Pesquisadores recomendam Manejo Fisiológico para auxiliar no controle do greening

Tratamento, desenvolvido pela Conplant, é baseado em nutrição, uso de estimulantes vegetais e manejo de solo, para prevenir a severidade da doença, aumentar a produtividade e prolongar a vida útil da planta. O tratamento não exclui, porém, o controle do vetor e prevê o respeito às normas oficiais 

Divulgação Conplant

Medina, da Conplant, ao lado de planta podada e que recebeu o MFG. Atrás, planta sem manejo

Um grupo de pesquisadores científicos que fundou a consultoria em nutrição e fisiologia de plantas Conplant em 2004 tem recomendado, após dez anos estudando o greening (huanglongbing/HLB), um tratamento complementar da doença, que eles batizaram de Manejo Fisiológico do Greening (MFG), com base no reforço da nutrição da planta, que, mais “forte, resistiria melhor à doença.

O greening, que apenas em 2017 afetou 32 milhões de árvores, ou 16,73%, do parque citrícola de São Paulo e Minas Gerais, de acordo com o levantamento do Fundecitrus, está presente em quase todas as regiões produtoras de citros do mundo e ainda não tem cura. A ideia da Conplant, com a recomendação, é aumentar a produtividade e prolongar a vida útil da planta, diminuindo o prejuízo do citricultor.

O engenheiro agrônomo Camilo Medina, um dos fundadores da consultoria, explica que, mesmo com o controle do psilídeo Diaphorina citri – que é vetor das bactérias   Candidatus Liberibacterasiaticus e Candidatus Liberibacteramericanus, responsáveis por causar a doença – nos pomares comerciais, o greening vem se expandindo, provavelmente em função da dificuldade de controle em pomares não comerciais e em plantas ornamentais, como a falsa-murta.

Assim, após pesquisarem o comportamento das plantas e observarem que o desenvolvimento da doença varia conforme a condição da árvore, Medina e seus colegas da Conplant desenvolveram um tratamento à base de nutrientes e bioestimulantes, aliado ao um melhor manejo do solo. Com isso, afirmam ter conseguido reduzir de 50 a 80% o número de plantas novas com sintomas, diminuir a queda das frutas, aumentar a produtividade e manter a qualidade do suco, em pomares comerciais nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

Para cada R$ 1 investido no tratamento o citricultor tem R$ 2,5 de retorno, assegura Medina. “Sem contar os custos de erradicação e replantio do pomar”, complementa.

O pesquisador, que já atuou no Fundecitrus, alerta no entanto, que o MFG não evita o aparecimento da doença, e que o combate ao psilídeo não pode ser interrompido. “Além disso, é importante seguir as orientações dadas pelas legislação vigente a respeito do greening”, recomenda, referindo-se à Instrução Normativa nº 53, de 2008. Segundo ela, o produtor deve inspecionar e eliminar as plantas doentes, sendo que talhões com incidência superior a 28% de plantas com sintomas devem ser totalmente eliminados, sob pena de pagamento de multa.

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