Aprovada exportação de leite e de produtos lácteos do Brasil para o Japão

País asiático é o sétimo maior importador mundial do setor

Redação*

leite-II-300x199A Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) recebeu na última quarta-feira (1) comunicado de reabertura do mercado japonês para leite e produtos lácteos do Brasil. As exportações foram reiniciadas depois da aprovação do Certificado Sanitário Internacional. A negociação demorou dois anos. Pelo certificado poderão ser exportados os produtos das áreas livres da febre aftosa com e sem vacinação.

O Japão é o sétimo maior importador mundial de lácteos. Em 2016, o país asiático importou cerca de 62 mil toneladas de soro de leite em pó, 13 mil toneladas de manteiga, 258 mil toneladas de queijos e 201,5 mil toneladas de outros produtos lácteos (leite em pó, caseína, caseinatos, lactose, entre outros). Em 2016, o mercado japonês importou cerca de US$ 1,2 bilhão de produtos lácteos.

De acordo com o secretário de Relações Internacionais do Mapa, Odilson Ribeiro e Silva, “para o setor de lácteos, que está iniciando sua entrada no mercado internacional, o Japão é um cliente muito importante pelo grande potencial de consumo e pelo grau de exigência que tem, demonstrando a capacidade do Brasil de atender estas exigências”.

*Com informações do Mapa

Quanto leite devemos dar às bezerras?

Por Alexandre Pedroso*

Imagem_rebanho_2Está ficando cada vez mais comum o fornecimento de quantidades elevadas de leite para as bezerras na fase inicial de suas vidas, mas isso pode ser um “tiro no pé”. Diversos trabalhos de pesquisa, realizados na última década no Canadá e EUA, mostraram que fornecer mais leite do que os tradicionais quatro litros por dia para as bezerras na fase de aleitamento resultam em maior peso ao desmame, e pode ocasionar maior produção de leite na primeira lactação desses animais. Com a divulgação desses resultados, essa prática passou a ser utilizada como rotina em muitas fazendas no Brasil, onde é comum aleitar as bezerras com oito litros ou mais por dia.

No entanto, essa prática pode não produzir os resultados esperados, o que tem sido cada vez mais notado em fazendas brasileiras. Certamente, as bezerras que consomem mais leite na fase de aleitamento serão desmamadas com peso maior do que as que recebem quantidades moderadas, mas isso não garante que se beneficiarão disso na fase adulta.  É claro que o aleitamento adequado é fundamental para a saúde e bom desenvolvimento da bezerra, mas é preciso entender que fornecer leite em grandes quantidades nos primeiros meses de vida do animal não garante que essa bezerra se torne uma vaca mais produtiva e eficiente.

Após o desmame, as bezerras passam a receber apenas alimentação sólida, a qual deve ter sido introduzida durante a fase de aleitamento. Quanto maior a quantidade de leite recebida na fase de aleitamento, menor será a quantidade ingerida de ração inicial nesse período. Se o consumo da ração inicial for insuficiente, o desenvolvimento do sistema digestivo será retardado, e com isso as bezerras podem sofrer bastante depois da desmama, perdendo todo o benefício de tomar muito leite na fase anterior.

O momento da desmama é um período bastante estressante para a bezerra, pois ela passa a não ter mais acesso ao seu alimento preferido, que é o leite. A partir daí todos os nutrientes que ela precisa serão fornecidos pela alimentação sólida, e para que o animal continue saudável e se desenvolvendo bem após a desmama é fundamental que a ingestão de alimentos seja consistente nesse período. Quanto maior o consumo de ração inicial na época da desmama, melhor será o desempenho da bezerra depois da desmama, por isso não se deve correr o risco de que o fornecimento excessivo de leite possa prejudicar essa ingestão de ração.

No Brasil Central – com foco em SP, MG e GO – a mortalidade de bezerras pós-desmama é muito alta, girando entre 8-11%. Em grande parte, isso se deve à ocorrência de tristeza parasitária bovina, doença transmitida pelos carrapatos que acomete 100% dos rebanhos dessas regiões. Se o consumo de ração inicial não for satisfatório na desmama, muito provavelmente o consumo de alimentos na transição pós-desmama também será insatisfatório. Com consumo inadequado de alimentos, e consequente ingestão insuficiente de nutrientes, o sistema imune do animal é prejudicado, o que fará com que a bezerra fique muito mais vulnerável à ocorrência de doenças, como a tristeza.

Hoje, nossa recomendação técnica é que no momento da desmama as bezerras estejam consumindo pelo menos 1,5-2,0 kg de ração inicial por dia. Isso é fundamental para que o rúmen se desenvolva adequadamente, o que por sua vez é indispensável para que os animais estejam saudáveis e se desenvolvam bem pós-desmama. Para tal, fornecer a elas quantidade muito elevada de leite pode ser um desafio. Dependendo do sistema, pode ser mais interessante limitar o fornecimento de leite para que o consumo da ração inicial seja maximizado. Seis litros de leite por dia, associados ao fornecimento de uma ração inicial de alta qualidade e bom manejo sanitário dos animais, é mais do que suficiente para garantir o bom desenvolvimento das bezerras. A meta para a desmama é que bezerras de raças grandes atinjam pelo menos o dobro do peso ao nascimento e que atinjam cerca de 100 kg de peso aos 90 dias de vida.

