Agrotóxicos – mitos e verdades

Você certamente já ouviu ou leu que o brasileiro “ingere 5,2 litros de agrotóxico por ano” e que o morango, o pimentão, entre outros alimentos estão contaminados com substâncias tóxicas acima do permitido.

O jornalista Nicholas Vital, autor de “Agradeça aos agrotóxicos por estar vivo”, publicado pela Editora Record, derruba, por meio de dados e estudos científicos, estes e outros mitos relacionados ao uso de pesticidas no campo. Confira o bate-papo que tivemos com ele!

Capa Agradeca aos agrotoxicos por estar vivo CG v2CenárioAgro (CA) Como surgiu a ideia de escrever o livro sobre o uso e a divulgação dos agrotóxicos na agricultura?
Nicholas Vital (NV) A ideia surgiu da minha experiência como jornalista agro. Ao longo da minha carreira, estive em centenas de fazendas e pude constatar que a realidade no campo é bem diferente da que vemos nos jornais e no discurso dos detratores dos agroquímicos. O principal objetivo do livro é equilibrar o debate entre produtos orgânicos e convencionais.

(CA)Em quanto tempo você produziu e escreveu o livro?

(NV) Foram dois anos entre o início da pesquisa e a entrega do material para a Editora Record. Neste período, eu fiz mais de 50 entrevistas com especialistas como engenheiros agrônomos, médicos toxicologistas, biólogos, produtores e estudiosos em geral. Todos os meus argumentos são amplamente fundamentados. São mais de 30 páginas só com referências bibliográficas.

(CA) Apesar de propor um debate mais ponderado; equilibrado em relação aos orgânicos e convencionais, o título do livro é bastante sensacionalista. Não acha que isso reforça a idea de que orgânicos são bons e agrotóxicos maus?

(NV) Não considero o título sensacionalista. Apesar de forte, o título reflete uma realidade: não fossem os defensivos agrícolas, a oferta de alimentos no mundo seria muito menor e, consequentemente, não teria comida para todo mundo. Muitas pessoas julgam a obra apenas pelo título, o que é um erro. A obra desmonta a narrativa dos orgânicos, que apesar de muito bonita, não se sustenta diante da ciência. O livro também aborda os problemas decorrentes do uso incorreto dos agroquímicos, o que infelizmente ainda acontece muito no Brasil. Não sou porta-voz do setor e nem estou aqui para fazer uma defesa incondicional do produto. Minha intenção não é convencer ninguém de nada. O objetivo é apenas mostrar o outro lado da história para que os consumidores tomem as suas decisões com base na ciência — e não no marketing do medo que vemos hoje em dia.

(CA) Além do interesse de mercado, a que você atribui a falta de informação a assuntos ligados ao campo pela população urbana?

(NV) A população é cada vez mais urbana e distante da produção de alimentos. Como o agro é um setor que tradicionalmente não se comunica bem, existe muita desinformação, mesmo entre as pessoas mais instruídas. As pessoas temem os agrotóxicos porque não entendem bem o que são esses produtos, não sabem a importância deles para a produção de alimentos e não têm ideia da preocupação com a segurança ao longo do desenvolvimento dessas substâncias. O nome “agrotóxico”, utilizado exclusivamente no Brasil (no restante do mundo é pesticida), também não ajuda. Assim, os defensivos têm uma imagem muito negativa, o que acaba sendo explorado por pessoas que têm interesses comerciais na venda de orgânicos. Veja bem: se não existisse um “vilão”, ninguém aceitaria pagar até o triplo do preço por um produto orgânico.

(CA) Em seu ponto de vista, por que a população em geral não tem restrições quanto ao uso da biotecnologia na Medicina e/ou na Indústria Farmacêutica, mas sim quando se trata de produção de alimentos?

(NV) Porque não entendem que, no fundo, é a mesma coisa. Muitas das fabricantes de remédios também produzem agroquímicos. Os defensivos nada mais são do que os remédios das plantas. Quando uma pessoa pega uma micose, faz um tratamento à base de fungicidas. Quando está na praia sendo atacada por pernilongos, não pensam duas vezes antes de usar um inseticida. Agora, quando esses produtos são usados nas lavouras, para curar as plantas de fungos ou evitar o ataque de insetos, são vistos como um problema. O princípio ativo dessas substâncias, em geral, é o mesmo. Na minha opinião, isso se deve a um problema de percepção de risco por parte das pessoas, causado por pura falta de conhecimento.

