Fundecitrus estima 244,20 milhões de caixas de laranja

Valor representa queda de quase 2% em relação à previsão publicada em setembro

Redação*

laranjaA safra de laranja 2016/2017 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo Mineiro foi reestimada em 244,20 milhões de caixas de 40,8 Kg. O dado é do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). O valor representa uma redução de 1,9% em relação à reestimativa publicada em setembro, de 249,04 milhões de caixas e 0,6% comparado à estimativa inicial publicada em maio, que foi de 245,74 milhões de caixas.

De acordo com o Fundecitrus, a revisão para uma safra menor deve-se à adequação do fator de correção, que calcula os desvios de safra. Nesta última estimativa levou-se em consideração o manejo de HLB, que vem alterando a configuração dos pomares com a eliminação de árvores doentes e substituição por mudas sadias. Isto resultou na formação de subconjuntos de plantas mais novas com produtividade menor do que as do plantio original em um mesmo talhão. O impacto desses subconjuntos é significativo na safra atual que teve baixa produtividade, já que as plantas mais jovens tiveram menor pegamento dos frutos.

A taxa média de queda de frutos é de 13,73%, mantendo o valor abaixo do esperado inicialmente para a safra. Segundo o coordenador da Pesquisa de Estimativa de Safra (PES), Vinícius Trombim, o ritmo mais acelerado da colheita explica a diminuição da queda de frutos. “Até novembro, com base nos talhões monitorados pelo Fundecitrus, estima-se que 81% da produção tenham sido colhidos. Neste mesmo período no ano passado, o número era de 72%”.

*Com informações do Fundecitrus

Safra da laranja é reestimada para cima

Produção deverá ser de 249,04 milhões de caixas e as chuvas maiores que as esperadas são as responsáveis pelo aumento de 1,3%

Redação*

laranjasO Fundo de Defesa da Citricultura – Fundecitrus, em cooperação com Markestrat, FEA-RP/USP e FCAV/Unesp, reestimaram a safra de laranja 2016/17 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro em 249,04 milhões de caixas, de 40,8 kg cada, número 1,3% superior à primeira estimativa, de maio/2016, que era de 245,74 milhões de caixas.

De acordo com o relatório do Fundecitrus, o aumento é em decorrência do crescimento do tamanho dos frutos, causado pela grande incidência de chuvas nos meses de maio a agosto. A pluviometria acumulada nessesmeses foi de 279 milímetros, em média, nas regiões produtoras, 102% maior do que a prevista. Ao contrário do período seco esperado, a chuva, nesse início de safra, se manteve acima da média histórica, condição que vem ocorrendo desde a safra passada.

As águas em maior volume, juntamente com o baixo número de frutos na árvore, contribuíram para o crescimento dos frutos acima da expectativa inicial. Devido a esse ganho de peso da laranja, passa-se a demandar menos frutos para atingir o peso equivalente a uma caixa de 40,8 kg, e, por consequência, um pequeno aumento da produção estimada.

O efeito é maior nas variedades precoces em função da precipitação ter coincidido com o período de colheita dessas variedades, que está quase no fim. Nas variedades Hamlin, Westin e Rubi, o tamanho dos frutos é revisado em 255 frutos/caixa, quando na estimativa de maio/2016 projetavam-se 275 frutos/caixa. As outras laranjas precoces foram reestimadas em 237 frutos/caixa (oito frutos a menos do que na estimativa inicial).

Na variedade Pera Rio, que é de meia estação, também foi observado um aumento de peso, que tem condições de se sustentar nos próximos meses, pois os solos estão úmidos e se aproximam as chuvas da primavera. A partir da pesquisa de monitoramento de talhões, estima-se que apenas 37% da produção dessa variedade tenha sido colhida, portanto, o tamanho reestimado em 245 frutos/caixa poderá ser novamente revisado até o fechamento da safra.

A taxa de queda de frutos foi reestimada em 14,86%, ligeiramente abaixo do previsto inicialmente: 15%.

* com informações do Fundecitrus.

Que momento é este para a citricultura?

Em meio a mudanças, o Brasil tem potencial para vencer, se for competitivo e produzir com qualidade

Por Maurício Mendes*

Decio JoaquimA citricultura mundial vive momentos de mudanças importantes. Não houve na história desta atividade um período de tamanha turbulência, com tantas ocorrências importantes. Refiro-me aos últimos 15 anos. Ataques contra o consumo de suco de laranja vindos de médicos e nutricionistas e problemas de doenças gravíssimos, modificando e encarecendo o sistema de produção nos pomares do Brasil e dos Estados Unidos.

Apesar de tudo, faço uma análise otimista para o setor, especialmente para aqueles que conseguirem ser eficientes e competitivos, estejam eles na produção agrícola, industrial ou na distribuição.

Consumo

Desde 2003, o consumo de suco de laranja tem caído em nível global. Naquele ano, o mundo consumiu o equivalente a 2,6 milhões de toneladas ou 2,6 bilhões de litros (equivalentes de suco de laranja a 65° brix). Uma década depois, o consumo foi de 1,9 milhão de tonelada, uma expressiva queda de 30%. Ao analisar os dados com mais profundidade, o cenário é ainda pior: a maior parte da redução se deu nos maiores consumidores: nos Estados Unidos, o consumo caiu 33%; na Alemanha, 34% e no Reino Unido, 20%.