Outro aspecto fundamental da criação de bezerras, ao qual muitas vezes não se dá a devida atenção nas fazendas, é o fornecimento de água. É imprescindível que as bezerras tenham acesso irrestrito à água fresca e limpa, desde os primeiros dias de vida. Ainda existe a crença de que pelo fato de beber leite a bezerra não precisa tanto de água, mas isso não é verdade. Baixo consumo de água vai levar a menor consumo de ração inicial, que é o principal fator responsável pelo desenvolvimento funcional do rúmen.

Em resumo, para que as bezerras leiteiras se tornem vacas produtivas é fundamental que na fase de aleitamento, além de serem adequadamente colostradas, recebam quantidade adequada de leite, sem excessos, e que tenham acesso irrestrito à  água e ração inicial de alta qualidade. Monitorar o consumo dessa ração é imprescindível, pois no momento da desmama as bezerras devem ingerir pelo menos 1,5-2,0 kg da ração ao dia. Com isso, elas terão uma transição pós-desmama mais tranquila e poderão se desenvolver bem e com saúde. 

*Consultor Técnico de Bovinos de Leite da Cargill Nutrição Animal

Leite para todos

Por Roberta Züge*

roberta-zuge_editadaO leite, mesmo com inúmeras críticas e teorias fantasiosas que invadem as mídias sociais e são replicadas mais que bactérias em placas de cultura, continua sendo um alimento apreciado e um elemento essencial na dieta de muitas pessoas; no meio rural dizemos que é indispensável de mamando a caducando.

No entanto, inegavelmente diversas pessoas têm apresentado quadros de intolerância ou alergia ao leite. Este fato alimenta ainda mais as tais teorias. Por outro lado, enquanto o ceticismo em relação ao real valor nutricional do leite é fomentado por crendices, a ciência busca explicações.

Entre estes estudos descobriu-se que os problemas de alergia, ou intolerância, parecem ter surgido há apenas um século. Mas o ser humano vem ingerindo leite, de origem bovina, há quase 10.000 anos. Assim, foi necessário investigar o que havia mudado neste último século.

As pesquisas demonstraram que reações dos humanos, em relação à lactose, tem relação direta com um tipo específico de proteína. Sabe-se que todas as fêmas dos mamíferos, incluindo a mulher, produzem, no leite, uma proteína denominada βcaseina A2. No entanto, algumas fêmeas bovinas sofreram uma alteração genética e passaram a produzir também uma proteína denominada βcaseína A1. A única diferença entre as duas é apenas um aminoácido na 67ª posição entre 203 aminoácidos que compõem as duas proteínas. A βcaseína A1 possui um aminoácido histidina, enquanto que a βcaseína A2 tem uma prolina na 67ª posição. Este “detalhe” não é aceito pelo organismo de muitas pessoas, assim como, de diversos outros animais.

Intolerância à lactose e alergia à proteína do leite, muitas vezes, são confundidas pelo consumidor. Isto é justificável, pois ambas são ocasionadas pelo mesmo alimento: o leite. Além disto, elas possuem sintomas similares, como desconforto abdominal, cólicas e diarreia. Mas é importante conseguir identificar qual a causa do problema. Afinal, quando se é intolerante deve-se excluir a lactose ou apenas ingerir pequenas quantidades de alimentos, que contenham traços de lactose (também depende do grau de intolerância). Por outro lado, na alergia ao leite de vaca, a ingestão de qualquer proteína do leite ou alimentos que contenham qualquer traço deve ser excluída para evitar uma reação alérgica.

Sabidamente estas enfermidades se expressam somente quando as pessoas ingerem leite oriundo de vacas que possuem os Alelos A1. Tais fatos levaram os pesquisadores a estudar genótipos e raças, e descubrir qual alelo A1 e A2 têm freqüências mais altas. Desde então, essas raças que apresentam uma maior quantidade de alelo A1 no leite começaram a produzir leite que podem causar doenças às pessoas predispostas. Assim, começou-se a produzir raças com quantidades mais elevadas de alelo A2 no leite, que não causa doenças.

Hoje por meio de testes genômicos, já empregados por diversos produtores em sua rotina, há rebanhos sendo selecionados com vacas que sejam A2 em seu genoma. Assim, o leite oriundo destes animais não causa reação alguma. Liberado leite a todos. Aproveite e beba leite!

*membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS); Vice-Presidente do Sindicato dos Médicos Veterinários do Paraná (SINDIVET); Médica Veterinária Doutora pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP); Sócia da Ceres Qualidade.