(CA) Como você enxerga a comunicação feita pelas empresas de agroquímicos?

(NV) As empresas investem em comunicação voltada para o público de interesse delas, ou seja, os agricultores. Nas áreas urbanas, a comunicação é prejudicada pelas limitações impostas pela legislação, que não permite comerciais em programas que não sejam voltados ao público rural. Assim, você nunca vai ver uma propaganda de um agroquímico no intervalo da novela das 8. Por outro lado, as propagandas de orgânicos estão por toda parte — feitas não pelos produtores, mas pelos varejistas, os que mais lucram com essa história. Os programas de culinária também vivem falando da tal “alimentação natural”. A dona de casa não tem acesso ao outro lado da história e acaba achando que os orgânicos são bons e os convencionais perigosos, o que é um erro.

(CA) O mercado de orgânicos tem crescido ano a ano e, com ele, o discurso de que somente este produto é alimento bom, limpo e justo. Quanto disto é verdadeiro? É possível atender à demanda mundial por alimentos com orgânicos?

(NV) As vendas de orgânicos crescem 30% ao ano, mas sobre uma base muito pequena. Trata-se de um mercado de R$3 bilhões no Brasil. Pode parecer muito, mas não é nada dentro do agronegócio brasileiro. O Valor Bruto da Produção (VPB) no Brasil supera os R$500 bilhões. Ou seja, os orgânicos representam cerca de 0,5% do mercado. Mesmo nos países mais desenvolvidos, essa participação também é modesta. Na Dinamarca, considerada a nação mais orgânica do mundo, a participação não chega a 8%. Nos EUA, é de 5%. Orgânicos demandam mais terras e mão de obra para serem produzidos, por isso são mais caros. Trata-se de um produto voltado para os mais ricos. A população em geral não tem acesso. Na minha opinião, seria impossível alimentar o mundo exclusivamente com orgânicos.

(CA) Quem espera atingir com o livro?

(NV) O objetivo é levar a informação para o maior número de pessoas possível, tanto no campo quanto nas cidades. Apesar de tratar de um assunto árido e muitas vezes técnico, a linguagem utilizada no livro é simples e acessível a todos. Trata-se de um tema de extrema importância e que ainda é pouco discutido pela sociedade. O livro vem para estimular esse debate. Mais uma vez, não quero convencer ninguém de nada, apenas mostrar o assunto sob um outro ponto de vista, baseado na ciência e não na ideologia. Toda história tem dois lados, até mesmo a dos agrotóxicos.

Serviço

Agradeça aos agrotóxicos por estar vivo
Nicholas Vital
Ed. Record | 252 páginas | Reportagem
Preço sugerido | R$ 39,90

 

MMA e Embrapa lançam livro sobre espécies nativas do Centro-Oeste

A publicação faz parte do projeto “Plantas para o Futuro” e está disponível para download

Redação*

livro_plantas para o futuroO Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), como o apoio de instituições parceiras, lançaram ontem (1) o livro “Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial – Plantas para o Futuro – Região Centro-Oeste”.

Resultado de mais de mais de dez anos de pesquisas, o livro traz informações sobre 177 espécies nativas da região Centro-Oeste com potencial de aplicação em diversas áreas – alimentação, medicamentos e cosméticos, entre outras.

Este é o segundo de uma série de cinco livros que estão sendo publicados sob a iniciativa “Plantas para o Futuro” e do Projeto BFN (Biodiversidade para Alimentação e Nutrição). As publicações têm como objetivo identificar espécies nativas da flora brasileira que possam ser utilizadas como novas opções para a agricultura familiar na diversificação dos seus cultivos, ampliação das oportunidades de investimento pelo setor empresarial no desenvolvimento de novos produtos e na melhoria e redução da vulnerabilidade do sistema alimentar brasileiro.

De acordo com a Embrapa, a produção de espécies nativas do Centro-Oeste pode representar uma inovação tecnológica para os agricultores e produtores da região, como alternativa de diversificação de produtos para o mercado.

