desenvolvimento, política comercial externa, capacitação profissional, formação de líderes, etc.. Para o ex-ministro, falta uma estratégia de Estado para o agronegócio, que envolva os poderes executivo, legislativo e judiciário. “Não é uma coisa de governo, tem que ser de Estado.”

Em sua fala, Rodrigues reiterou o chamado da OCDE para que o Brasil aumente sua produção agropecuária em 40% nos próximos dez anos, a fim de se posicionar como protagonista na oferta mundial de alimentos. “A segurança alimentar é a única chance de paz no mundo, e ser campeão da segurança alimentar é ser o campeão mundial da paz.”