O desperdício de alimentos continua alto

Por Coriolano Xavier*

23.03.2012 - ANDEF Fotos: Tatiana FerroÉ difícil conviver tranquilo com o desperdício corrente de alimentos, que não é pouco. Dados da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), por exemplo, mostram que o setor deixou pelo caminho cerca de R$ 7 bilhões em 2016, por conta de alimentos jogados fora devido à aparência, danos ou validade. A maior parte foi de frutas, legumes e verduras (FLV). Mas padaria, confeitaria, comida pronta, peixes e carnes também pesaram no desperdício. Juntas, essas categorias registraram perdas próximas a 20% do faturamento líquido do setor.

O desperdício começa nas lavouras, continua depois da porteira e faz com que 30% do que se produz no campo não chegue ao consumidor, segundo alerta a FAO Brasil, órgão da ONU para a agricultura e alimentação. Essa enormidade de alimento desperdiçado decorre, em parte, do próprio gigantismo do sistema de produção e distribuição alimentar, reflexo da acelerada urbanização que vivemos. Perde-se alimento no transporte, no manuseio de varejo, no processamento, por padrões de consumo, vencimento e deterioração.

Para reduzir o problema, em geral se busca prolongar o tempo de prateleira dos produtos perecíveis com melhorias em refrigeração, embalagem, técnicas de exposição e logística. A genética também é convocada para desenvolver cultivares mais resistentes aos desafios do complexo percurso do campo à mesa. E tem ainda o marketing, que pode ajudar nessa cruzada contra o desperdício trabalhando sobre crenças que hoje contribuem para o encalhe de produtos.

Já se viu, por pesquisa, que mais de 40% das pessoas associam produto feio a impróprio para consumo (o que não é necessariamente um fato) e mudar tal percepção, com transparência e dentro de princípios éticos, certamente contribuiria para diminuir refugos. Incentivar novas formas de consumo é outro caminho possível, aproveitando alimentos fora da cartilha convencional em sucos, sopas, saladas e outras formas de preparo. Enfim, apostar no conceito de conveniência e na educação do consumidor para driblar o rejeito de produtos.

É possível também reposicionar produtos de menor valor percebido, aumentando seu atrativo para consumo. O caso das pequeninas “maçãs da Mônica” já é um clássico. Miúdas, fora do padrão premium e azedinhas, elas não tinham grande apelo e eram aproveitadas para produção de sucos. Mas foram reconceituadas como produto para crianças, com o reforço publicitário de um personagem famoso de HQ infantil, abrindo seu espaço no mercado. Hoje, fala-se que as azedinhas representam mais de 10% do mercado nacional de maças.

No complexo sistema de produção alimentar, dificilmente uma só coisa resolve um grande problema. É um setor multidisciplinar e, muitas vezes, a solução para seus desafios não está somente ao longo da cadeia produtiva, mas também na ponta do abastecimento, na mente do consumidor. Evitar que uma enormidade de alimentos acabe no lixo parece ser um de seus desafios essenciais. Vital para a sustentabilidade do setor. E o marketing pode ajudar bastante.

*Vice-Presidente de Comunicação do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM.

Projeto Horta Escola estimula microempreendedorismo

Realizado em São José dos Campos, interior de São Paulo, programa é direcionado a população em vulnerabilidade social

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“Fiquei sabendo pela minha filha. Achei ótimo o curso, aprendi muita coisa – a fazer composto orgânico, em como cuidar da horta. Vendemos o que colhemos na feirinha a cada 15 dias e isso tem me ajudado bastante. E vai melhorar ainda mais quando a gente começar a fornecer para restaurantes”. O depoimento animador é de Joseli dos Santos Rodrigues, 53 anos, mãe de quatro filhos e catadora de material para reciclagem há dez anos.

Assim como ela, cerca de 20 famílias em São José dos Campos/SP, em situação de vulnerabilidade social, participam do Projeto Horta Escola, realizado pela ONG Instituto Alpha Lumen (IAL), com apoio de empresas da região.IMG_20170614_155816031 “Trabalhamos com projetos de impacto social e ambiental. Atuamos sob dois eixos – divulgar conhecimento e apoiar soluções criativas”, explica Nuricel Villalonga, fundadora do Instituto. “O que queremos com o Horta Escola é que estas pessoas se tornem microempreendedoras urbanas; que tenham mais recursos para melhorar a qualidade de vida”, completa.

Para isso, o projeto atua na capacitação dos interessados. No curso, que tem duração de seis meses, os participantes aprendem como fazer uma horta, técnicas de manejo e de plantio, além de aulas de educação financeira e também de marketing, para a venda dos produtos. Por conta do valor de mercado, hortaliças e condimentos têm sido priorizados. “Contamos com um grupo de profissionais e de voluntários, que vão de agrônomos, biólogos, administradores e de marketing, que fazem o programa ser uma realidade”, conta Nuricel.

Boa parte do que é produzido no Programa é dividido entre escolas e creches municipais próximas. E o restante é comercializado pelos participantes.

“O que queremos é transformar a realidade destas pessoas e usar a horta como um instrumento para estimularmos o microempreendedorismo” diz Silvia Kato, agrônoma e consultora técnica do curso. “Este curso me trouxe muito conhecimento. Está muito bem estruturado porque não nos ensina só a fazer a horta, mas como mantê-la. As aulas de marketing também foram muito interessantes”, conta Alice Ingrid Rodrigues Martins, 18 anos, aluna do 1º ano do ensino médio. “Minha mãe e minha avó também fizeram o curso e isso foi muito legal também”, diz.

IMG_20170614_161841452“Nossa maior dificuldade hoje é encontrar terrenos para arrendar e fazer a horta. O ideal é que este trabalho seja feito em áreas ociosas, inutilizadas”, diz Nuricel. “Nosso anseio é também de que estas pessoas que estão se formando, sejam multiplicadores de conhecimento e que depois de três ou quatro turmas, o projeto caminhe sozinho com a manutenção somente da consultoria técnica”, finaliza.

 

ESPM oferece curso sobre Marketing em agronegócio

Direcionado a estudantes e profissionais do setor, aulas discutirão tendências e perspectivas do agro

Redação*

estágio_morguefile_reduzidaDe 30 de janeiro a 1º de fevereiro, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) promoverá o curso “Marketing e Carreira no Agronegócio”, que aborda tendências de mercado do agronegócio e como atua o marketing nesse contexto, além de discutir aspectos de planejamento e ativação de marketing.

O curso é direcionado a analistas, gestores e jovens, que atuam tanto na ponta dos insumos e bens de produção para a agricultura, quanto na ponta final do consumo – em supermercados, agroindústrias e varejo. Podem participar também empreendedores na produção rural e profissionais da mídia.

Para outras informações, clique aqui ou ligue para (11) 5081-8200.

Serviço

O quê? Curso “Marketing e Carreira no Agronegócio”

Onde? ESPM | Rua Joaquim Távora, 1240 – Vila Mariana | São Paulo/SP

Quando? De 30/1 a 1/2, das 19h30min às 22h30min.

*Com informações da ESPM