Além do Centro-Oeste e da região Sul, cujos livros já estão disponíveis para o público, o Ministério do Meio Ambiente vem concentrando esforços para finalizar as publicações referentes às regiões Nordeste, Norte e Sudeste.

Centro-Oeste

A região Centro-Oeste engloba uma área de 1.606.370 Km², dividida entre os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e o Distrito Federal. Ao longo dessa extensão territorial, encontram-se três biomas: o Cerrado, o Pantanal e parte da Floresta Amazônica, o que torna a região muito rica em espécies vegetais nativas.

A exploração predatória e a expansão crescente da agricultura aliadas ao uso inadequado dessas espécies, em decorrência do pouco conhecimento científico, vêm fazendo com que ainda sejam subutilizadas pelos produtores da região. A maior parte delas apresenta qualidades e características que indicam potencial para uso sustentável pelos produtores locais e para a indústria.

*Com informações do Ministério do Meio Ambiente e da Embrapa

 

Olhos da Mata Atlântica é o novo livro apoiado pela FMC

Obra sobre a mata atlântica é lançada no Dia do Meio Ambiente, pela empresa de defensivos, que já homenageou outros biomas

Lagamar

Uma da fotos do livro traz o guará (Eudocimus ruber), uma das aves da nossa mata atlântica que pode ser avistado no litoral sul de SP. 

Pensando em promover as belezas naturais que representam a diversidade da flora brasileira, a FMC Agricultural Solutions e o Ministério da Cultura lançam, em 5 de junho, nas comemorações do Dia do Meio Ambiente, o livro Olhos da Mata Atlântica. A obra reproduz a região Sudeste desse bioma, que em sua totalidade ocupa uma área de 1.110.182 Km² e corresponde a 13% do território nacional. 

“A data tem como objetivo chamar a atenção da população das belezas naturais e situação ambientais deste bioma para ampliarmos o conhecimento e a importância da preservação dos recursos naturais”, afirma, em nota, a FMC.

Para fazer as fotos que ilustram o livro, o fotógrafo Tiago Lima Marcelino, com ajuda do biólogo José Ataliba, percorreu os principais parques estaduais de São Paulo e Rio de Janeiro entre novembro de 2016 e janeiro deste ano. Segundo a empresa, o trajeto foi escolhido para ressaltar os principais ecossistemas que o bioma apresenta: Mangues e Restingas (Vale do Ribeira-SP e Itatiaia-RJ), Floresta Ombrófila Densa (Serra do Mar-SP), Floresta Ombrófila Mista (Campos do Jordão-SP) e Floresta Estacional Semidecidual (Porto Ferreira-SP).

“Durante nossa expedição, capturamos o máximo de imagens que pudessem expressar a grandeza e diversidade da nossa querida e ameaçada mata atlântica. Concentramos nossos olhares na região sudeste do País para conhecermos os diversos ecossistemas presentes nesse bioma. Variações de latitude e altitude em sua extensão determinavam diferentes fisionomias. Dunas, manguezais, restingas, florestas estacionais e ombrófilas em uma experiência única de observação, contato e reflexão”, explica Marcelino. Segundo ele, no total, foram tiradas 8571 fotos e, para o livro selecionamos 285 imagens. 

Muriqui do sul

O muriqui do sul

De acordo com o Presidente da FMC América Latina, Ronaldo Pereira, cerca de 70% da população brasileira vive no território compreendido pela mata atlântica. “Estamos divulgando e ressaltando uma parte do país que está tão próxima a nós, mas que muitas vezes não paramos para apreciar. Parabenizo o Tiago e o José pela sensibilidade em realizar esse projeto. A FMC se orgulha de apoiar um trabalho que enaltece uma das florestas mais ricas em biodiversidade do planeta”, diz Pereira.

O título é parte integrante do projeto “Publicação de Livros Fotográficos – Pantanal, Mata Atlântica e Pampas”, do Pronac, nº 1410573 –- aprovado na Lei Nacional de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura. Sua distribuição é gratuita e está sendo direcionada a bibliotecas públicas e centros de cultura.

A versão eletrônica do livro está disponível para apreciação e download no link: https://www.fmcagricola.com.br/coletaneafmc.aspx