A causa da queda foi, principalmente, pela forte pressão sobre alimentos calóricos e também pela crise financeira, deflagrada em 2008, com resquícios vistos até hoje. Isso deu espaço para a substituição de sucos de frutas por opções mais baratas, como águas saborizadas, bebidas de soja, isotônicos, entre outros. Por outro lado, a boa notícia é que o quadro é diferente em países em desenvolvimento. Na China, por exemplo, que apesar da pouca tradição em bebidas frias, o consumo cresceu 184% no período. Claro que a base inicial de comparação é pequena, mas esse país asiático já consome mais de 150 mil toneladas, aproximando-se da própria Alemanha em volume total consumido. O Brasil também cresceu 21%, passando de 41 para 61 mil to-
neladas nessa década, e com tendência de crescimento.

Produção

Em termos de produção, o movimento também foi de queda. O grande divisor de águas foi o HLB (Greening). A doença bacteriana, transmitida de forma muito eficiente pelo psilídeo, estava confinada há mais de um século na China e, há pouco menos tempo, na Africa do Sul.

Com a chegada da doença em 2004 ao Brasil e em 2006 à Flórida, as duas principais regiões produtoras de laranjas do mundo, a produção passou a declinar. Nessa época, São Paulo e Flórida produziram juntos cerca de 600 milhões de caixas de laranjas, o mais alto volume da história. Dez anos depois, a produção dos dois estados somou menos de 400 milhões de caixas – uma redução superior a 30%.

Brasil

Como se sabe, o Brasil é o grande produtor e exportador de suco de laranja. O que pouca gente percebe é que é, também, um grande consumidor. Explico: se olharmos os números existentes para o consumo interno do suco concentrado, usado para produzir sucos prontos para beber, sejam eles néctar (suco + água + açúcar) ou sucos de frutas (suco concentrado + água), chegamos a pouco mais de 60 mil toneladas de suco equivalentes (65° brix), o que é pouco. Entretanto, uma análise mais profunda, levando-se em conta que ficam no Brasil entre 80 e 100 milhões de caixas de laranjas in natura, e que 95% dessa fruta é transformado em suco, nas casas, bares e restaurantes, conclui-se que o Brasil consome cerca de 300 mil toneladas de suco, equivalente a (65° brix).

Somam-se a isso os volumes de suco pasteurizado, néctares e bebidas de frutas e temos um consumo considerável. Para efeito de comparação, os Estados Unidos, o maior consumidor mundial, consomem cerca de 600 mil toneladas e a Alemanha, o maior cliente de suco do Brasil, cerca de 160 mil toneladas. Em relação aos sucos pasteurizados, sabe-se informalmente, com importantes atores do mercado, que a produção de NFC (Not From Concentrate) no Brasil está em torno de 80 a 100 milhões de litros anuais. Se transformarmos em suco equivalente, é algo em torno de 30 mil toneladas. Hoje encontram-se no Brasil outras alternativas, como os smoothies e sucos prensados a frio, e apesar de volumes pequenos, indicam um mercado que busca alternativas e pede novos produtos.

Confio muito no mercado consumidor brasileiro. No entanto, os empresários que estão acreditando em nosso mercado não devem se esquecer que o brasileiro tem um paladar apuradíssimo para o suco de laranja. Somos acostumados a tomar suco de qualidade – aquele espremido na hora. Outro fator que inibe um maior crescimento deste mercado é o custo, penalizado pelos altos valores de embalagem, logística e impostos em todas as esferas. É possível tomar um suco em ‘caixinha’ mais barato na França ou Inglaterra do que no Brasil, mesmo que o suco venha do Brasil. É inacreditável. A CitrusBR encomendou com Marcos Fava Neves um estudo comparativo de preços finais de suco, que demonstra esse fato.

O que esperar para o Brasil?

gráfico_artigo mauricioO último relatório do USDA, Citrus: World Markets and Trade, de janeiro 2016, mostra um fenômeno alentador: a produção mundial de suco está inferior à demanda (veja gráfico à equerda).

Ou seja, há dois anos o consumo cai menos do que a produção, indicando que devemos ter anos com preços mais elevados, tanto para o suco no mercado internacional como para a caixa de laranja paga ao citricultor no Brasil. Há um risco evidente que a elevação do preço do suco traz: a di-
minuição do consumo. Este fenômeno é natural em mercados livres. Mas aí está mais uma vantagem para a citricultura brasileira. Somos mais com-
petitivos do que o nosso maior concorrente, a Flórida, mesmo que ainda haja impostos de mais de US$ 400,00 por tonelada sobre o nosso suco. Nas

fazendas, somos mais eficientes no controle do HLB e temos produtividade superior a custos mais baixos. Na área industrial, temos a melhor tecnologia, estrutura logística e escala. Toda essa eficiência compensa a distância para entregar o suco no próprio mercado norte-americano e também no europeu. Para o mercado asiático, somos ainda mais competitivos.

Concluindo, o Brasil é o país que apresenta a maior capacidade de atender ao mundo com sucos de qualidade a custos mais competitivos. Se o volume cair a níveis ainda mais baixos, sobreviverá quem for mais eficiente, que é o caso do Brasil atualmente. Assim, sou otimista. Vejo o horizonte como muito positivo para quem for competente e souber produzir com qualidade. O mundo irá tomar mais e mais suco de laranja ‘100% made in Brazil’.

* É engenheiro agrônomo, sócio da Agriplanning Consultoria em Agronegócio e membro do Grupo de Consultores em Citros (GCONCI).

Obs.: Este artigo foi publicado originalmente na revista Citricultura Atual  # 109, de maio/2016.